5 de outubro de 2010

U2 em Coimbra em 3 canções ( I )

 I WILL FOLLOW

O meu concerto dos U2 não começou no sábado, nem sequer na 5ª feira quando tive a certeza que os iria ver, foi à algum tempo atrás, num dia, em plenos anos 90, no tempo onde se diz ser de " descoberta da vida”, mas outras pessoas, mais dadas a sociologia, chamam de “adolescência”, descobri num recanto de casa, uma pasta com alguns discos de vinil da pertença do meu pai. 

Como se fossem um segredo bem guardado, comecei a remexer cuidadosamente para ver que discos lá estavam. Entre alguns, não muitos, estavam “Bad” de Michael Jackson (confesso que não fui seguidor deste artista), “ Unplugged in MTV” de Bruce Springsteen ( o meu próximo grande desejo para ver ao vivo), um de Diana Ross, o “The Final Countdown” dos Europe e outros dos quais não tenho maior recordação. 

Mas, no meio deles, 3 imagens chamaram-me à atenção: uma capa com um míudo com cara de zangado, olhos de revolta e de aspecto sujo de mãos atrás das costas como se estivesse a preparar-se para ser preso, um disco com uma foto de 4 homens em pose num deserto e uma capa vermelha com uma fotografia espectacular de um castelo em grande destaque. Em todos eles, uma coisa em comum, uma letra e um número: U2

Com a curiosidade própria da adolescência, abri a capa, tirei o vinil do saco,abri a tampa do gira-discos, limpei o vinil atabalhoadamente à camisola, pousei-o no prato, tirei a agulha e coloquei, com cuidado, naquele filamento do vinil onde a canção começava, quando de repente, qual magia, começo a ouvir o som de uma bateria a bater compassadamente forte, depois seguidamente ouço um "yeah" e o vocalista começa a cantar

I can't believe the news today
I can't close my eyes and make it go away
How long, how long must we sing this song?
How long, how long?
'Cos tonight
We can be as one, tonight ( Sunday Bloody Sunday )

mesmo que, na altura, ainda não percebesse bem a letra, a melodia dizia-me qualquer coisa,  ou era  o ritmo, a energia, não sei bem, algo chamava-me a atenção.

A partir daí, procurei saber mais daquela banda e comecei a ouvir mais os seus trabalhos. No tempo onde para ter acesso à música, ou era através da rádio, ou em alternativo comprar as k7´s/discos/CD´S, cresci sempre com  os U2 lado a lado, fascinado pela grandeza  dos seus concertos, principalmente na digressão " Zooropa", a digressão que rasgou quaisquer limites.

Na descoberta de outros caminhos musicais, os U2 ficaram quase como de lado, ouvia os singles, vibrava com algumas canções novas, mas faltava sempre  o click para ser um grande fã. Eram daquelas bandas que apreciámos ter um "best-of" porque nele consta os singles mais interessantes.

Nunca fui indefectível, embora admirasse o trabalho de Bono e seus comparsas, quer musicalmente, quer politicamente, quer as suas digressão grandiosas, por isso foi com naturalidade que, um ano antes, com a possibilidade de ter bilhetes comprados para o concerto em Coimbra dei a minha "vaga", mas o bilhete parecia que me estava mesmo destinado e entre desistências de última hora lá surgiu a oportunidade para os ver,o que, depois de muito hesitar, não recusei.


I was on the outside when you said
You said you needed me
I was looking at myself
I was blind, I could not see

A boy tries hard to be a man
His mother takes him by his hand
If he stops to think he starts to cry
Oh why

If you walkaway, walkaway
I walkaway, walkaway...I will follow


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PS: este vídeo não é meu, encontrei-o no Youtube...eu estava perto, pertinho do palco a saltar.

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