5 de outubro de 2010

U2 em Coimbra em 3 canções ( II )


 MAGNIFICENT

Na vida há coisas que passam e há outras que ficam. As que passam são as rotinas que nos permite esquecê-las logo que as terminamos, ou aquelas coisas tristes que queremos enterrar no fundo da nossa memória, as que ficam são aquelas coisas das quais nos lembramos sempre que nos apetecer com um sorriso largo nos lábios.
Um concerto dos U2 enquadra-se na segunda categoria, por mais que o tempo passe nunca esqueceremos a enorme emoção extravasada numa noite que teve tudo para ser inesquecível.

Quem esteve presente num concerto dos U2, mesmo que não seja um verdadeiro fã , não mais poderá esquecer o que assistiu: a megalomania genial de 4 homens que fazem tudo para ultrapassar os limites, para serem os maiores, e os mais espectaculares naquilo que fazem proporcionando espectáculos inesquecíveis e inigualáveis.

Foi ao som de “ Space Odditty” de outro génio, David Bowie, que Bono Vox, The Edge, Larry MullenJr e Adam Clayton percorreram o caminho do balneário para o palco, no meio de um público que delirava com a sua entrada. 
Com a assistência já conquistada e em completo delírio, os irlandeses arrancaram com instrumental " Return of the Singray Guitar para depois arrancar para um inicio poderoso, com " Beautiful Day "/ I Will Follow"/ " Get on Your Boots"/"Magnificent" e uma das canções mais espectaculares, quer visual, quer musicalmente, a sempre maravilhosa e intensa " Misterious Ways".

Mas, um concerto dos  U2 não vive de caminhos misteriosos, os seus espectáculos estão registados aí, quer em DVD (provavelmente, o melhor local para termos uma noção exacta do que se passa dentro do estádio), quer em registos amadores que proliferam no Youtube e afins, para se sentir o que é estar dentro daquele que já chamaram, e justamente, o melhor espectáculo do Mundo.
Ali temos um palco gigantesco, um ecrã com imagens que nos entram pelos olhos adentro, uma atitude da banda ao mesmo tempo profissional e tão cool, nunca parando, e temos o essencial: as canções, intemporais, brilhantes e poderosas como sempre. 



Com Bono muito comunicativo e a demonstrar excelente forma física, assim como um conhecimento enorme da cidade que os acolheram, principalmente da "grande e respeitosa universidade" brincando com os outros elementos porque "nunca frequentaram a universidade", provou que é um excelente entertainner, um  velho sedutor (convidou uma rapariga a dançar com ele em " In a Little While" cantando olhos nos olhos) e um cantor com uma versatilidade imensa que não deixa cair o concerto em monotonia, mesmo quando as canções perdem o gás do inicio. E nunca perdende a sua vertente politica, principalmente em canções mais politizadas como " Sunday Bloody Sunday", "Walk On " ou a sempre brilhante "One".

Bono e seus comparsas têm a lição bem estudada, e não há espaços para erros, nem para fugas, tudo ali parece cronometradamente perfeito, contando com a "ajuda" de um público que por eles dão tudo o que têm, que extravasam a sua emoção, que não param de gritar, de cantar, de saltar, proporcionando uma comunhão tão, ou mais grandiosa, do que aquele palco, de enormes dimensões, que parece nos esmaga.  

Não há mais palavras para descrever um espectáculo destes, apenas dizer que, a partir de sábado, fiquei ainda mais fã dos U2, que não descansarei enquanto não tiver todos os CD´s e DVD´s.

Como nota menos do espectáculo, apenas e só a ausência de duas canções que fazem parte da minha preferência: " Angel of Harlem " e " New Year´s Day", mas é apenas um “senão” num espectáculo tão perfeito e tão inesquecível.




PS. Brilhante introdução nesta canção, com Bono a gritar “ Lisboa", e quando as pessoas pensavam que eles se enganaram, eis que ele grita “ Braga”, depois “ Porto” e depois “ Coimbra” para depois arrancar para uma interpretação grandiosa.  

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