17 de julho de 2008

Alive'08 - Dia 3

Diz-se que aquilo que é bom acaba-se depressa. E, num instantinho, lá chegamos ao último dia, cansados mas felizes pelos momentos inesquecíveis que o Festival nos proporcionou. O 3º dia do Festival seria, à partida, o dia mais movimentado, já que iríamos andar de um lado para o outro, do palco principal para a tenda do Palco Metro Stage.

Quando chegamos, depois de dar a nossa voltinha de reconhecimento, e de ter visitado a exposição de BD de homenagem ao autor Sam, com destaque à sua personagem" Guarda Ricardo", depois vimos os Braddigan, pop simples, a fazer cócegas no cérebro e ouvir sorrindo e curtindo o sol. Nada de muito especial, mas também nada de aborrecido.

Depois entrou no palco uma das maiores surpresas, neste Festival, para mim, Xavier Rudd. O australiano, que não conhecia, é um verdadeiro " homem dos sete instrumentos", ele toca guitarra, viola, percussão ou didgeridoos, acompanhado apenas por um baterista, deu um excelente concerto, sempre muito ritmado e com canções fabulosas e viciantes. Foi daqueles concertos que não cansam. A banda sonora perfeita para o Verão.

Depois de ouvir John Butler, no dia anterior, e Xavier Rudd, e ainda faltava Ben Harper, a vontade de ver Donovan Frankenreiter, um estilo de música parecidos com os anteriores mas mais fraco, desvaneceu e decidi confiar nos gostos do Loot e fomos à tenda do Metro OnStage para vermos outra banda que não conhecia: Midnight Juggernauts.

Mais outra surpresa, mas o estilo de música completamente diferente, com uma bateria, um teclista e uma guitarra, o concerto foi intenso ao bom estilo da música rock'n'roll, sufocante com o pó espalhado no ar, com um público bem participativo e conhecedor da sua obra e até imprevisível. Quando eles cantavam a canção mais conhecida eis que, de repente, a luz foi abaixo deixando estupefactos os artistas e o público insatisfeito. Mas, eis que depois de algum tempo, eles voltaram ao palco e cantaram novamente a canção, que por acaso até era a última, embora o guitarrista tivesse muitos problemas com o som.

Depois de termos comido um saboroso crepe de chocolate, voltamos à tenda para ver, durante mais ou menos 20/25 minutos a actuação da, ex-Moloko, Roisin Murphy. Muito sensual, e muito cheia de energia, o que foi possivel de ver, foi muito bom.
Não vimos todo porque Neil Young já se preparava para entrar em palco. Aliás, o norte-americano, também estarmos tão em frente ao palco quase entalados pelo público, foi o responsável de termos perdido o concerto dos The Gossip, um banda que gosto bastante mas que não pude assistir àquele destilar de energia que incluiu uma subida ao palco de algum público.

Neil Young mostrou que ainda está para as curvas durante muitos anos, demonstrando que o rock'n'roll nunca irá morrer como ele prega na sua canção. Deu um concertazo, com uma voz incrível, uma banda que o acompanhava sempre em grande, sempre cheio de força ao ponto de rebentar as cordas da guitarra na sua última canção, a versão de " A Day in the Life" dos The Beatles. Interessante também foi ver que à medida que ele acabava a canção era sempre trocado um quadro com uma pintura que tinha a ver com a mesma, pintura essa, penso eu, pintado pelo próprio.

A tarefa de fechar o Festival cabia a Ben Harper e posso dizer que...vou cometer uma heresia...mas Ben Harper...admito, Ben Harper desiludiu-me. Quem me conhece sabe a importância que Ben Harper tem para mim, desde à muito tempo quase do inicio da sua carreira, já ouvi imensos concertos dele, em gravações piratas e originais, já vi vídeos, e até já o tinha visto ao vivo na penúltima vez que ele veio ao Pavilhão Atlântico e posso dizer que, depois de ter visto/ouvido esses imensos concertos, acabei por ficar um pouco desiludido. Não é que o concerto tenha sido mau, mas...foi sem sal. Primeiro foi o Ben Harper menos comunicativo que conheci, pareceu-me preguiçoso, um pouco acomodado já que ele já tinha o público na mão por altura do concerto do...Neil Young. Depois deu um concerto calmissimo, em comparação ao Pavilhão Atlântico em que ele começou logo a " partir a loiça", a música " Excuse me, Mr." esteve longe da força de todas as versões que já ouvi dela, até a duração do concerto foi de 2 horas, quando ao habitual é mais de 2: 30 horas. Está bem que uma coisa é tocar num Festival, outra é num concerto a solo, mas, a maior parte do público estava lá para o ver. E depois...um concerto do Ben Harper sem a " Sexual Healing", versão de Marvin Gaye, não pode ser um concerto empolgante. Não sei se estou a ser muito injusto, até porque o concerto teve alguns bons momentos, mas queria mais. Um dos grandes momentos, foi a interpretação de " Boa Sorte", música interpretada com Vanessa da Mata, a meias com o público. Aqui fica o momento registado em vídeo pelo Maurobindo, no blog Já cheira a samadhi




2 comentários:

looT disse...

Os Midnight Juggernauts são fabulosos :D

Já agora acho que era impossível ver alguma coisa de Gossip ficando até ao fim de Neil Young. Se contarmos com o regresso ao palco dele.

Foram escolhas, foi difícil mas penso que será mais fácil ver Gossip no futuro e Neil Young deu um concertão.

Carriço disse...

Deu para ver que foram uns dias bem passados!
Em relação ao Xavier Ruud, bem que me lembrava de já te ter falado dele - http://scotchginandsoda.blogspot.com/2007/05/pergunta-mais-intrigante-da-humanidade.html
É o tipo de música que liga bem com a praia e o sol, de facto.
O Ben é que, apesar de já o ter feito N vezes, talvez não seja a melhor das escolhas para festivais. Já o vi em sala (confesso que sou um tanto quanto avesso a festivais) e é muito bom. Ele e os Innocent Criminals, grandes músicos.

Abraço