1 de outubro de 2010

Por vezes, tenho a sensação que o tempo foge por entre os meus dedos. Que sou incapaz de o controlar, de me habituar à sua velocidade, que não consigo ter força, ou jeito, ou talvez que me faltará o tal empurrão para o segurar afincadamente com as duas mãos e gozar o que ele me traz ou aquilo que ele me "sugere".

Por vezes, sinto necessidade de mandar parar os segundos que passam a correr no relógio da vida, de recuar, de dar passos para a frente, em vez de dar passos atrás ou para o lado. Na verdade, por vezes penso que na minha vida tenho dado imensos passos para o lado e alguns, felizmente poucos, para trás. 

Quando olho para o passado, vejo que não encontro muitas marcas minhas, que deixei um caminho com poucas pegadas, que deixei algumas, sim, mas numa praia onde a água depois veio as apagar o seu rasto. Tenho a sensação de que se a vida fosse uma espécie de RTP Memória, eu nem tinha direito a uns anúncios comerciais quanto mais a ter um episódio de uma série menor que passa a altas horas de madrugada.

Dito isto, penso que a vida é uma súmula de oportunidades, cabe a nós colocá-las no trilho certo o melhor possível para que no final nos tenhamos sentido mais realizados e felizes. E tentar deixar-nos ir no carrossel do tempo sem medos, enfrentando o que ele nos oferece.

Setembro foi um mês longo. Um mês onde os dias se prolongaram por muitas horas, algumas noites de sono foram perdidas, foi um mês duro com duros golpes, algumas alegrias sim, alegrias que me foram dando esperança e força, mas foi um mês difícil onde encontrei realidades que desconhecia, daquelas que imaginávamos encontrar nos outros, mas que num momento nos cai sem avisar e sem nos prepararmos devidamente para as receber.O futuro trará o melhor julgamento para o que aconteceu e ele nos trará a melhor forma para lidar com tudo aquilo que Setembro me trouxe de novo.

De repente, esta canção ganhou mais sentido para mim. Outubro entra por aí e eu não quero mais perder as oportunidades que a vida me dá, não quero deixar mais pontas soltas, quero “ derrubar os muros que me seguram esta noite. / Eu quero alcançar e tocar na chama”. Quero deixar rasto de mim, quero marcar, quero ser marcado, quero VIVER.

Como disse, esta canção, ontem, ainda era Setembro, ganhou mais sentido. Uma oportunidade caída do céu que parecia estar destinada para mim desde o inicio, mas a qual eu não queria olhar. Uma noticia em forma de sms trouxe-me uma enorme hesitação. Um estado nervoso miudinho. Uma necessidade de fazer contas de cabeça. Um coçar de cabeça incontrolável. Uns olhos que, de certeza, estavam a brilhar. Trouxe-me uma necessidade de encontrar o destino, abrir a porta e não ter medo do que vamos encontrar no outro lado. 
A vida é tão curta e se não aproveitarmos as oportunidades, principalmente aquelas que nos traz felicidade, (sobre)vivemos infelizes. 

Por isso, e agora aqui entra o meu estado eufórico da coisa, amanhã, dia 02 de Outubro, estarei no Estádio Municipal de Coimbra a ver, a vibrar, a cantar, a VIVER o concerto dos U2. E esta canção fará mais sentido ser cantada comigo lá , pronto a passar a mensagem que ela nos quer transmitir a quem quiser...



e tudo terá mais sentido quando dámos oportunidades a nós próprios para sermos felizes.

27 de setembro de 2010

Do amor...como fora de moda



" Estou casado à 70 anos com a mesma mulher. Já está fora de moda."

Como é bonito ver uma pessoa com 102 anos ter esta lucidez, este humor, esta ironia que Manoel de Oliveira demonstra nesta reportagem que é uma pequena maravilha.

24 de setembro de 2010

A verdadeira loba

Definindo-se como uma loba, sempre pronta para defender o seu território, Pilar Del Rio, nesta entrevista, que vale a pena ver com atenção, conseguiu transmitir uma imagem de si, como uma mulher cheia de coragem, determinada, sem receios de dizer o que sente, bastante frontal e determinada.

Se todos nós temos uma missão nesta vida,  a sua verdadeira "missão" foi amar, e proteger, José Saramago tanto na vida como na sua morte, como uma verdadeira loba que defende com unhas e dentes o seu "território". 

Revela que o vazio que a ausência de Saramago a deixou, nunca será preenchido porque "  os vazios nunca se preenchem, jamais, com nada, nem com droga, nem com outras pessoas, nem com subterfúgios, não se preenchem", e com pose altiva sem medo de mostrar qualquer tipo de arrogância e sem esconder as palavras, comentou  que "Cavaco Silva fez bem em ficar fora. Saramago está morto e já nada o afecta. Mas Cavaco Silva nunca conheceu Saramago. Para ele, sim, pode ser uma pena. Que um homem tão íntegro, tão grande, como Saramago, passou por perto e ele não o conseguiu ver. Mas já que não o viu em vida, parece-me digno que não o faça na morte." 

É isso mesmo, mulher de coragem.

Versões improváveis ( 13 )

MGMT na voz de Neil Hannon. 



28 de Novembro no Teatro Aveirense. Maybe maybe i´ll be there...

23 de setembro de 2010

Do Paulo Bento na selecção

Assumidamente...concordo. Não era a favor de o ver a treinar o FCPorto, mas, dentro do contexto que vive esta selecção, penso ser um dos treinadores que pode reabilitar e lançar Portugal para o Euro. O outro era José Mourinho, pois claro. Sim, era a favor da sua presença em duas partidas, até porque depois teríamos 8 meses para, com tranquilidade, arrumar a casa, entrar nova direcção, novas pessoas e escolher um treinador sem pressas. E aí era adepto de um treinador estrangeiro, sem passado clubístico, que poderia voltar a congregar o apoio dos adeptos de todos os clubes em redor da selecção. 

Gostei do discurso na conferência de imprensa do Paulo Bento, frontal, corajoso, sem fugas, agora é esperar a primeira convocatória e ver o que o futuro nos traz.

Agora, é por estes casos todos em volta da selecção, por aquele processo ridículo, baixo, injusto e ignóbil que o Queiroz foi vitima, que continuo a preferir vibrar muito mais com o meu clube do que com a selecção. Que o futuro me faça mudar de opinião e que possa gritar "Portugal" com orgulho, é o que desejo, e peço, ao Paulo Bento.

21 de setembro de 2010


Já tenho saudades do Verão. Venha o Outono, que também é bonito.

18 de setembro de 2010

Em 18 de Setembro de 1970 desaparecia fisicamente o MAIOR deles todos. Espiritualmente nunca desapareceu, ainda continua aí..para sempre.


15 de setembro de 2010

E de repente, sem contar, eis que recebo um convite, totalmente inesperado, para ver isto



e só posso dizer que adorei.

Dos Supertramp apenas conhecia as canções com maior êxito, que foram, como é óbvio, recebidas com maior entusiasmo do que as restantes. Antes do espectáculo estava expectante, não sabia muito bem o que iria encontrar, se um concerto de uma banda em estado de maturação ou um grupo de amigos que se juntaram apenas para ganhar uns trocos, mas encontrei, daqueles que foram, e continuam a ser, dos grupos mais importantes, e históricos, do rock sinfónico, um colectivo de músicos de primeira linha, de enorme categoria, conseguindo realizar um espectáculo irrepreensível, e bastante agradável, com um alinhamento inteligente, para quem quase encheu o Pavilhão.

E a média de idades não estava assim tão alta como pensei, havia público de todas as idades sempre dispostos a se juntar à festa. E, valha a verdade, a acústica do Pavilhão, apesar de tudo, portou-se à maneira, o som esteve bom, mas, certamente, aquele recinto necessita, urgentemente, de uma enorme modernização a fim de o tornar muito mais funcional e moderno. A cidade do Porto já merece ter um Pavilhão Rosa Mota mais moderno e atraente preparado para grandes espectáculos.

Apesar do imenso e insuportável calor que se encontrava lá dentro, em contraponto à maravilhosa noite, com uma lua lindíssima a iluminar o mundo, que se encontrava lá fora, foi muito refrescante e saboroso assistir a um concerto diferente, que passou muito rápido, tornando-se numa autêntica festa de reencontros, onde a maior parte do povo reencontrou a sua juventude e recordou bons momentos ao som daquelas grandes, e fantásticas, canções. Apesar da imensa falta que o Roger Hodgson, a sua voz em falsete é inconfundível dando outra dimensão às canções, quem o substituiu esteve muito bem.

Que importa se alguns solos parecem intermináveis, se as canções nunca têm a duração de menos de 5/6 minutos, se aquilo que ouvimos já foi criado à quase 40 anos atrás, o que importa é sentir a música e partilhar a alegria de ver ao vivo grandes músicos a tocarem grandes canções, e isso, foi sentido nesta terça-feira.

"At night, when all the world's asleep,
the questions run so deep
for such a simple man.
Won't you please, please tell me what we've learned
I know it sounds absurd
but please tell me who I am " - The Logical Song" - Supertramp


14 de setembro de 2010

A flor da solidão



Vivemos convivemos resistimos
cruzámo-nos nas ruas sob as árvores
fizemos porventura algum ruído
traçámos pelo ar tímidos gestos
e no entanto por que palavras dizer
que nosso era um coração solitário silencioso
silencioso profundamente silencioso
e afinal o nosso olhar olhava
como os olhos que olham nas florestas
No centro da cidade tumultuosa
no ângulo visível das múltiplas arestas
a flor da solidão crescia dia a dia mais viçosa
Nós tínhamos um nome para isto
mas o tempo dos homens impiedoso
matou-nos quem morria até aqui
E neste coração ambicioso
sozinho como um homem morre cristo
Que nome dar agora ao vazio
que mana irresistível como um rio?
Ele nasce engrossa e vai desaguar
e entre tantos gestos é um mar
Vivemos convivemos resistimos
sem bem saber que em tudo um pouco nós morremos

Ruy Belo

obra poética de ruy belo, vol.2
presença
1990

12 de setembro de 2010

A 9 pontos...

Quem muito fala e pouco entende, na feira por asno se vende. ( provérbio popular)


10 de setembro de 2010

Ora aqui está uma bela sugestão para me socializar mais no ginásio...

9 de setembro de 2010

Diário de um dia de sonho

4:50 Horas: A imensa indecisão dos dias anteriores que me levou a pensar em desistir. Os problemas gástricos de sábado. E, por fim, o acordar 25 minutos depois da hora marcada. Parecia que os Deuses controladores do destino, estavam a fazer uma conjugação estranha para que eu não fosse. Abri os olhos, olhei para o relógio e lá me vesti e tomei o pequeno-almoço apressadamente. Estava pronto para a viagem.

Nota mental: Acrescentar no despertador do telemóvel o dia de Domingo. Pensando bem, é melhor não...

5:25- 8:00 Horas: Uma viagem tranquila. Como mais tarde se concluiu, num daqueles típicos, e inócuos, diálogos na fila para a entrada no recinto, custa mais fazer uma viagem a Lisboa do que à Galiza. Começando pelos preços das portagens, passando por estradas mais aceitáveis. No entanto, mais uma adversidade pelo caminho: um manto de nevoeiro que me acompanhou por quase toda a Espanha impedia de apreciar a paisagem galega.

Nota mental: um dia voltar aqui. O mais breve possível.


8:00 – 15:00 Horas- A parte mais difícil, depois do carro estacionado num local estrategicamente perfeito para sair, começa o controle da ansiedade, o interminável tempo de espera, o nevoeiro a desvanecer, o calor a apertar, a comida para aconchegar o estômago, o convite para jogar às cartas que se tornou numa conversa sobre música e concertos, tudo valia a pena para que as horas passassem depressa. E a ansiedade a crescer

Nota mental: para a próxima trazer um livro. E mais comida. E talvez se fosse mais tarde não haveria problema nenhum. É que os espanhóis gostam de ir em cima do acontecimento e não têm paciência para esperar longas horas pelos concertos.

15: 00: 17:30 – A entrada para o recinto. O anfiteatro do Monte do Gozo é, digamos assi
m, o cume do monte, o grande palco montado tapa-nos a visão, que se prevê bela, do resto do local, o público, muito longe de estar esgotado, ao contrário do que se previa, foi-se acomodando nos seus lugares à procura da melhor vista para o palco. Aqui, o tempo passou com mais animação, um DJ de serviço tentava aquecer o ambiente, o público passava o tempo da melhor maneira, e o sol brilhava intensamente.

Nota mental: Nunca mais criticar o preço das cervejas nos festivais em Portugal. Uma cerveja era
10 €. Está bem que deveria ser de 500 ml, mas era um preço escandaloso.


17: 30 ás 18 horas - Cornelius 1960: Uma imitação barata de Jamiroquai, um funk-rock-pop que não aquece, nem arrefece. E com imensos problemas no som, ainda foi pior.

Nota mental: Esquecê-los depressa.


18:20 ás 19:00 horas: The Temper Trap: o 2º melhor concerto da noite. Um concerto intenso, de uma banda que está a ganhar algum e
spaço no mundo indie. Apenas conhecia a canção mais famosa, mas surpreenderam-me imenso pela positiva, e o público aderiu bastante. Nota mental: tentar conhecê-los melhor, o mais urgente possível.

19:25 ás 20:25 horas- Echo & The Bunnymen: Foi um concerto, no mínimo, estranho. Se nada posso apontar à parte instrumental da banda, que me pareceu bem competente, o vocalista , qual pinta de junkie com problemas de identidade, queria ser a figura da festa, tornando-se no figurão. Desde o querer que os Arcade Fire o convidassem para cantar com ele, até falar um espanhol mais do que manhoso dizendo baboseiras sem interesse, apenas teve nota positiva na forma de interpretar algumas canções, quer sejam suas, quer sejam versões de outras bandas, como Lou Reed e os The Doors.

Nota mental: tentar ouvir alguma coisa deles, quando estiver virado para saudosismos dos 80´s.


21:00 ás 22: 30 horas – Para melhor vermos um quadro, temos sempre que dar um passo atrás e só aí poderemos o apreciar devidamente. Só passado um tempo, quando a minha memória estiver menos fresca, é que poderei sentir verdadeiramente o que
foi o concerto dos Arcade Fire no Monte do Gozo. Logo no inicio, a trilogia de “ Ready to Start-Month of May-Neighborhood ( Laika)” agarra-nos pelos colarinhos, despertando-nos para um concerto intenso, festivo, mágico, arrebatador, inesquecível. A banda, sempre profissional, e com os elementos quase sempre em movimento a trocarem de instrumentos, quase como se fosse um carrossel onde todos, divertidamente, trocam de lugares.
É ao vivo que os canadianos provam ser uma das, para mim são “a”, bandas mais influentes deste inicio de século, arrasando ao vivo, quaisquer criticas que possa existir em relação à sua música, o que, pelos vistos, virou moda entre o povo do indie, seja lá o que isso fôr.

O povo g
rita, emociona-se e canta bem alto juntamente com eles, os braços erguem-se para o céu como se agradecessem aos Deuses a dádiva daqueles momentos de partilha, de verdadeira comunhão de espíritos. A banda dá tudo nos concertos, e cada espectáculo são emoções únicas para quem presencia. " No Cars Go", "Wake Up", "The Suburbs", "Sprawl II ( nunca pensei que resultasse tão bem num concerto, com a Regine a encantar ), a força de " We Used to Wait", e tudo o resto foi tão emocionante, tão inesquecível para quem esteve lá, que, certamente, as recordações desta noite se irão prolongar no tempo. Foi o concerto mais emocionante que presenciei em toda a mniha vida.

Nota mental: Tentar guardar todas as imagens e sons do que se passou na minha memória.

22:45: 1:45 horas – As emoções repousam num corpo em que não se sentia cansado, apesar do dia longo. Pelo caminho, nada melhor do que comprar uma recordação que procurava intensamente. A adrenalina teimava em não baixar, aquilo que tinha acabado de viver parecia que me estava, novamente, a passar à frente, o sonho terminou, mas as recordações da grande noite serão eternas.

Nota mental: Compensar, nos dias seguintes, o sono perdido.

6 de setembro de 2010



"Sometimes I can't believe it
I'm moving past the feeling
Sometimes I can't believe it
I'm moving past the feeling again" - " The Suburbs" - Arcade Fire

Conto mais, depois de colocar o sono em dia.

4 de setembro de 2010

Xacobeo



A ver se consigo entrar...pelo menos irei tentar.

2 de setembro de 2010

O Natal está próximo, não está ?



Eu quero uma coisa destas. E já vi na Fnac. E parece-me que não irei resistir até ao Natal.
Pergunta que se impõe: será que posso ver isto num DVD normal ou terei de me contentar com a edição especial ?

1 de setembro de 2010

Uma espécie de Haiku ( II )


Com o pó do desejo
inscrevi na parede da rua-
bem-te-quero.

30 de agosto de 2010

Noites Ritual - Dia 2

Sábado, tempo mais agradável, muito mais público, embora sossegadinho como sempre. De facto, algumas bandas não mereciam tanta acalmia e falta de animação. Cheguei mais tarde e apenas vi Tijuana Bibles, no palco secundário, outra banda a seguir com muita atenção, depois do agradável EP na colectânea “Optimus Discos”, mostram que ao vivo conseguem dar concertos apelativos.

Quanto aos outros concertos, tanto Sean Rilley & The Slowriders, como Legendary Tygerman deram excelentes concertos, nos seus estilos. A banda conimbricense deu um concerto muito mais rockeiro e poderoso do que na edição do Optimus Alive, senti-os com um som muito mais maduro e consistente, confirmando a sua enorme mais-valia : a sua musicalidade tradicionalmente americana está de tal forma vincada que até parece que nasceram por terras do Tio Sam.

O Tygerman deu um concerto à sua imagem: irreverente, e muito bem acompanhado. Rita Redshoes, Claudia Efe e Phoebe Killdeer, além de um baterista que veio directamente do público ( !!!), todos juntos deram um grande show. Finalmente, já vi Tygerman, um projecto que acompanho com muito interesse, desde o seu inicio devido ao meu grande fetiche musical, de nome " blues-rock".

Por fim, veio o Slimmy e foi o Menphis embora…duas canções bastaram para confirmar que a sua música não faz o meu género. Para o ano há mais.

29 de agosto de 2010

Noites Ritual - Dia 1

A atribuir um adjectivo às Noites Ritual de 2010 escolheria a palavra “morno”. Em comparação àquilo que se passou nos últimos anos, foram duas noites cheias de altos e baixos que as pessoas do Porto viram, se bem que penso que a maior razão tenha sido num cartaz menos equilibrado do que em comparação aos anos anteriores.

Continuam-se a repetir os mesmos erros, com a conjugação de dois palcos, os concertos são, invariavelmente, muito curtos, o que é pena. E porque não, as Noites Ritual se transformarem em duas noites com 3 ou 4 bandas no Palco Principal e depois, num desses dias, ou até Domingo, abrir espaço às bandas do palco secundário? É que isto de andar para cima e para baixo, com noites onde estiveram quase 20 mil pessoas acaba por ser cansativo e assim perdem-se concertos que até poderiam ser interessantes no palco secundário. Além da, já falada, curta duração dos concertos, assim alargava-se o tempo de actuação das bandas principais e toda a gente ganhava com isso.


Salto- Um registo interessante, uma mistura de Vampire Weekend-Rádio Macau-Sétima Legião, muito anos 80, um baixo-guitarra-sintetizadores, mas bem agradável. Um caso a seguir.

Tornados- Quiseram animar o público com o seu rock´n´roll anos 60, mas este não estava disposto a ser animado. Nunca vi um público tão menos participativo do que este. E o pior vinha a seguir. Quanto aos Tornados, deram um concerto com altos e baixos, às vezes, na parte dos slows, foi a pender para o aborrecido, mas quando aceleravam a sua música foi bom de se ouvir. Bem animados, são os convidados ideais para concertos que se queiram festivos.

Samuel Úria- Concerto curtíssimo, ficando a sensação de saber a muito pouco. Uma aparição tão fugaz, como intensa. É artista para ver num concerto “a sério”. Irónico, divertido e bem acompanhado, confirmou ser um dos nomes mais curiosos ao vivo. Permitem-me uma expressão futebolística: a jogar em casa deve dar excelentes espectáculos. Um concerto que cabia bem no palco principal.

Diabo na Cruz – O melhor da noite. Deram um grande concerto, mais num registo mais rock do que o esperado. Acho que o registo popular que é bem proeminente no álbum, ao vivo perde-se mais, ganhando mais uma galhardia rock,que também , valha a verdade, é apreciável. Pareceu-me, e isto não é uma crítica destrutiva, que os holofotes sobre o B Fachada, que é o maior deles todos, baixaram um bocadinho. No Sudoeste, onde vi o seu concerto via Facebook, ele, com a sua braguesa, brilhou mais, aqui foi mais discreto. E, o maior problema dos concertos de borla, público muito pouco participativo para quem deu um grande espectáculo. Mereciam uma grande recepção e não só na " Dona Ligeirinha".

Anaquim – Concerto excelente, animados, com muito público a quererem vê-los, outro concerto que caberia bem no palco principal. Desde o genérico da “Conversa da Treta”, com dedicatória especial a António Feio, à música da série Tom Sawyer, passando pelas mais conhecidas, a banda deu um concerto bem engraçado.

Oquestrada- O cansaço era muito, as dores no pé, lesionado, não facilitavam, a música não me atraia muito, deu para ver 15 minutos e ir embora.

26 de agosto de 2010

8 canções...das Noites Ritual


Diabo na Cruz -" Bom Tempo"
Diabo na Cruz -" Dona Ligeirinha"
Anaquim - " Lusíadas"
Samuel Úria - "Teimoso"
Sean Riley & The Slowriders - " Talk Tonight"
Tiguana Bibles "- "Child of the Moon"
Oquestrada - " Eu e o meu País"
Legendary TygerMan - "No Way to Leave on a Sunday Night"

E porquê duas canções dos Diabo na Cruz ? Apenas porque são a banda que quero mais ver.

PS: Agora, todas as 6ºs feiras, uma playlist de 8 canções dedicado a um tema/grupo/género musical etc.

23 de agosto de 2010

" O Bom Inverno"

Poderia ser a tradução do pseudónimo de Justin Vernon, mas, neste caso, acaba por ser o livro que mais quero ler na "reentré " literária que se aproxima. Enquanto não chega sábado, o dia em que o mesmo sai para as lojas, e também dia de aniversário do autor, aqui fica uma canção de Bon Iver, o verdadeiro, que tenho quase a certeza ter sido uma inspiração para o romance.

Saudades


O cachecol novo.O casaco com o emblema a estrear.A camisola da sorte.O lanchar à pressa.O ir de metro até ao Estádio.O ambiente fora do Estádio.O ambiente dentro do Estádio.O aplaudir a equipa na entrada para o aquecimento. O ver o aquecimento com atenção.O rever dos vizinhos do lugar.O gozar com os maus resultados dos outros. O descobrir da nova especialidade da gastronomia portuguesa" O frango à Roberto com direito a bailinho da Madeira".O abrir o cachecol quando as equipas entram e só fechar com o hino terminar.O cantar o hino sem me enganar na letra.Os gritos.O roer das unhas.O relato.O golo do Falcao. O abraço a todos.O grande golo do Belluschi.O novo abraço e cumprimentos a todos.O dar valor ao adversário por jogar de peito aberto.A onda mexicana. O " quem não salta é lampião".O intervalo descansado.O Falcao a falhar. O Falcao a marcar o segundo.O abraço de confirmação a todos.O orgulho pelo momento do Helton, um jogador que sempre defendi.O desfrutar de uma bela exibição.O jogar à Porto.O querer mais golos.Os 6 pontos de avanço. Os 3 pontos de avanço.Os 2 pontos de avanço. O não sofrer golos.O final da partida.Os aplausos orgulhosos. O vir embora feliz da vida e com sorrisos nos lábios.A rouquidão pós-jogo.O 1º lugar. Já tinha saudades disto.

De regresso a casa


Em Lisboa, a minha "estrela" (acredito que todos nós temos uma, é só conseguirmos fazer com que ela brilhe, ou que alguém a faça brilhar.) brilhou. Quebrados todos os receios, posto de parte todos os meus medos, a minha estadia na capital, embora envolta num manto de aborrecida solidão (não deu para rever nenhuns amigos e apenas conheci uma parte da cidade), e de algum cansaço, deu para mostrar que a apreensão com que estava no momento da partida, não tinha razão de existir e que tudo iria correr pelo melhor, o que, de facto, aconteceu.

Deu também para estreitar relações de amizade com outros colegas de trabalho, para aprender coisas novas, para me reencontrar comigo próprio e, sobretudo, para ganhar mais uma lição de vida: às vezes, quando temos medo de dar certos passos ou de enfrentar certas coisas, a única coisa que temos a fazer é sermos nós próprios e enfrentarmos de peito aberto as dificuldades.

E, por fim, quando tudo correr pelo melhor, manter a mesma atitude e humildade não deixando de ter os pés no chão. Agora, é só esperar para colher os frutos daquilo que semeei na última semana.

15 de agosto de 2010

Hoje, Domingo, viajarei, por questões profissionais para Lisboa, onde irei estar até 6ª feira, sendo essa a principal razão para que nestas semanas estivesse com uma disposição volátil.

Se já estive excitado por ir uma semana para Lisboa, rever alguns amigos que tenho por lá, aprender coisas novas, conhecer nova gente, conhecer melhor a cidade, etc e tal, também já estive com medo daquilo que me espera, um Departamento com pessoas “curiosas”, pessoas muito atentas ao que irei dizer, que me irão rodear, algumas hipocritamente.

Irei ser aquilo que, embora já me afligisse muito mais, me faz um bocadinho de confusão: o centro das atenções. Ou melhor, irei encontrar um caminho em que andarei sobre brasas e no qual terei de ter todo o cuidado, e mais algum, para não me queimar.

Provavelmente, estarei a ser pessimista sem razão para tal, ou talvez cuidadoso demais, irá tudo correr bem, mas, nestas coisas de trabalho, é preciso não dar o flanco da forma mais fácil, ainda para mais quando temos a chefia mesmo em cima de nós.

E depois dos conselhos do meu chefe, que por lá conviveu muitos anos, numa altura em que estava mais aliviado e mais positivo, fiquei mais…apreensivo. Agora estou numa fase do “vamos a ver no que isto vai dar”, a confiança no meu trabalho é inabalável, não tenho, nem nunca tive medo do trabalho, os conselhos foram absorvidos, todo o cuidado é pouco e venha muito trabalho e a 6ª feira o mais rápido possivel para vir apanhar o comboio de regresso.

Porque também estarei sem pc e sem net, o blog ficará esta semana em pausa, uma nova pausa para ganhar fôlego para uma mudança profunda que quero fazer por aqui e irei programar com o imenso tempo livre que terei para a semana (imenso...depois do trabalho, pois claro), espero que tenham uma boa semana e portem-se todos muito bem e não se esqueçam da sopa antes da comida e de lavar os dentes depois.

E como há sempre uma canção que me compreende sempre: aqui vai uma que, neste momento, tem tudo a ver comigo. “ I Just Don't Know What To Do With Myself “


9 de agosto de 2010

Pequena nota

Não sei como, nem o porquê, mas o template do blog ficou todo preto. Andei a brincar com a nova opção do "design de modelos" do blogger e resultou numa página toda preta. Irei aproveitar e , proximamente,mudar o template, já que não consigo dar a volta a isto. Já era tempo de aprender de mexer nas coisas que sei e deixar quieto o que não sei...

7 de agosto de 2010

1 de agosto de 2010

Das coisas incompletas

" Nunca vou ao fim das coisas. Tudo começa. Nada acaba. Eu não deixo. No meu sonho, tudo continua, tudo se repete, mesmo que seja preciso interrompê-las de vez em quando. Tenho medo que acabem. Porque é que se hão-de levar as coisas até ao fim ?
Amo o incompleto, o suspenso, o atravessado, o interrompido. Os fins entristecem-me. Viver as coisas até ao fim é matá-las.
E trocá-las por outras novas é traí-las. Melhor trazê-las sempre, duvidosas e imprevisíveis mas ainda gotadas e presentes. " ( Miguel Esteves Cardoso in " Explicações de Português" )