14 de setembro de 2010

A flor da solidão



Vivemos convivemos resistimos
cruzámo-nos nas ruas sob as árvores
fizemos porventura algum ruído
traçámos pelo ar tímidos gestos
e no entanto por que palavras dizer
que nosso era um coração solitário silencioso
silencioso profundamente silencioso
e afinal o nosso olhar olhava
como os olhos que olham nas florestas
No centro da cidade tumultuosa
no ângulo visível das múltiplas arestas
a flor da solidão crescia dia a dia mais viçosa
Nós tínhamos um nome para isto
mas o tempo dos homens impiedoso
matou-nos quem morria até aqui
E neste coração ambicioso
sozinho como um homem morre cristo
Que nome dar agora ao vazio
que mana irresistível como um rio?
Ele nasce engrossa e vai desaguar
e entre tantos gestos é um mar
Vivemos convivemos resistimos
sem bem saber que em tudo um pouco nós morremos

Ruy Belo

obra poética de ruy belo, vol.2
presença
1990

12 de setembro de 2010

A 9 pontos...

Quem muito fala e pouco entende, na feira por asno se vende. ( provérbio popular)


10 de setembro de 2010

Ora aqui está uma bela sugestão para me socializar mais no ginásio...

9 de setembro de 2010

Diário de um dia de sonho

4:50 Horas: A imensa indecisão dos dias anteriores que me levou a pensar em desistir. Os problemas gástricos de sábado. E, por fim, o acordar 25 minutos depois da hora marcada. Parecia que os Deuses controladores do destino, estavam a fazer uma conjugação estranha para que eu não fosse. Abri os olhos, olhei para o relógio e lá me vesti e tomei o pequeno-almoço apressadamente. Estava pronto para a viagem.

Nota mental: Acrescentar no despertador do telemóvel o dia de Domingo. Pensando bem, é melhor não...

5:25- 8:00 Horas: Uma viagem tranquila. Como mais tarde se concluiu, num daqueles típicos, e inócuos, diálogos na fila para a entrada no recinto, custa mais fazer uma viagem a Lisboa do que à Galiza. Começando pelos preços das portagens, passando por estradas mais aceitáveis. No entanto, mais uma adversidade pelo caminho: um manto de nevoeiro que me acompanhou por quase toda a Espanha impedia de apreciar a paisagem galega.

Nota mental: um dia voltar aqui. O mais breve possível.


8:00 – 15:00 Horas- A parte mais difícil, depois do carro estacionado num local estrategicamente perfeito para sair, começa o controle da ansiedade, o interminável tempo de espera, o nevoeiro a desvanecer, o calor a apertar, a comida para aconchegar o estômago, o convite para jogar às cartas que se tornou numa conversa sobre música e concertos, tudo valia a pena para que as horas passassem depressa. E a ansiedade a crescer

Nota mental: para a próxima trazer um livro. E mais comida. E talvez se fosse mais tarde não haveria problema nenhum. É que os espanhóis gostam de ir em cima do acontecimento e não têm paciência para esperar longas horas pelos concertos.

15: 00: 17:30 – A entrada para o recinto. O anfiteatro do Monte do Gozo é, digamos assi
m, o cume do monte, o grande palco montado tapa-nos a visão, que se prevê bela, do resto do local, o público, muito longe de estar esgotado, ao contrário do que se previa, foi-se acomodando nos seus lugares à procura da melhor vista para o palco. Aqui, o tempo passou com mais animação, um DJ de serviço tentava aquecer o ambiente, o público passava o tempo da melhor maneira, e o sol brilhava intensamente.

Nota mental: Nunca mais criticar o preço das cervejas nos festivais em Portugal. Uma cerveja era
10 €. Está bem que deveria ser de 500 ml, mas era um preço escandaloso.


17: 30 ás 18 horas - Cornelius 1960: Uma imitação barata de Jamiroquai, um funk-rock-pop que não aquece, nem arrefece. E com imensos problemas no som, ainda foi pior.

Nota mental: Esquecê-los depressa.


18:20 ás 19:00 horas: The Temper Trap: o 2º melhor concerto da noite. Um concerto intenso, de uma banda que está a ganhar algum e
spaço no mundo indie. Apenas conhecia a canção mais famosa, mas surpreenderam-me imenso pela positiva, e o público aderiu bastante. Nota mental: tentar conhecê-los melhor, o mais urgente possível.

19:25 ás 20:25 horas- Echo & The Bunnymen: Foi um concerto, no mínimo, estranho. Se nada posso apontar à parte instrumental da banda, que me pareceu bem competente, o vocalista , qual pinta de junkie com problemas de identidade, queria ser a figura da festa, tornando-se no figurão. Desde o querer que os Arcade Fire o convidassem para cantar com ele, até falar um espanhol mais do que manhoso dizendo baboseiras sem interesse, apenas teve nota positiva na forma de interpretar algumas canções, quer sejam suas, quer sejam versões de outras bandas, como Lou Reed e os The Doors.

Nota mental: tentar ouvir alguma coisa deles, quando estiver virado para saudosismos dos 80´s.


21:00 ás 22: 30 horas – Para melhor vermos um quadro, temos sempre que dar um passo atrás e só aí poderemos o apreciar devidamente. Só passado um tempo, quando a minha memória estiver menos fresca, é que poderei sentir verdadeiramente o que
foi o concerto dos Arcade Fire no Monte do Gozo. Logo no inicio, a trilogia de “ Ready to Start-Month of May-Neighborhood ( Laika)” agarra-nos pelos colarinhos, despertando-nos para um concerto intenso, festivo, mágico, arrebatador, inesquecível. A banda, sempre profissional, e com os elementos quase sempre em movimento a trocarem de instrumentos, quase como se fosse um carrossel onde todos, divertidamente, trocam de lugares.
É ao vivo que os canadianos provam ser uma das, para mim são “a”, bandas mais influentes deste inicio de século, arrasando ao vivo, quaisquer criticas que possa existir em relação à sua música, o que, pelos vistos, virou moda entre o povo do indie, seja lá o que isso fôr.

O povo g
rita, emociona-se e canta bem alto juntamente com eles, os braços erguem-se para o céu como se agradecessem aos Deuses a dádiva daqueles momentos de partilha, de verdadeira comunhão de espíritos. A banda dá tudo nos concertos, e cada espectáculo são emoções únicas para quem presencia. " No Cars Go", "Wake Up", "The Suburbs", "Sprawl II ( nunca pensei que resultasse tão bem num concerto, com a Regine a encantar ), a força de " We Used to Wait", e tudo o resto foi tão emocionante, tão inesquecível para quem esteve lá, que, certamente, as recordações desta noite se irão prolongar no tempo. Foi o concerto mais emocionante que presenciei em toda a mniha vida.

Nota mental: Tentar guardar todas as imagens e sons do que se passou na minha memória.

22:45: 1:45 horas – As emoções repousam num corpo em que não se sentia cansado, apesar do dia longo. Pelo caminho, nada melhor do que comprar uma recordação que procurava intensamente. A adrenalina teimava em não baixar, aquilo que tinha acabado de viver parecia que me estava, novamente, a passar à frente, o sonho terminou, mas as recordações da grande noite serão eternas.

Nota mental: Compensar, nos dias seguintes, o sono perdido.

6 de setembro de 2010



"Sometimes I can't believe it
I'm moving past the feeling
Sometimes I can't believe it
I'm moving past the feeling again" - " The Suburbs" - Arcade Fire

Conto mais, depois de colocar o sono em dia.

4 de setembro de 2010

Xacobeo



A ver se consigo entrar...pelo menos irei tentar.

2 de setembro de 2010

O Natal está próximo, não está ?



Eu quero uma coisa destas. E já vi na Fnac. E parece-me que não irei resistir até ao Natal.
Pergunta que se impõe: será que posso ver isto num DVD normal ou terei de me contentar com a edição especial ?

1 de setembro de 2010

Uma espécie de Haiku ( II )


Com o pó do desejo
inscrevi na parede da rua-
bem-te-quero.

30 de agosto de 2010

Noites Ritual - Dia 2

Sábado, tempo mais agradável, muito mais público, embora sossegadinho como sempre. De facto, algumas bandas não mereciam tanta acalmia e falta de animação. Cheguei mais tarde e apenas vi Tijuana Bibles, no palco secundário, outra banda a seguir com muita atenção, depois do agradável EP na colectânea “Optimus Discos”, mostram que ao vivo conseguem dar concertos apelativos.

Quanto aos outros concertos, tanto Sean Rilley & The Slowriders, como Legendary Tygerman deram excelentes concertos, nos seus estilos. A banda conimbricense deu um concerto muito mais rockeiro e poderoso do que na edição do Optimus Alive, senti-os com um som muito mais maduro e consistente, confirmando a sua enorme mais-valia : a sua musicalidade tradicionalmente americana está de tal forma vincada que até parece que nasceram por terras do Tio Sam.

O Tygerman deu um concerto à sua imagem: irreverente, e muito bem acompanhado. Rita Redshoes, Claudia Efe e Phoebe Killdeer, além de um baterista que veio directamente do público ( !!!), todos juntos deram um grande show. Finalmente, já vi Tygerman, um projecto que acompanho com muito interesse, desde o seu inicio devido ao meu grande fetiche musical, de nome " blues-rock".

Por fim, veio o Slimmy e foi o Menphis embora…duas canções bastaram para confirmar que a sua música não faz o meu género. Para o ano há mais.

29 de agosto de 2010

Noites Ritual - Dia 1

A atribuir um adjectivo às Noites Ritual de 2010 escolheria a palavra “morno”. Em comparação àquilo que se passou nos últimos anos, foram duas noites cheias de altos e baixos que as pessoas do Porto viram, se bem que penso que a maior razão tenha sido num cartaz menos equilibrado do que em comparação aos anos anteriores.

Continuam-se a repetir os mesmos erros, com a conjugação de dois palcos, os concertos são, invariavelmente, muito curtos, o que é pena. E porque não, as Noites Ritual se transformarem em duas noites com 3 ou 4 bandas no Palco Principal e depois, num desses dias, ou até Domingo, abrir espaço às bandas do palco secundário? É que isto de andar para cima e para baixo, com noites onde estiveram quase 20 mil pessoas acaba por ser cansativo e assim perdem-se concertos que até poderiam ser interessantes no palco secundário. Além da, já falada, curta duração dos concertos, assim alargava-se o tempo de actuação das bandas principais e toda a gente ganhava com isso.


Salto- Um registo interessante, uma mistura de Vampire Weekend-Rádio Macau-Sétima Legião, muito anos 80, um baixo-guitarra-sintetizadores, mas bem agradável. Um caso a seguir.

Tornados- Quiseram animar o público com o seu rock´n´roll anos 60, mas este não estava disposto a ser animado. Nunca vi um público tão menos participativo do que este. E o pior vinha a seguir. Quanto aos Tornados, deram um concerto com altos e baixos, às vezes, na parte dos slows, foi a pender para o aborrecido, mas quando aceleravam a sua música foi bom de se ouvir. Bem animados, são os convidados ideais para concertos que se queiram festivos.

Samuel Úria- Concerto curtíssimo, ficando a sensação de saber a muito pouco. Uma aparição tão fugaz, como intensa. É artista para ver num concerto “a sério”. Irónico, divertido e bem acompanhado, confirmou ser um dos nomes mais curiosos ao vivo. Permitem-me uma expressão futebolística: a jogar em casa deve dar excelentes espectáculos. Um concerto que cabia bem no palco principal.

Diabo na Cruz – O melhor da noite. Deram um grande concerto, mais num registo mais rock do que o esperado. Acho que o registo popular que é bem proeminente no álbum, ao vivo perde-se mais, ganhando mais uma galhardia rock,que também , valha a verdade, é apreciável. Pareceu-me, e isto não é uma crítica destrutiva, que os holofotes sobre o B Fachada, que é o maior deles todos, baixaram um bocadinho. No Sudoeste, onde vi o seu concerto via Facebook, ele, com a sua braguesa, brilhou mais, aqui foi mais discreto. E, o maior problema dos concertos de borla, público muito pouco participativo para quem deu um grande espectáculo. Mereciam uma grande recepção e não só na " Dona Ligeirinha".

Anaquim – Concerto excelente, animados, com muito público a quererem vê-los, outro concerto que caberia bem no palco principal. Desde o genérico da “Conversa da Treta”, com dedicatória especial a António Feio, à música da série Tom Sawyer, passando pelas mais conhecidas, a banda deu um concerto bem engraçado.

Oquestrada- O cansaço era muito, as dores no pé, lesionado, não facilitavam, a música não me atraia muito, deu para ver 15 minutos e ir embora.

26 de agosto de 2010

8 canções...das Noites Ritual


Diabo na Cruz -" Bom Tempo"
Diabo na Cruz -" Dona Ligeirinha"
Anaquim - " Lusíadas"
Samuel Úria - "Teimoso"
Sean Riley & The Slowriders - " Talk Tonight"
Tiguana Bibles "- "Child of the Moon"
Oquestrada - " Eu e o meu País"
Legendary TygerMan - "No Way to Leave on a Sunday Night"

E porquê duas canções dos Diabo na Cruz ? Apenas porque são a banda que quero mais ver.

PS: Agora, todas as 6ºs feiras, uma playlist de 8 canções dedicado a um tema/grupo/género musical etc.

23 de agosto de 2010

" O Bom Inverno"

Poderia ser a tradução do pseudónimo de Justin Vernon, mas, neste caso, acaba por ser o livro que mais quero ler na "reentré " literária que se aproxima. Enquanto não chega sábado, o dia em que o mesmo sai para as lojas, e também dia de aniversário do autor, aqui fica uma canção de Bon Iver, o verdadeiro, que tenho quase a certeza ter sido uma inspiração para o romance.

Saudades


O cachecol novo.O casaco com o emblema a estrear.A camisola da sorte.O lanchar à pressa.O ir de metro até ao Estádio.O ambiente fora do Estádio.O ambiente dentro do Estádio.O aplaudir a equipa na entrada para o aquecimento. O ver o aquecimento com atenção.O rever dos vizinhos do lugar.O gozar com os maus resultados dos outros. O descobrir da nova especialidade da gastronomia portuguesa" O frango à Roberto com direito a bailinho da Madeira".O abrir o cachecol quando as equipas entram e só fechar com o hino terminar.O cantar o hino sem me enganar na letra.Os gritos.O roer das unhas.O relato.O golo do Falcao. O abraço a todos.O grande golo do Belluschi.O novo abraço e cumprimentos a todos.O dar valor ao adversário por jogar de peito aberto.A onda mexicana. O " quem não salta é lampião".O intervalo descansado.O Falcao a falhar. O Falcao a marcar o segundo.O abraço de confirmação a todos.O orgulho pelo momento do Helton, um jogador que sempre defendi.O desfrutar de uma bela exibição.O jogar à Porto.O querer mais golos.Os 6 pontos de avanço. Os 3 pontos de avanço.Os 2 pontos de avanço. O não sofrer golos.O final da partida.Os aplausos orgulhosos. O vir embora feliz da vida e com sorrisos nos lábios.A rouquidão pós-jogo.O 1º lugar. Já tinha saudades disto.

De regresso a casa


Em Lisboa, a minha "estrela" (acredito que todos nós temos uma, é só conseguirmos fazer com que ela brilhe, ou que alguém a faça brilhar.) brilhou. Quebrados todos os receios, posto de parte todos os meus medos, a minha estadia na capital, embora envolta num manto de aborrecida solidão (não deu para rever nenhuns amigos e apenas conheci uma parte da cidade), e de algum cansaço, deu para mostrar que a apreensão com que estava no momento da partida, não tinha razão de existir e que tudo iria correr pelo melhor, o que, de facto, aconteceu.

Deu também para estreitar relações de amizade com outros colegas de trabalho, para aprender coisas novas, para me reencontrar comigo próprio e, sobretudo, para ganhar mais uma lição de vida: às vezes, quando temos medo de dar certos passos ou de enfrentar certas coisas, a única coisa que temos a fazer é sermos nós próprios e enfrentarmos de peito aberto as dificuldades.

E, por fim, quando tudo correr pelo melhor, manter a mesma atitude e humildade não deixando de ter os pés no chão. Agora, é só esperar para colher os frutos daquilo que semeei na última semana.

15 de agosto de 2010

Hoje, Domingo, viajarei, por questões profissionais para Lisboa, onde irei estar até 6ª feira, sendo essa a principal razão para que nestas semanas estivesse com uma disposição volátil.

Se já estive excitado por ir uma semana para Lisboa, rever alguns amigos que tenho por lá, aprender coisas novas, conhecer nova gente, conhecer melhor a cidade, etc e tal, também já estive com medo daquilo que me espera, um Departamento com pessoas “curiosas”, pessoas muito atentas ao que irei dizer, que me irão rodear, algumas hipocritamente.

Irei ser aquilo que, embora já me afligisse muito mais, me faz um bocadinho de confusão: o centro das atenções. Ou melhor, irei encontrar um caminho em que andarei sobre brasas e no qual terei de ter todo o cuidado, e mais algum, para não me queimar.

Provavelmente, estarei a ser pessimista sem razão para tal, ou talvez cuidadoso demais, irá tudo correr bem, mas, nestas coisas de trabalho, é preciso não dar o flanco da forma mais fácil, ainda para mais quando temos a chefia mesmo em cima de nós.

E depois dos conselhos do meu chefe, que por lá conviveu muitos anos, numa altura em que estava mais aliviado e mais positivo, fiquei mais…apreensivo. Agora estou numa fase do “vamos a ver no que isto vai dar”, a confiança no meu trabalho é inabalável, não tenho, nem nunca tive medo do trabalho, os conselhos foram absorvidos, todo o cuidado é pouco e venha muito trabalho e a 6ª feira o mais rápido possivel para vir apanhar o comboio de regresso.

Porque também estarei sem pc e sem net, o blog ficará esta semana em pausa, uma nova pausa para ganhar fôlego para uma mudança profunda que quero fazer por aqui e irei programar com o imenso tempo livre que terei para a semana (imenso...depois do trabalho, pois claro), espero que tenham uma boa semana e portem-se todos muito bem e não se esqueçam da sopa antes da comida e de lavar os dentes depois.

E como há sempre uma canção que me compreende sempre: aqui vai uma que, neste momento, tem tudo a ver comigo. “ I Just Don't Know What To Do With Myself “


9 de agosto de 2010

Pequena nota

Não sei como, nem o porquê, mas o template do blog ficou todo preto. Andei a brincar com a nova opção do "design de modelos" do blogger e resultou numa página toda preta. Irei aproveitar e , proximamente,mudar o template, já que não consigo dar a volta a isto. Já era tempo de aprender de mexer nas coisas que sei e deixar quieto o que não sei...

7 de agosto de 2010

1 de agosto de 2010

Das coisas incompletas

" Nunca vou ao fim das coisas. Tudo começa. Nada acaba. Eu não deixo. No meu sonho, tudo continua, tudo se repete, mesmo que seja preciso interrompê-las de vez em quando. Tenho medo que acabem. Porque é que se hão-de levar as coisas até ao fim ?
Amo o incompleto, o suspenso, o atravessado, o interrompido. Os fins entristecem-me. Viver as coisas até ao fim é matá-las.
E trocá-las por outras novas é traí-las. Melhor trazê-las sempre, duvidosas e imprevisíveis mas ainda gotadas e presentes. " ( Miguel Esteves Cardoso in " Explicações de Português" )

30 de julho de 2010

29 de julho de 2010

Voltar



O regresso é sempre mais fácil quando vamos para perto do que gostamos.Do Alentejo ficou aquele desejo, que já conhecia, de voltar sempre que puder. Mas agora é tempo de voltar à vida normal e regressar aos "meus lugares", o que é sempre mágico.

Foram dias tranquilos, prazerosos, felizes, retemperadores. E também foram dias de reencontros. Tive um reencontro, através do Facebook, que me fez acordar uma parte de mim, que julgava adormecida, e que me fez, acima de tudo, voltar a reencontrar-me comigo próprio. As férias também servem para isso, para reflectirmos no nosso passado, tentando moldar o presente e programar o futuro.

E, neste caso, uma coincidência inesperada, serviu-me para olhar um pouco para trás na minha vida ( neste caso, recuar 12 anos ) e tentar fazer uma avaliação do que era e do que sou agora. Entre o deve e o haver acho que, com a idade, e com a aprendizagem que o tempo me trouxe, tornei-me em alguém muito diferente do que era, perdoem-me a imodéstia, mais positiva, quer no relacionamento com os outros, quer no relacionamento comigo próprio.

Agora é tempo de aproveitar os últimos momentos de férias para repôr, ainda mais, energias para enfrentar o resto do ano com a mesma coragem, valentia e vontade de vencer que estas férias me trouxeram.


16 de julho de 2010

Destino: Vila Nova de Milfontes


No entanto, aqui, todos os dias, está programado
postar uma canção de um artista/banda que me vai acompanhar nestes dias.

Até dia 28 e portem-se bem na minha ausência.

14 de julho de 2010

O pão nosso de cada dia


Neste caso, o meu e do John...

13 de julho de 2010

Toy Story 3

É impressão minha ou vou ter que convidar a minha prima pequenina para vermos este filme ao cinema, assim não parece tão mal. Corro o risco de vibrar mais do que ela. No fundo, nestas coisas, continuo a ser um miudo. Mas aquela parte do Ken quando vê a Barbie a primeira vez é mesmo de risos.




ah..e ainda tenho para ver o meu adorado Shrek...ai que nunca mais cresço.

Alive'2010


The Drums, Devendra Banhart , Florence & The Machine, The XX , La Roux, Faith No More, Holy Ghost, Mão Morta, Manic Street Preachers ( cumpri um sonho que me perseguia desde muito tempo, vê-los ao vivo. ), Skunk Anansie ( em homenagem à minha adolescência) , Sean Riley & The Slowriders, Gogol Bordello, Pearl Jam ( noite mágica, até mesmo para não indefectiveís) e LCD Soundsystem, uns mais do que outros, uns mais intensos e inesqueciveis do que outros, mas todos eles proporcionaram momentos que irei recordar.

Mas queria partilhar aquele que, para mim, foi o momento que vivi com mais intensidade. MIl vídeos não reproduzem a magia do que se passou ali .Até mais do que "The Everlasting" a minha canção favorita dos Manic Street Preachers, ou qualquer outra deles ( e eles cantaram todas as minhas favoritas) claramente, a banda que eu mais queria ver e que me fez perder The Gossip. Ou melhor, queria dedicar a todos os amigos. A todos que revi. Aos outros que conheci. Também para quem não foi mas gostava de ter ido. Para quem partilhei grandes momentos juntos. Para vocês todos. Para todos, o momento do concerto, que curiosamente vi sozinho, mais vibrei, mais saltei e mais cantei. Para todos " You´ve got the love". O meu.



PS: Skunk Anansie não tiveram direito a fotos, a bateria da máquina terminou. Podem carregar na imagem para ver melhor um bocadinho

7 de julho de 2010

6 de julho de 2010

Plano de férias

1- Tratar do cartão de cidadão único.
2- Correr na praia.
3- Entrar no
"Submundo" de Don DeLillo.
4-Escrever.
5-Deixar crescer a barba por uns dias.
6- Deixar passar o Ben Harper no "Festival Marés Vivas".
7- Ver, finalmente, algumas séries em atraso.
8- Deliciar-me com sardinhas assadas.
9- Comer, alarvamente, ameijoas.
10- Beber groselha com leite fresco.
11-Dançar ao som dos
Virgem Suta.
12- Saltar, cantar, me emocionar, conviver, entre outras coisas no Optimus Alive.
13-Tirar fotografias a tudo o que me aparecer à frente.
14- Desligar o telefone ao chefe e dizer que estou sem bateria.
15- Andar com a minha prima de mãos dadas na praia.
16- Fazer castelos de areia com a minha prima na praia.
17- Jogar à bola na praia.
18- Saltar para a água e gritar " woooooooooowwwwwwww"
19- Fechar os olhos e sentir o sol a queimar a minha pele.
20- Assobiar a canção da
"Maria Clementina" ( está lá o grande Fachada, não está ?)
21- Seduzir.
22- Ser seduzido.
23- Dormir dentro de uma tenda.
24- Rever amigos.
25- Beber sangria em noites quentes.
26- Apreciar a moda dos calções nas mulheres. ( fica-lhes tão bem...)
27 - Não ouvir o lixo radiofónico da RFM.
28- Comer melancia fresca.

29- Retomar o hábito de dormir a sesta.
30- Esquecer que o Patrick Watson vai ao Super Rock.
31-Esquecer que os The National, o Casablancas, o Beirut e os Vampire Weekend também vão ao Super Rock.
32- Ver o "Shrek para sempre".
33- Nadar, nadar, nadar.
34- Ler à noite numa varanda, solitário e com silêncio.
35- Churrascada de amigos.
36-Jogar às cartas até altas horas da noite.
37- Beber chá relaxadamente em noites mais frias.
38- Imaginar as figuras das nuvens.
39- Espreguiçar e ficar novamente na cama.
40- Não usar relógio.
41- Observar o mar.
42- Tomar uma bebida numa esplanada.
43- Não usar jeans.
44- Ler o
livro de poesia do Sérgio Godinho.
45- Tentar escrever Haiku.
46- Perder horas a jogar "cruzadex".
47-Esperar que as férias não sejam interrompidas por causa do trabalho.
48- Ouvir o novo album dos The Soaked Lamb.
49- Uma cerveja fresca ao lanche.

e o melhor de todos:

50- Ter a liberdade de não cumprir os 49 pontos anteriores e fazer o que me apetecer.

4 de julho de 2010

a angústia do banco de jardim


" Um dos problemas actuais das cidades é que elas já não servem para parar. Quando eu era criança as pessoas paravam nas cidades, fosse num café, num banco de jardim, no muro duma casa ou até numa paragem de autocarro. Agora não. Os bancos de jardim estão vazios, as pessoas tomam o café em pé enquanto olham para o relógio e até pelo autocarro esperam em pé, sempre a olhar para um lado e para o outro como se estivessem atrasadas.


Há bocado passei por um banco de jardim e pareceu-me que ele estava angustiado, não só por se sentir inútil mas principalmente por ter saudades das conversas de amor que já não ouve. É que o problema também é esse: as cidades onde as pessoas param são cidades onde as pessoas aprendem a amar, as cidades onde as pessoas não param são cidades de gente só. E o problema da gente só é que esta acaba por estar só mesmo quando não está.

O amor já não nasce numa conversa de banco de jardim. Agora manda-se dois nomes para um número de valor acrescentado e fica-se a saber se as pessoas são compatíveis ou não. Joana e Mário dá setenta por cento e toma-se isso como definitivo. Surpresa. Não é definitivo."

visto aqui