Mostrar mensagens com a etiqueta O Mundo da Biblioteca de Babel. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta O Mundo da Biblioteca de Babel. Mostrar todas as mensagens

19 de janeiro de 2017

" A morte de um apicultor"

Que livro belíssimo. Tão breve como intenso. Tão incomodativo como um ferrão de uma abelha, como doce como o mel. " A morte de um apicultor" de Lars Gustafsson foi o primeiro livro que li deste autor sueco, falecido o ano passado, e deixa curiosidade para que consiga embrenhar ainda mais na sua obra literária. 

É o espectro da morte, da sua recusa primeiro e depois da sua aceitação, que habita em todo o livro, e na forma como um homem com doença terminal lida com o seu fim. Ou talvez seja da força de viver, sem cair em dramatismos ou lamechices de livros de auto-ajuda.

Para compreendermos melhor a trama, vamos lendo os diários que a personagem principal mantinha durante a sua fase terminal. Após a recepção e recusa de abrir uma carta, na qual poderá constar o veredicto da sua doença, ele escolhe viver perante a inevitabilidade do seu fim.

“Se esta carta contém a minha morte, recuso-a. Não devemos querer nada com a morte. Tive a sorte de aprender isto muito cedo, e é algo que me tem sido útil ao longo da vida.
Após essa recusa acompanhamos o seu caminho para o seu fim, ao mesmo tempo que vamos sabendo de algumas das suas recordações mais determinantes na sua vida, sempre escrito de uma forma simples mas desarmante. 
Um livro pequeno no tamanho, que se lê de forma breve e aconselhável a todos.

“Aquilo que aprendi: não existe uma verdadeira saída para a vida. A única coisa que podemos fazer é adiar a decisão para o dia seguinte, com um pouco de habilidade e astúcia. Mas não há saída. Trata-se de um sistema fechado, e, no fim, só resta a morte. O que não é, de todo, uma saída.”

PS: O livro que li foi da edição ASA, não o da imagem.

18 de janeiro de 2017

Da linha entre a dor e o desejo

“É incomodativa a parecença entre a dor e o desejo. Ambos monopolizam toda a atenção, nada mais existe, como uma mulher amada. São capazes de apagar tudo, as notícias, o tempo lá fora, as mudanças na natureza, até a angústia. É um reino onde impera uma verdade definitiva.” in " A morte de um apicultor " de Lars Gustafsson

1 de outubro de 2014

"Agora e na hora da nossa morte" de Susana Moreira Marques



“Há coisas sobre as quais não se pode escrever como sempre se escreveu. Algo muda. Primeiro os olhos, depois o coração — ou os nervos ou aquilo a que os antigos chamavam alma — e finalmente, as mãos.”

 Um livro maravilhoso sobre o fim. Ou sobre o recomeço, conforme as nossas crenças se acreditarmos que a Morte é o fim ou um outro começo. Um livro duro, intenso, mas contido nas emoções. Um livro respeitador sobre o sofrimento dos outros. A autora leva-nos a caminhos do Interior de Portugal, a locais onde em Agosto há alegria e gente, mas de resto do ano há solidão e frio agreste. Parece que cada palavra foi escrita para não ferir, para não sentirmos pena das pessoas, mas sim para nos mostrar uma realidade que encontramos mais perto do que pensávamos. Um livro que não é um diário, nem um livro de reportagens, nem um livro de viagem, nem um romance, mas é tudo isso ao mesmo tempo. Que livro !!! A ler.

20 de agosto de 2014

300 páginas depois


e posso confirmar que Ken Follett é daqueles escritores que se dizem ser " page-turner". 

4 de fevereiro de 2014



Leitura tripartida.
Inspirar, respirar,absorver.
Instalar a dúvida.
Escutar a beleza.
Perceber a crença.

18 de janeiro de 2014

30 anos sem José Carlos Ary dos Santos

Estrela da Tarde 

Era a tarde mais longa de todas as tardes 
que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, 
tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, 
tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste 
na tarde tal rosa tardia

Quando nós nos olhámos tardámos 
no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos 
ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste 
o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, 
para haver outro dia

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza

Foi a noite mais bela de todas as noites 
que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas 
e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos 
cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite 
uma festa de fogo fizeram

Foram noites e noites que numa só noite 
nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites 
que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite 
amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, 
vivendo morreram

Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, 
se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo 
e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste 
dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste 
despida de mágoa e de espanto

Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem 
se quer tanto!

5 de dezembro de 2013

Obrigatório ler

e se possível com toda a urgência possível. Sem medos. Para perceber que o "medo" que nos dizem que devemos ter, não é mais que o "medo" que querem nos impor.

12 de novembro de 2013

A falta que Saramago faz

"A diferença (entre a ditadura e o capitalismo) é que não é a ditadura como nós conhecemos. É o que eu chamo de «capitalismo autoritário». A ditadura tinha cara, e nós dizíamos é aquela, ou aqueles militares, o Hitler, o Franco, o Pinochet, mas agora não tem cara. E como não tem cara não sabemos contra quem lutar. Não há contra quem lutar. O mercado não tem cara, só tem nome. Está em toda a parte e não podemos identificá-lo, dizer «és tu». Mesmo as pessoas que lutaram contra a ditadura, entrando na democracia acham que não têm mais que lutar. E os problemas estão todos aí. O mercado pode tornar-se uma ditadura. 

José Saramago, in 'O Globo (1999)'

19 de outubro de 2013

Vinicius...100 anos do " poetinha "


A maior solidão é a do ser que não ama

 A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana.

A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro. 

 O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. 
Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno.

 Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o património de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre.


O Mundo precisava de mais Vinicius porque estamos com falta de beleza e de poesia.

15 de outubro de 2013

" A infância de Jesus" de J.M.Coetzee

Imaginemos que existe uma cidade longínqua cuja condição para lá viver seria construir uma nova vida, nome e idade incluídos, vivendo " limpos de recordações", como se pudéssemos nascer de novo. Era também uma cidade onde ninguém protestaria, tudo funcionando sem que as pessoas questionassem, à boa maneira das sociedades totalitárias, por isso a vida correria sem nenhum sobressalto.

" A Infância de Jesus", o novo livro de um dos meus escritores favoritos, J.M. Coetzee, leva-nos a conhecer essa cidade através de um homem e uma criança que desaguam depois de uma viagem de barco  rumo a uma nova vida num outro local.

É com novos nomes, idades e residência que vimos a busca incessante da mãe da criança, o que conseguiriam vir a ter sucesso, tendo ela se apercebido que o rapaz é uma criança excepcional e com uma inteligência acima da média, sendo decisivo para o rumo final da obra.

É um livro com uma estória bastante diferente daquelas que encontramos nas obras do escritor sul-africano, Coetzee convida o leitor para uma alegoria de algo, tanto podendo ser sobre como se vive nas sociedades totalitárias, como uma nova visão de um novo Messias, sendo o título a maior ironia, já que não se fala nem de Jesus nem é nenhuma nova interpretação de qualquer livro religioso.

Reconhece-se a escrita seca e directa e a enorme qualidade narrativa do autor sendo um livro a ter muito em conta, como quase todas as obras deste grande escritor sul-africano.

8 de outubro de 2013

7 de outubro de 2013

Literatura arrumada ( I )

Pode parecer incrível, mas na verdade só agora, após um ano e dois meses de ter mudado de casa, é que transportei todos os livros/cd´s/dvd´s que tinha na casa dos meus pais para, a agora nossa, casa.
A arrumação nas devidas estantes vai depender da vontade e do tempo disponível, mas o inicio já está feito, já retirei todas as pastas de arquivo morto que ocupavam para calcular quantas prateleiras estão disponíveis. Ou melhor, dei um "chega para lá" nas coisas dela para colocar os meus livros :-)
A próxima fase será a mais importante: avaliar o que tenho para decidir o que quero ficar, o que quero "despachar", e depois começar a separar com vista a arrumar de forma como tenho em pensamento.
E é aí que geralmente surgem muitas dúvidas mas eu não tenho quaisquer dúvidas de como ficará dividida a estante.Primeiro os livros de arte: Banda desenhada ( não tenho muita mas ainda tenho 3 colecções completas que ocupam espaço), Fotografia ( infelizmente, tenho muito poucos), Música e Cinema . Depois um cantinho especial para os livros infantis e  para os livros dedicados ao meu clube. Posteriormente, vem todos os outros livros que dividirei de forma simples: autores portugueses e estrangeiros. Nada mais simples. Quanto aos cd´s aí existirá um certo cuidado em colocar na ordem por bandas. Relativamente aos dvd´s vão ser organizados por realizador. Venha o próximo fim de semana para que surja mais tempo dedicado à arrumação dos livros. E, podem ter a certeza, mais terapêutico não há . 

26 de setembro de 2013

Às escondidas

Os primeiros chuviscos
 restituem-nos o incrível cheiro da terra 
 mas nós estaremos 
quem sabe longe 
do que tem significado 

 Preenchemos a inscrição 
numa piscina municipal
 não sabemos bem o motivo 
ou não dizemos a ninguém 
 como os dias nos pedem a dureza
 ofegante,instintiva
 que têm para os nadadores as braçadas 

 Uma sombra nos acalma
 Uma claridade nos dói 
 Cedo receamos a felicidade daquelas imagens 
 que reencontramos dentro de nós
 e não se ligam a nada  - José Tolentino Mendonça

17 de setembro de 2013

" 2666"

"2666" de Roberto Bolaño é um livro imenso. Imenso no tamanho, mas também na sua densidade e na sua complexidade, mas imenso na qualidade desmesurada da escrita do seu autor. Bolaño deixou-nos uma obra imensa, um mundo onde as personagens se interligam criando pontos de contacto de livro para livro e do qual o leitor não pretende sair tão cedo.
Esta obra, subdividida em 5 partes tem, como em quase todos os livros daquele tamanho, momentos mais brilhantes ( destaque para a 5ª parte que, por si só, vale um livro ) e outros menos brilhantes, mas é daquelas obras das quais nós, como leitores atentos, ficamos tão embrenhados na "teia" que o autor nos envolve que nem damos pelo tempo a que o dedicamos. 
É um livro que nos marca pela sua densidade mas também pela sua qualidade demonstrada na sua escrita. Brilhante. Para ler. Com tempo e de alma aberta porque só assim é que ele o vai conquistar.

7 de agosto de 2013

D. Quixote: em ebook não dá j€ito

Ando a ler o " D. Quixote". Já há algum tempo que queria ler este livro, e à cerca de 6/7 meses atrás li de uma assentada as primeiras 150 páginas. Entretanto pousei-o e li vários outros livros. No entanto, agora apeteceu-me novamente pegar na aventura do cavaleiro, e seu fiel escudeiro, que apenas por ter lido muitos romances de cavalaria pensa ser capaz de viver  todas e quaisquer aventuras que apareçam pela frente. Ou melhor, ando a ler o " D. Quixote" e o " 2666" do Bolaño, dois calhamaços que, provavelmente, irei lê-los durante muito tempo, intervalados com outros.

Mas, o que queria reflectir neste post é apenas uma coisa: para evitar andar com o livro pesado de um lado para o outro, procurei na net o livro de Cervantes, que já está caído no domínio público, para o colocar no meu ebook. E procurei de forma legal, fui ao site da Wook e da Fnac e verifico que o ebook do livro está com preços acima dos 17 €. Pior ainda, só existe uma tradução e mesmo nos sites onde disponibilizam obras de borla de autores em domínio público, como Fernando Pessoa, Eça de Queiroz, etc, esta obra não se encontra disponível. Deverá ser o único livro em domínio público que para se ler num ebook é necessário recorrer à pirataria, que foi o que eu tive que fazer. E mesmo assim, teve que ser em brasileiro. 


Num tempo onde se "convida" as pessoas a aderir mais à leitura dos livros digitais, este é um dos maiores exemplos que não é com esta "politica" que se chama mais leitores.

3 de julho de 2013

" Os detectives selvagens" Roberto Bolaño

Intenso,duro,cruel, denso, brilhante. De Roberto Bolaño só tinha lido, e apreciado, duas obras, com " Os Detectives Selvagens" fui conquistado, de vez, pelo seu valor literário.

A obra versa sobre dois poetas fundadores do "real viscelarismo", Arturo Belano e Ulisses Lima, e dividido em 3 partes: dois diários e um conjunto de "entrevistas/estórias" de dezenas de personagens cujas vidas se entrecruzaram com as das duas personagens principais. 

Um livro que necessita tempo, paciência e alguma luta por parte do leitor, chegando ao final em knock-out perante toda o genialidade que está nas suas, mais de, 600 páginas. 

5 de maio de 2013

" O Corpo Humano " de Paolo Giordano

Após o maravilhoso primeiro livro, " A solidão dos números primos", Paolo Giordano após um grande sucesso internacional e com uma enorme recepção positiva pela critica e pelos leitores, ao ponto de ter dado origem a um filme, lançou a tão difícil segunda obra, ficando o leitor com expectativas muito altas para aquilo que irá encontrar na sua leitura.

" O Corpo Humano" vem no seguimento de uma visita/reportagem que o escritor fez ao pelotão italiano presente no Afeganistão, e que transpôs para o seu livro, sem que seja reportagem mas sim numa espécie de diálogo das personagens com elas próprias.

Dividido em 3 partes, a primeira parte funciona como uma introdução do lugar e das personagens, na segunda parte é retratado vários acontecimentos mas um em especial que irá marcar a história sendo o ponto central de todo o livro, cabendo à terceira parte um epílogo de como esse acontecimento mudou a vida de todos aqueles jovens.

Embora não sendo um livro que mexa tanto com as emoções do leitor como na primeira obra, " O Corpo Humano" é uma obra bem escrita, com frases bem construídas e que convida ao leitor "entrar"  para o meio do pelotão, tendo como grande mensagem a prova de que aquilo que mais atormenta um homem não é ser, apenas e só, um peão numa guerra sem razão, mas também, e principalmente, a sua  "guerra" interior que reside dentro de cada um, com as suas dúvidas, sendo muito mais difícil de vencer do que todas as outras.

23 de abril de 2013

Do Dia Mundial do Livro

Os Meus Livros

"Os meus livros (que não sabem que existo) 
 São uma parte de mim,
 como este rosto 
 De têmporas e olhos já cinzentos
 Que em vão
 vou procurando nos espelhos 
 E que percorro com a minha mão côncava.
 Não sem alguma lógica amargura
 Entendo que as palavras essenciais, 
 As que me exprimem, 
estarão nessas folhas 
 Que não sabem quem sou,
 não nas que escrevo. 
 Mais vale assim. 
As vozes desses mortos
 Dir-me-ão para sempre."   Jorge Luis Borges, in "A Rosa Profunda"

11 de abril de 2013

Das coisas boas que estão para vir ( II )


Sai amanhã e com a particularidade de ter uma sinopse mais interessante do que o do Ricardo Menéndez Salmón. Em contraponto o outro tem uma capa bem melhor.