27 de abril de 2011







Somos a fachada
de uma coisa morta
e a vida como que a bater à nossa
porta
quando formos velhos
se um dia formos velhos
quem irá querer saber quem tinha razão
de olhos na falésia
espera pelo vento
ele dá-te a direcção

Ninguém é quem queria ser
eu queria ser ninguém

A idade é oca e não pode ser motivo
estás a ver o mundo feito um velho
arquivo
eu caminho e canto pela estrada fora
e o que era mentira pode ser verdade
agora
se o cifrão sustenta a química da vida
porque tens ainda medo de morrer
faltará dinheiro
faltará cultura
faltará procura dentro do teu ser

Ninguém é quem queria ser
eu queria ser ninguém

Diz-me se ainda esperas encontrar o
sentido
mesmo sendo avesso a vê-lo em ti
vestido
não tens de olhar sem gosto
nem de gostar sem ver
ninguém é quem queria ser

Ninguém é quem queria ser
eu queria ser ninguém

Manel Cruz, in Foge Foge Bandido

1 comentário:

tonsdeazul disse...

Adoro esta música. É lindíssima!
"Ninguém é quem queria ser
eu queria ser ninguém"...
Já saio daqui a cantarolar. :)