31 de dezembro de 2012

2012. As imagens possiveís do ( meu ) ano



Como manda a tradição, aqui ficam as imagens possíveis do meu ano de 2012. Foi um ano de vivências novas, de um começo de uma vida nova conjunta onde o amor fala mais alto, de uma viagem a uma cidade inesquecível, do Bon Iver no Coliseu do Porto, do Laxness e de mais um livro do Pamuk, da Patti Smith, do grande Jack White, da Fionna, mas não a do Shrek, da Minta, do "Hobbit" e da Scarlett Johansson ruiva nos " Vingadores", da Meryl Street como Tatcher, do " Downton Abbey", foi o ano dos Jogos Olímpicos, e da Lady e do Juary.  

Como sempre, faltam sempre outras imagens, outros concertos, outros álbuns, livros, filmes,  foi o ano em que o povo saiu à rua percebendo que quem nos governa é um governo corrupto, mentiroso e aldrabão. Saímos deste ano com angústia porque entraremos num ano com uma perspectiva muito negra daquilo que nos espera, mas entraremos com vontade de lutar e de cabeça erguida preparados para o que der e vier. Feliz 2013 :)

29 de dezembro de 2012

24 de dezembro de 2012

Feliz Natal



Desejo-vos um Feliz Natal com muita paz, saúde, fraternidade e tudo do bom e do melhor. God Bless You All :)

21 de dezembro de 2012

Gente Independente

" Gente Independente" é a história de Bjartur, um homem obcecado pela sua independência, social e financeira, pelas suas ovelhas e pela protecção da sua família, que vive num vale isolado de todos no limite da sobrevivência .

O romance é daqueles livros que nos vai conquistando a cada página, Halldór Laxness, inspirado pela sagas épicas da sua Islândia natal, consegue atrair o leitor para uma história da qual percebemos que poderia ter acontecido em qualquer parte do Mundo. Lembrei-me bastante das aldeias portuguesas onde esta história poderia se ter passado.

É verdade que a memória é um processo do qual, por vezes, teimámos a esquecer os acontecimentos mais longínquos, mas desta vez não é assim, " Gente Independente" foi em 2012 o livro que mais me completou e mais me prazer deu ler. 

A melhor descrição sobre esta obra acaba por estar inserida nas próprias páginas deste magnifico livro: 

" a sua alma foi encantada pela sedução de uma obra literária, que nos mostra a condição humana de modo tão real e com tanta compaixão e com tanto amor pelo bem, que nós próprios nos tornamos melhores pessoas e compreendemos a vida melhor do que antes, e almejamos e esperamos que o bem possa sempre prevalecer na vida dos homens" ( pag.219 ).

 Um romance com uma história intemporal de um autor para voltar sempre.

20 de dezembro de 2012

13 de dezembro de 2012

O Hobbit - Uma viagem inesperada

Confirmaram-se alguns dos meus receios em " The Hobbit", no entanto posso dizer que fiquei agradavelmente satisfeito com a globalidade do filme, gostei imenso de rever algumas personagens e alguns lugares das Terras da Idade Média, gostei muito da banda sonora, Ian McKellen como Gandalf está ex-tra-or-di-ná-rio, a personagem Gollum está fantástica mais uma vez, saí do cinema com um enorme sorriso nos lábios de contentamento e vontade que a história continuasse. No fundo, é esse o objectivo da primeira parte da trilogia: tentar captar o espectador para a segunda parte do filme, e, pela minha parte, esse objectivo foi conseguido.

É verdade que Peter Jackson "esticou " um pouco algumas partes da história, como já seria expectável, as conversas de Gandalf com os elfos, principalmente com a Galadriel ( a brilhante e lindíssima Cate Blanchett) sente-se como um apêndice dispensável, a introdução que me pareceu longa, como também existe uma desigualdade no ritmo do filme, confirmando que esta história teria mais sentido se fosse contada em duas partes, no entanto não damos o tempo a passar, nem ficamos aborrecidos. 

Também achei Bilbo Baggins um pouco tonto demais, mas aí percebo esse intuito, o livro original é infantil e isso poderá ter influenciado o actor, assim como deveriam ter dado mais protagonismo a alguns anões, mas acredito que com mais dois filmes pela frente isso poderá se resolver. 

Por último, a sessão foi em 3D, ao que ouvi parece que com a tal nova função, a 48 frames por segundo, eu, que não percebo nada destas coisas técnicas e ainda não sei bem qual a diferença, senti que, de todos os filmes que vi em 3D, este tinha a imagem mais nítida, menos tive problemas em adaptar-me ás imagens de maior movimento e não tive efeitos secundários, mesmo ter tido o azar de ter visto o filme nas filas da frente.

Quanto ao resto, se são fãs de cinema de entretenimento e de histórias da Terra Média aposto que irão adorar reencontrarem-se com algumas destas personagens e conhecer as restantes. Por mim, considero um bom filme de entretenimento dentro do género, menos tenso e ainda pouco capaz de ombrear com a trilogia anterior mas com quase três horas passadas de forma agradável. 





12 de dezembro de 2012

"The Hobbit" - O que pode dar certo e o que pode dar errado

Como grande fã da trilogia " O Senhor dos Anéis",  como admirador da obra de Tolkien ( uma resolução para 2013 é tentar ler todas as outras obras que me faltam), e como já li e reli o livro original, estou muito curioso para ver o filme " The Hobbit", o que vai acontecer hoje, já que ganhei um passatempo para ver a ante-estreia. :-)

No entanto, essa minha curiosidade esbarra nalguns receios fazendo-me baixar imenso as expectativas, o que acontece, provavelmente, por conhecer bastante bem o livro. Na minha opinião, "The Hobbit" tem tudo para dar certo mas muita coisa para dar errado.

A primeira sensação "estranha" que um espectador pode ter é a da "novidade", ou seja a história não foge muito à da trilogia do " O Senhor dos Anéis , se bem que esta é uma aventura mais fascinante do que roubar o ouro a um Dragão, o motivo principal de " The Hobbit".

Outra coisa, e aqui parece-me que pode ser um erro para o insucesso do filme caso ele exista ( e rezo para que tenha imenso sucesso), é que o livro tem poucas mais de 250 páginas em contraponto às mais de 1300 páginas, divididas por 3 livros, do " Senhor dos Anéis", o que me dá receio que Peter Jackson tenha "esticado" muito algumas cenas. E isso, quase que aposto, irá se notar mais no segundo filme, caso a luta com o Dragão, ocorra apenas no último filme.

Por outro lado, aliado ao prazer que um espectador apreciador da Idade Média tem em rever algumas personagens/paisagens/casas/etc, há um humor enorme no livro que poderá ser uma questão fulcral no filme. Ou o realizador nos leva para um humor idiota e infantil, tipo os filmes do Ásterix e aí estraga tudo ( e existe uma cena no trailer que leva para esse campo...), ou então o realizador consegue transportar para a trama um humor não forçado e que nos diverte, como, por exemplo, no fantástico " The Avengers ". 

E ainda temos as situações mais técnicas, se o filme resulta melhor em 3D ou 2D ou 3D em formato HD,etc, além das dúvidas se as lutas conseguem nos mostrar alguma "realidade" ou então transporta-nos muito para o virtual como nos mostram os videojogos, podendo aborrecer o espectador.

Por mim, se Peter Jackson captar o humor do livro e nos divertir, mesmo que seja com uma evidente menor frescura do que a trilogia anterior, com uma realidade mais pura e menos virtual, atiçando-me ainda mais a curiosidade para os restantes filmes já fico satisfeito. A ver vamos. Ou melhor, hoje a ver vou. Depois digo algo. 

PS: Não tentem ver este filme de barriga vazia. Comida, tenho a certeza, neste filme não irá faltar...

10 de dezembro de 2012

" Poucas são a coisas que causam mais decepção à alma do homem do que acordar, especialmente cedo na manhã, enquanto outros dormem. É só quando uma pessoa está acordada que se apercebe como os sonhos nos transcedem. " In " A Gente Independente" de H. Laxness

9 de dezembro de 2012

Do coração que ama

" Poucas coisas são tão falíveis e inconstantes como o coração que ama, e no entanto é o único lugar no mundo onde existe o sentimento de partilha." in " A Gente Independente " de H. Laxness

6 de dezembro de 2012

Pergunta de algibeira

Para quando este livro traduzido em português ? Ou será que vou ter que o ler em espanhol ? Vou falar com a editora que o publica e já venho :) Na verdade, acho que irei tentar ler todos os livros dele em espanhol...


Actualizado: Em 2013, com data a anunciar, temos este livro editado em Portugal, garantiu-me simpaticamente a Porto Editora. :)

5 de dezembro de 2012

No país dos sacanas

“Que adianta dizer-se que é um país de sacanas?
Todos o são, mesmo os melhores, às suas horas,
e todos estão contentes de se saberem sacanas.
Não há mesmo melhor do que uma sacanice
para fazer funcionar fraternalmente
a humidade da próstata ou das glândulas lacrimais,
para além das rivalidades, invejas e mesquinharias
em que tanto se dividem e afinal se irmanam.

Dizer-se que é de heróis e santos o país,
a ver se se convencem e puxam para cima as calças?
Para quê, se toda a gente sabe que só asnos,
ingénuos e sacaneados é que foram disso?

Não, o melhor seria aguentar, fazendo que se ignora.
Mas claro que logo todos pensam que isto é o cúmulo da sacanice,
porque no país dos sacanas, ninguém pode entender
que a nobreza, a dignidade, a independência, a
justiça, a bondade, etc., etc., sejam
outra coisa que não patifaria de sacanas refinados
a um ponto que os mais não são capazes de atingir.
No país dos sacanas, ser sacana e meio?
Não, que toda a gente já é pelo menos dois.
Como ser-se então neste país? Não ser-se?
Ser ou não ser, eis a questão, dir-se-ia.
Mas isso foi no teatro, e o gajo morreu na mesma.”

Jorge de Sena
10/10/73

4 de dezembro de 2012

20 anos



e o Mundo ainda continua a necessitar ouvir as suas vozes .

30 de novembro de 2012

Comprado




Mas apenas o começo a utilizar a partir da noite de Natal. Até lá vou estudando a melhor forma de aproveitar as suas potencialidades através das várias opiniões encontradas virtualmente.

29 de novembro de 2012

O Retrato da artista, quando ignorante.

Em tempos onde a vontade de rir não abunda, eis que chega a salvação. Esta entrevista da "escritora-que-vendeu-mais-de-um-milhão-de-livros-num-país-onde-ninguém-lia" é das coisas mais humorísticas que saiu num jornal. Esqueçam as noticias do "Correio da Manhã". Esqueçam a mulher que queria matar o homem com o tamanho dos seus seios. Esta entrevista é de todo um requinte. Curiosamente também trata, embora indirectamente, do tamanho de um órgão. Mas, neste caso, é o cérebro da entrevistada. E, como adivinham, grande não deve ser. Ela que fez um "downsizing do seu lifestyle"  deve ter afectado o  seu cérebro. Eis o retrato de uma "classe", a das "Tias", que neste país conseguem ter uma importância enorme. Cuidado, elas andam aí.




" A Vida Verdadeira"



Nada melhor do que o próprio título indicar sobre o assunto que trata esta obra do autor  Vasco Luís Curado, um dos escritores portugueses da chamada " nova-geração" que vale a pena acompanhar. 

É da vida tal como ela que este livro trata, das suas alegrias, das tristezas, das perdas duras e encontros, mas é essencialmente das recordações da vida de um rapaz solitário com o nome de Vergílio que decide vender a sua casa totalmente cercada por outras casas.

" A Vida Verdadeira" é um desfiar das recordações do seu passado como se fosse um novelo, desde a influência obsessiva das mulheres na sua vida, primeiro da sua mãe e posteriormente da sua irmã com que partilha sonhos e recordações que o irão marcar, seja de forma positiva como negativa. Também se fala do seu tio, um ex-soldado que veio da guerra com marcas físicas que irá exercer também uma influência especial na vida de Vergílio.

É nestas duas relações, com o tio e com a irmã, que para mim são os pontos mais fortes de um livro, que apesar de o achar um pouco desequilibrado com alguns capítulos dispensáveis, acaba por ser uma obra muito interessante, com escrita cuidada, conjugando momentos dramáticos com momentos bem divertidos.  

" A Vida Verdadeira" é, sobretudo, um belo cartão-de-visita do autor para o público leitor, ficando a curiosidade para conhecer novas obras.

27 de novembro de 2012

"Olympia" - Minta & The Brook Trout

Calcorreando os mesmos terrenos por onde pisam nomes como Laura Veirs, Sufjan Stevens ou Bill Callahan, Francisca Cortesão ( Minta ), juntamente com os seus The Book Tout construiu um album que é a companhia perfeita para a estação do ano que vivemos.

Belissimas melodias melancólicas conjugadas com letras que contam histórias de vida, Francisca Cortesão dá-nos, no seu segundo longa duração, a conhecer um disco maduro com canções acolhedoras sem esconder as suas influências. 

Um dos melhores discos do ano. Para descobrir de forma gratuita e legal aqui.

25 de novembro de 2012

Da memória

" Os outros são a nossa memória e nós somos a memória dos outros " in " A Vida Verdadeira" de Vasco Luís Curado

24 de novembro de 2012

" O Hobbit "

"O Hobbit", considerado como um prelúdio da trilogia " O Senhor dos Anéis",  conta a história de Bilbo Baggins, um hobbit tranquilo e preguiçoso, aquilo a que chamamos de "paz de alma", que se vê metido numa aventura sem querer e que juntamente com outros 13 anões, mais o feiticeiro Gandalf, vai partir por terras da Idade Média em busca de um tesouro que está nas garras do poderoso Dragão Smoug. Contudo, pelo caminho eles vão encontrar dificuldades e vão-se envolver em inúmeras e emocionantes aventuras que faz o leitor se entusiasmar. 

Reler Tolkien é redescobrir o prazer de ler livros de aventura, de um mundo de fantasia mas com lições para o mundo real. É um verdadeiro e delicioso escape da vida real e das noticias com que lidamos diariamente. A estreia do filme está próxima, o meu entusiasmo ficou ainda mais em alta.

22 de novembro de 2012

Tenho esquecido de dizer...



que este ano dá um gozo do caraças ver o FCPorto jogar. E que é um privilégio ter estes dois na minha equipa.

21 de novembro de 2012

13/12/2012


Um misto de curiosidade, ansiedade, apreensão e algum medo que isto não resulte. Até lá, vamos relendo o livro.

19 de novembro de 2012

Hoje...o grande regresso



se bem que irei ver apenas na 5ª ou 6ª feira. Mas já está programado para gravar. 

18 de novembro de 2012

Blue Sunday



I found my own true love was
On a blue sunday.
She looked at me and told me
I was the only
One in the world.
Now i have found my girl.

My girl awaits for me in tender time.
My girl is mine.
She is the world.
She is my girl.

La, la, la, la, la.

My girl awaits for me in tender time.
My girl is mine.
She is the world.
She is my girl. ( Jim Morrison)

16 de novembro de 2012

Saramago: 90 anos



Hoje é Dia do Desassossego . Todos os outros dias, deveriam ser dias de (re)ler Saramago.

15 de novembro de 2012

Sabem o que é trabalhar com uma pessoa que, invariavelmente, ao falar está a dar pancadinhas na mesa, como se estivesse a marcar o ritmo da conversa ? Não sabem ? Então digo-vos: é irritante que se farta. E cansativo. 

Um pedido ás rádios portuguesas

Variem um pouco as músicas, pá. É que colocar sempre as mesmas acaba por enjoar. Quer sejam rádios temáticas ( aquela M80 e os seus " êxitos dos anos 70,80 e 90" que são sempre os mesmos e cujos Queen dão 80 vezes por dia. Olhem para o exemplo da Rádio Nostalgia que também tem rádio temática e varia muito) quer sejam aquelas mais comerciais e que são sempre as escolhidas para ouvir em repartições públicas ( incluindo no meu trabalho) como a Rádio Comercial  e a RFM. 
Valha-me ao menos os podcasts da Radar para ouvir no ginásio/caminho para casa/etc. E, quando estou no carro, a Antena 3 e a Vodafone FM.

14 de novembro de 2012

A greve de hoje

Hoje não farei greve porque a greve só valerá a pena se o meu trabalho não for feito por outra pessoa e se os serviços pararem mesmo. Numa empresa onde estamos 3 a trabalhar numa Delegação, basta um não fazer greve, mesmo que os outros dois a façam, a luta é sempre em vão. Mas, e de todas a greves por qual já passei enquanto trabalho, esta é aquela em que irei trabalhar de nó na garganta e a qual eu concordo a 1000 %. Por tudo aquilo que está a ser preparado tirar das pessoas por um governo de mentirosos, de incapazes, de incompetentes e de gente corrupta. Não é só o dinheiro que vamos ter a menos em 2013. É a vontade de estar neste país, de trabalhar, de vestir a camisola pela empresa que nos paga, de ter esta nacionalidade, de deixar o pessimismo do nosso futuro nos vencer, uma das coisas que mais luto para que tal não aconteça. E depois olho para isto tudo e pergunto o que fiz, assim como muita gente fez, para que as consequências caiam em cima de todos nós. Esta dívida não é nossa. Não fomos nós que a fizemos e estamos a pagar caro. 

13 de novembro de 2012

" Os lindos braços da Júlia da farmácia"

Diz-se que "nunca é tarde para se ser feliz", J. Rentes de Carvalho, um escritor português radicado na Holanda, pode ser considerado como uma prova da veracidade desse ditado popular. Depois de muitos anos sem ver a sua obra publicada no seu país de origem, apesar de ser um best-seller no país que o acolheu, o autor de ascendência transmontana mas natural de Vila Nova de Gaia, viu a Quetzal, e em boa hora o fez, lhe dar um novo fôlego na sua carreira em Portugal, começando-o a publicar regularmente.

" Os lindos braços da Júlia da farmácia", título belíssimo de um conto tão breve como bonito, é um livro de contos/histórias vividas/reflexões da vida em que o autor encarna a pele de narrador e nos dá a conhecer um pouco as suas aventuras/desventuras/sonhos/tristezas com a sua escrita prazerosa, envolvente e simples mas nada simplista, antes pelo contrário, muito cuidada onde tudo parece estar no lugar certo.

A curiosidade para entrar no "mundo" de J. Rentes de Carvalho foi a razão para ler este livro, agora que o li, ficou a certeza para voltar a ler novamente algumas das suas obras, principalmente os seus romances. 

12 de novembro de 2012

A dúvida do momento

Será que me habituarei a ler num E-Reader ? Compro um ? Sim ou não ?

6 de novembro de 2012

" Eu seguro" - Samuel Úria e Márcia



Ouvir enquanto é segredo uma canção que é grande demais para ser segredo.

5 de novembro de 2012

Ao meu Amor

"Twenty-nine pearls in your kiss
A singing smile
Coffee smell and lilac skin
Your flame in me

 I'm only here for this moment. " - Jeff Buckley

O destino, seja lá o que isso for, levou-me até ti. Segui o rasto da tua beleza e descobri o verdadeiro sentido do Amor. Faltam-me as palavras, mas sobra-me a felicidade de partilhar a vida contigo.  Feliz Aniversário, meu Amor.






29 de outubro de 2012

Cat Power



A minha artista do momento.

19 de outubro de 2012

Manuel António Pina ( 1943-2012 )

" O Resto é Silêncio ( Que Resto?)

Volto, pois, a casa. Mas a casa,
a existência, não são coisas que li?
E o que encontrarei
se não o que deixo: palavras?

Eu, isto é, palavras falando,
e falando me perdendo
entre estando e sendo.
Alguma vez, quando

havia começo
e não inércia,
quando era cedo
e não parecia,

as minhas palavras puderam estar
onde sempre estiveram:
no apavorado lugar
onde sou silêncio.




Morreu um dos melhores. A poesia fica mais pobre. E a nossa vida também.

18 de outubro de 2012

" Galinha com Ameixas"



" Galinha com Ameixas" é o segundo filme da dupla Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud, depois de " Perselópis", que estupidamente ainda não vi, baseando-se numa novela gráfica  de Satrapi relatando os últimos dias da vida do seu tio Nasser Ali Khan, seu tio. 

Nasser-Ali é um violinista famoso e aclamado mundialmente, cuja sua vida gira à volta da paixão que tem pela música. Durante uma discussão familiar,  a sua mulher ( a portuguesa Maria de Medeiros ) atira para o chão o seu violino partindo-o, arruinando com isso o seu maior, e  percebemos único, motivo de viver. 

Desgostoso por não encontrar outro violino igual, no filme perceberemos o porquê da relação especial com o mesmo, Nasser Ali decide morrer. Acompanhamos os seus últimos 8 dias, em contraponto com o que vamos conhecendo do seu passado percebendo que afinal a sua morte, que não física, foi uns dias antes. 

Mathieu Amalric, na pele de Nasser-Ali, tem um interpretação fabulosa, o filme é um drama com alguns momentos onde a ironia deixa-nos com um sorriso bem aberto no rosto, visualmente interessante e com uma banda sonora muito agradável. 



9 de outubro de 2012

Da busca

""o que dá o verdadeiro sentido ao encontro é a busca e que é preciso andar muito para alcançar o que está perto. " in " Todos os Nomes " de José Saramago

8 de outubro de 2012

A Little Secret

Confesso que estou um bocadinho ansioso pelo Natal. Sei que vai ser um Natal com ainda mais austeridade, com alguma tristeza e nostalgia, com muita preocupação pelos futuros indefinidos porque se aproximará tudo aquilo que vem de forma dura no próximo ano, etc,etc. Sei que a alegria será comedida e que os sorrisos serão mais de reconforto do que de felicidade. 

Estou ansioso não pelas prendas, que até nem farei lista de desejos nem pedidos especiais nem nada que se pareça, estou ansioso, apenas e só, porque vamos ter pela primeira vez uma árvore de Natal só nossa. E porque imagino que vai ser muito divertido fazê-la. Por mim, fazia-a já hoje.  Porque são estas pequenas coisas que criam uma enorme felicidade.

4 de outubro de 2012

Já suspeitava


que éramos governados pelos Irmãos Metralha. 

3 de outubro de 2012

Da austeridade do futuro



Depois de mais umas medidas de austeridade com o termo pomposamente usado pelo ministro das finanças de "brutal aumento de impostos" confesso que sinto um misto de revolta com um certo conformismo. Estas medidas provavelmente irá me levar a pensar em deixar alguns dos meus sonhos e planos em"stand-by" ou, quem sabe, em esquecê-los. O problema é que o tempo passa por nós com uma enorme rapidez e mais tarde não temos força para reerguer os sonhos abandonados. 

Eu, que sou um eterno optimista, digo: sinto-me frustrado. Frustrado por ver que o meu trabalho não será recompensado como estava a ser até ao momento ( mesmo achando que descontava valor a mais), frustrado por ter que encarar de perto com a angustia, o desespero, a desesperança das pessoas, frustrado por sentir que me estão a espremer e a tirar qualidade de vida. Frustrado por não saber como reagir porque quem manda são  tecnocratas sem escrúpulos, corruptos e cuja missão consiste em esquecer as vidas das pessoas em detrimento do seu poderio económico.

 Emigrar ? Quem sabe. Se a solução de todos os meus sonhos passar por aí...

2 de outubro de 2012

As esquinas do amor


by Sofia Vergara em " Uma Família Moderna". 

29 de setembro de 2012

" Fúria"

Agora que Salman Rushdie voltou a ser falado em todo o mundo, em virtude do lançamento do seu livro de memórias "Joseph Anton", resolvi, quase coincidentemente, voltar a ler " Fúria" um livro que já tinha abandonado à uns tempos atrás.
"Fúria" conta a história de vida de Malik Solanka, um professor que depois de se reformar troca Londres pela metrópole New York tornando-se criador de marionetas, cujas vidas ganham uma dimensão devoradora do seu inventor, encontrando uma civilização capitalista e bastante derrotista.
É um livro bem amargo, quase zangado com o Mundo, bastante pessimista, provavelmente, porque na altura da edição, conseguiu sair com êxito do  fatwa que lhe impediu de ter uma vida normal durante 13 anos. Rushdie retrata de forma ácida um mundo que teve como epílogo o "11 de Setembro".
Bem escrito, com a sua habitual habilidade narrativa que tanto me cativa, " Fúria" é, apesar de não ser um dos seus melhores que já li, um livro bem interessante.

26 de setembro de 2012

Do futuro como condicionante do presente

" Como derrotar os demónios do passado se os demónios do futuro estavam todos à sua volta numa gritaria sem tréguas ? " in " Fúria" de Salman Rushdie

24 de setembro de 2012

" "Três Tristes Tigres"

Primeiro de tudo, a capa. Excelente e de bom gosto como todos os livros de Guillermo Cabrera Infante que estão a ser editados pela Quetzal. Quanto à obra em si, estava muito curioso, visto que adorei " A Ninfa Inconstante", sendo que este livro é considerado como a sua "obra-prima" e umas das obras mais importantes da literatura sul-americana.

"Três Tristes Tigres" é sobretudo um conjunto de estórias passadas em Cuba, neste livro o autor reflecte sobre a noite cubana e os seus "habitantes" e "realidades", com um humor inteligente e uma escrita envolvente e agradável, características já habituais nas suas obras. 

Apesar de ter apreciado mais a estória da " A Ninfa Inconstante", talvez pela novidade e frescura que foi ter lido pela primeira vez este autor, " Três Tristes Tigres" não é só sinónimo de um título difícil de citar, mas também de uma obra que se deve ler de um autor que se deve descobrir o mais rápido possível.  




20 de setembro de 2012

"As vinhas da Ira"

Nada como um clássico para compreender como nasce, e é gerida, uma crise financeira, quem são os maiores beneficiados e os prejudicados. Tantos anos depois de ter sido editado e o excelente livro de Steinbeck continua tão actual que até parece ter sido escrito recentemente, basta substituirmos a Grande Depressão dos anos 20 nos EUA pela crise financeira que acontece em todo o Mundo. A ler.Urgentemente. 

19 de setembro de 2012

Respeito e admiração

é tudo o que merece o nosso grande capitão " El Comandante" Lucho Gonzalez. Não terá sido o primeiro jogador a querer jogar no dia em que o pai faleceu, no entanto merece todo o meu carinho e admiração por ter querido jogar e ter tido força mental para ter feito um grande jogo coroado com um golo. Um verdadeiro Capitão.

17 de setembro de 2012

"Temos de nos tornar na mudança que queremos ver." Gandhi

Foi bom sentir que o povo português já não está amorfo. Foi emocionante ver os Aliados repletos de gente disposta a actuar civicamente, como nunca se viu, de exigir dignidade a toda a classe politica, não só àqueles que nos (des)governam mas sim a todos os políticos, da Esquerda à Direita, que respeitem quem os colocou lá, quem confiou neles e que o povo ainda tem uma palavra forte a dizer. Que o povo ainda sabe que tem o poder de mudar o rumo e de exigir, não o impossível, mas que a vida e que todos os sonhos ainda sejam possiveís.
Senti que são tempos de mudança que se vivem, que estamos a chegar a um ponto de viragem na nossa Democracia neste século, e que é tempo de nos ouvirem com atenção e com respeito. Quase um milhão de portugueses saíram à rua, sem partidarismos, pacificamente, com vontade de intervir mostrando que acordou e que quer ser ouvido e respeitado.

Por estes dias dá orgulho ser português. 

15 de setembro de 2012

Hoje é O dia

...em que o futuro de Portugal pode mudar. Em que devemos mostrar que estamos unidos contra o roubo dos nossos direitos, dos nossos futuros, dos nossos sonhos e desejos e que mostraremos a todos que não deixaremos que nos tirem a vida e que nos condenem à miséria. Aparece e traz outro amigo também. Porque Portugal precisa mais de ti do que daqueles que nos (des)governam.

6 de setembro de 2012

Do livro que estou a ler


Um clássico sobre a crise num momento de crise

Últimas impressões de Praga

Viajar para Praga, ou regressar de Praga, pela TAP é contar com atrasos sucessivos nos voos apesar da simpatia de todos. Se quiserem ir para Praga optando por um turismo histórico e cultural, Praga é a cidade ideal, se quiserem ir para a noite é daquelas cidades que não aconselharia. Ali a gorjeta é obrigatória e ronda os 10 % do que consumiu. Ainda bem que os portugueses ainda não descobriram isso. Amigo, elas são apreciáveis, mas se pudesse definir numa palavra as checas eu diria de bom grado e de sorriso aberto: pernas.

4 de setembro de 2012

Impressões de Praga ( III )



 
Aqui é o tradicional goulash: um pão donde se retirou o miolo e encheu-se de um molho picante, alguma cebola e, o melhor de tudo, uma carne de porco estufada. Uma iguaria do melhor e verdadeiro inimigo da dieta. Cervejas. Muitas, variadas e quase todas elas de categoria. Outra comida a recordar: salsicha envolta num molho, picante pois claro, de cerveja preta. O que trago da Rep. Checa: uns quilos a mais certamente. E um renovado prazer em comer.

2 de setembro de 2012

Impressões de Praga ( II )


Uma banda a cantar clássicos de outrora em versão jazz, um velhote com um carrinho de música que ia deliciando as pessoas que passavam com alguns instrumentais mais ou menos reconheciveís, um rapaz no meio das escadas intermináveis a cantar " Volare" numa pronûncia esquisita, um homem e uma mulher a tocar músicas de cabaret com um ritmo étnico vindo do leste, a música, em todos os cantos, em todos os locais, criando sorrisos e alegria, deixando recordações de uma cidade onde a atmosfera musical vibra de forma intensa nas ruas e da qual não nos livramos tão cedo. A cidade da magia da música dizem uns postais. Não poderia deixar de concordar.
 



 

1 de setembro de 2012

Impressões de Praga ( I )




A beleza de Praga está na sua História sempre presente em todas as esquinas, e com feridas abertas demasiadas dolorosas para serem esquecidas, está nas suas pontes bem desenhadas e perfeitas, está no mundo fascinante dos músicos nas ruas cantando clássicos de outro tempo cujo tempo não desbotou o seu encanto, está no mundo sagrado da religião que construiu monumentos maravilhosos por onde perdemos na sua grandiosidade, está no mundo infantil das marionetas de madeira que nos apetece entrar como uma criança entra numa loja de doces .
 
Se fosse uma música, Praga era um clássico de jazz de uma banda oldie como aparecem nos filmes de Woody Allen: elegante, sedutora, encantadora e tão vibrante como um swing dançante. Um ritmo cujos pés não descansam e cujo corpo inquieta, não mais esquecendo a sua melodia.
 
Uma cidade que aconselho a visitar, com tempo, com vontade de caminhar perdendo-se nas suas ruas e com curiosidade para tentar perceber o seu passado porque só assim podemos compreender o seu presente.
 

25 de agosto de 2012

Praha už jdu

 
que é como quem diz "Praga aqui vamos nós ". Até 5ª feira

24 de agosto de 2012

24/8/2012 : 1 ano

"Ser amado é consumir-se na chama. Amar, é luzir com uma luz inesgotável. Ser amado é passar; amar é durar." Rylke

Um ano depois e o meu mundo continua a parar quando estou contigo. Um ano depois e as palavras continuam a faltar-me...Que a vida nos continue a abençoar até ao fim das nossas vidas. Parabéns a nós.

21 de agosto de 2012

" Be Here Now" : 15 anos

Era o álbum pós " (What´s the Story) Morning Glory" e as expectativas, e ansiedade, eram imensas. Fui comprá-lo,depois de chatear tanto os meus pais, à meia-noite, não me recordo a loja que abriu especialmente para a venda, comprei em formato de K7  porque não tinha leitor de CD´s !!! Com essa compra tive direito a uma t´shirt :)  Passados 3 anos fui vê-los na primeira vez que vieram a Portugal na extinta Praça Sony e hoje ainda guardo o bilhete com o autógrafo do Liam Gallagher e um poster com os autógrafos de toda a banda incluindo do Noel.  Sim, foram a minha banda de adolescência e são um dos meus "guilty pleasure" da música :)) Hoje "esbarrei" com a noticia que este álbum saiu à 15 anos. E lembro-me deste dia como se fosse hoje. Foi com um reavivar de memória, coincidentemente  na altura em que estou a ouvir atentamente o novo álbum do Noel Gallagher. Aqui fica uma das minhas canções favoritas que tem a participação especial na "slide-guitarra" de Johnny Deep  :





PS: A aparelhagem com o dito leitor de cd´s veio pouco mais tarde e o primeiro cd que comprei foi um cd single da canção, incluída neste mesmo álbum, " All Around the World", cujos lados B são uma canção de nome " Flashbax", e as versões de "Fame" ( original de David Bowie) e "Street Fighting Man" ( original dos The Rolling Stones )

20 de agosto de 2012





Parece que voltaram a estar na moda. Por mim, nunca deixaram de estar. Foi com esta que se despediram do seu último concerto em Hyde Park. Que o regresso deles se confirme e venha um concerto deles aqui que a gerência agradece. 

15 de agosto de 2012

"Deixem falar as pedras"

David Machado é um dos nomes mais promissores da "nova literatura portuguesa", depois de ter enveredado pela literatura infanto-juvenil, e após ter vencido alguns prémios, acabou por escrever livros para gente mais crescida.

"Deixem falar sobre as pedras" fala da vida de Nicolau Manuel, um homem velho de memórias confusas que apenas se limita a ver telenovelas ininterruptamente, cujo casamento com Graça Castelo, a sua grande paixão, não chegou a acontecer por ter sido levado, inocentemente, pela Guarda para um interrogatório, levando a começar um rol de peripécias que o iria a afastar definitivamente do seu grande amor.

Nesta obra o escritor obriga o leitor a entrar pelos labirintos confusos e (ir)reais das memórias de Nicolau, pela voz do seu neto, o rebelde e obeso, Valdemar cuja paixão pela doente e anoréctica Alice também o romance dá a conhecer,  cabendo-nos, como leitores, tentar perceber/saber onde reside a verdade.

Aqui entra-se nos meandros da acção, sempre cruel, da PIDE, de como as pessoas viviam no limite bastando uma simples denuncia para que a vida se transformasse num pesadelo,de como se (des)constrói um passado e um futuro, de uma terna cumplicidade familiar.

Um bom livro de um escritor que irá merecer outro tipo de atenção da minha parte. 

13 de agosto de 2012

De como os JO foram uma lição

Entre a cerimónia de abertura e do encerramento dos JO a Inglaterra relembrou, de forma prazerosa, ao Mundo a força dos seus ícones da cultura pop. Houve erros de casting, normais em festas destas, desde a presença da Jessie J em detrimento de uma Katie Perry, Florence Welsh ou até Lilly Allen, qualquer uma delas teria feito mais sentido, não se ter aproveitado aquela "reencarnação" do Freddie Mercury para que ele actuasse em vez de ter sido a Jessie J cantar, os Muse ( que mau...), as Spice Girls, os Take That, a ausência dos Blur ( embora tivessem sido aclamados na abertura), o desprezo pelos The Smiths, New Order, Joy Division, Coldplay, Suede ou The Cure, etc. Mas serviu para comprovar toda a mais valia da sua música em todos os estilos, como se nós tivéssemos esquecido  que crescemos a ouvir/ver/ler/sentir/devorar tudo aquilo que vinha exportado das Terras de Sua Majestade.

E serviu, sobretudo, demonstrar o quanto a cultura é extremamente importante para a afirmação de um país. Uma bela lição para Portugal ao mesmo tempo que saíram noticias que fundações de relevância cultural, como é o caso da Fundação Paula Rêgo, iria fechar. 

8 de agosto de 2012

Parabéns campeões

Que, pelo menos, deixem em paz os atletas olímpicos. 

Ignorância olímpica

Todos os 4 anos tudo se repete. Depois da ressaca do patriotismo bacoco à volta da selecção de futebol, e cujos resultados acabam sempre em enormes e orgulhosas vitórias morais, eis que os portugueses se vingam das frustrações do seu dia-a-dia nos atletas olímpicos. Exigem-se medalhas. Exigem-se que eles se superem. Que orgulhem uma nação.  Exigem-se tudo e mais alguma coisa.

Não se lembram que para isso acontecer é necessário anos de trabalho intenso e de apoios, sejam financeiros ou profissionais, e mesmo assim podem acontecer vários imponderáveis que não se podem planear ( uma lesão, uma falta de concentração, uma eliminatória com adversários mais fortes, etc).

Esquecem-se que esses mesmos atletas estão mergulhados num amadorismo que não os possibilita de serem atletas de elite e que durante os 4 anos que medeiam cada presença olímpica existe um desprezo de todos que criticam, mesmo que consigam conquistas importantes ( é só relembrar os últimos êxitos à pouco mais de um mês da Patricia Mamona e da Dulce Félix nos Europeus).

Portugal não tem uma cultura desportiva, e tudo começa nas aulas de educação física nas escolas, o que existe nem é uma cultura futebolistica porque não se gosta de futebol em Portugal, o que existe é uma cultura clubistica capaz de gerar ódios e preconceitos vários que extravasam o desporto e passam para o seu lado menos nobre. Infelizmente, não são precisos 4 anos para provar que a ignorância dos portugueses é bem capaz de conquistar medalhas de ouro. 



7 de agosto de 2012

" Hotel Problemski "

Hotel Problemski funciona como uma chamada de atenção importante de uma realidade para o qual poucas vezes damos a devida atenção : ao que se passa nos Centros de Acolhimento de Refugiados.

É  um livro curto mas cruel, duro, verdadeiro e que se lê com uma sensação de aperto por estarmos a testemunhar um mundo real, cru e que está tão perto de nós. A ler. 

6 de agosto de 2012

" O teu rosto será o último"


" O teu rosto será o último" é o livro português que, ultimamente, quase toda a gente fala por duas razões: uma delas, a mais importante, foi a conquista do Prémio Leya 2011. A outra foi porque o autor deste obra, João Ricardo Pedro, é um dos muitos desempregados que lutam para (sobre)viver em condições em Portugal. Neste caso em particular, o autor desempregou-se para escrever este livro, apostando tudo na escrita de uma obra que está a ter um, merecido, sucesso .

Mas, vamos ao que interessa: a história versa sobre uma família que vive no pós-25 de Abril e foca-se na vida do filho Duarte e no seu crescimento num país novo mas com demasiadas fracturas na sociedade para que tudo seja perfeito. No entanto, na sua vida familiar um Mundo novo também se apresenta perdendo a inocência de uma forma trágica.

A escrita belíssima e cuidada consegue-nos transportar para dentro da história levando-nos a desejar que não termine tão cedo a sua leitura. Confesso que já tinha saudades de um livro assim, tão doce e tão cruel ao mesmo tempo, tão melancólico mas com uma luminosidade particular, reflectindo uma visão portuguesa que ainda hoje se mantêm, tudo isso com uma forma de contar histórias e a História de uma maneira tão simples e tão terna.  Uma das obras mais fascinantes que li este ano. 


2 de agosto de 2012

Suster a respiração

"I Breathe Better Underwater " - Tom Waits

30 de julho de 2012

Tirar o pó. Assentar poeira

Agora que a euforia "ouvir-bandas-que-vão-ao-Alive vs Bon Iver" acabou eis que me viro para outros álbuns. E regresso a um que deixei nos arrumos para ir buscar quando terminasse: " Boys and Girls" dos Alabama Shakes .





e nunca uma letra me retratou tão bem...

27 de julho de 2012

Hoje é o primeiro dia...



A principio é simples, anda-se sózinho
Passa-se nas ruas bem devagarinho
Está-se bem no silêncio e no borborinho
Bebe-se as certezas num copo de vinho
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo
Dá-se a volta ao medo, dá-se a volta ao mundo
Diz-se do passado, que está moribundo
Bebe-se o alento num copo sem fundo
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
E é então que amigos nos oferecem leito
Entra-se cansado e sai-se refeito
Luta-se por tudo o que se leva a peito
Bebe-se, come-se e alguém nos diz: bom proveito
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Depois vêm cansaços e o corpo fraqueja
Olha-se para dentro e já pouco sobeja
Pede-se o descanso, por curto que seja
Apagam-se dúvidas num mar de cerveja
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Enfim duma escolha faz-se um desafio
Enfrenta-se a vida de fio a pavio
Navega-se sem mar, sem vela ou navio
Bebe-se a coragem até dum copo vazio
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
E entretanto o tempo fez cinza da brasa
E outra maré cheia virá da maré vaza
Nasce um novo dia e no braço outra asa
Brinda-se aos amores com o vinho da casa
E vem-nos à memória uma frase batida  ( Sérgio Godinho)




...do resto da minha (nossas) vida(s)

26 de julho de 2012

Bon Iver no Coliseu do Porto





Os Bon Iver, liderado por Justin Vernon, antigo trovador de desalentos tão seus que mais pareciam serem tão nossos, e agora criador de canções com refrões e melodias épicas, deram um concerto fantástico num Coliseu do Porto lotado que transbordou de emoção e de calor, seja de calor humano, com o público completamente rendido desde os primeiros acordes, seja o calor sufocante que se sentia na própria sala recentemente remodelada.

Difícil de descrever um concerto destes sem entrar em lugares comuns: fantástico, belo, emocionante, etc. Tudo palavras que encontramos quando queremos descrever os momentos mais marcantes das nossas vidas.

Se tudo resulta no disco, ao vivo então tudo é muito mais épico, mais intenso, mais poderoso. Ao vivo a delicadeza das melodias que encontramos em disco ganham um dimensão que nos abala e uma energia vibrante que nos extasia.

Acabamos todos a perguntar em uníssono  " what might have been lost ?". Para quem lá esteve, encontrará sempre a resposta nas recordações que guardamos nos recantos do nosso coração. Para quem não esteve, apenas se contentará em tentar imaginar a felicidade alheia que se sentia nas portas do Coliseu quando tudo terminou. E podem crer, essa felicidade  que existia por lá não é assim tão fácil de imaginar.

22 de julho de 2012

Telegrama

Estive uma semana de férias.STOP
Estiveram dias maravilhosos para ir para a praia. STOP
Não pus os pés na praia.STOP
Começaram as mudanças :) STOP
Não trocava a semana que tive por uma semana de praia. STOP
Ando cansado.STOP
Necessito de descanso.STOP
Uma semana de férias a sério sabia bem agora.STOP
Mas amanhã é dia de trabalho.STOP
Isto não é uma queixa.STOP
Estou feliz.STOP
:) STOP

19 de julho de 2012

Optimus Alive

Era publicitado como o "melhor cartaz de sempre", mas de todas as vezes que fui, e com esta já foi a minha 3ª vez, o Optimus Alive 2012 foi o cartaz menos apelativo daqueles que assisti e aquele em que o meu entusiasmo se concentrava em apenas 2/3 bandas e a curiosidade em outras tantas.
No mesmo recinto onde vivi emoções que nunca mais me irei esquecer, em que vi grupos que me disseram/dizem tanto como os Rage Against the Machine, Bob Dylan, Neil Young, The National, Florence and the Machine, Vampire Weekend, Manic Street Prechears, Pearl Jam, entre muitos outros, apesar de ter assistido a alguns bons momentos musicais, este festival vai ficar marcado com a recordação de, principalmente, 3 grandes concertos: The Cure, Radiohead e, o melhor de todos, Mumford & Sons. Depois ainda vi e gostei The Warpaint e The Macabees, e achei pouca graça à troca da Florence pelos Morcheeba.

Os The Cure foram como se esperavam, profissionais qb, bons executantes, o Robert Smith está velho e gordo, mas ainda canta que se farta e com categoria. Os Mumford & Sons mostraram que são das bandas mais interessantes do momento, tinham, surpreendentemente uma legião de fãs que os acolheram com um enorme entusiasmo, ao que eles responderam com um grandíssimo concerto. Quanto aos Radiohead que tanto povo levaram ao Alive, demonstraram que, apesar de não terem feito mais álbuns como o"OK Computer", são das bandas mais fortes e mais vibrantes ao vivo. Passe a semi-desilusão de ter faltado mais canções do álbum que é uma verdadeira obra-prima, eles corresponderem as expectativas de toda a gente que saiu a sorrir e viveu alguns momentos mágicos.

Para o ano há mais, esperemos com um cartaz bem mais equilibrado do que este ano e sem desilusões como a ausência da Florence. See you, Alive.