"A diferença (entre a ditadura e o capitalismo) é que não é a ditadura como nós conhecemos. É o que eu chamo de «capitalismo autoritário». A ditadura tinha cara, e nós dizíamos é aquela, ou aqueles militares, o Hitler, o Franco, o Pinochet, mas agora não tem cara. E como não tem cara não sabemos contra quem lutar. Não há contra quem lutar. O mercado não tem cara, só tem nome. Está em toda a parte e não podemos identificá-lo, dizer «és tu». Mesmo as pessoas que lutaram contra a ditadura, entrando na democracia acham que não têm mais que lutar. E os problemas estão todos aí. O mercado pode tornar-se uma ditadura.
José Saramago, in 'O Globo (1999)'
12 de novembro de 2013
5 de novembro de 2013
A ti...pelo teu aniversário
Mais e menos
No amor, regras que contem,
Há uma só que não é vã:
Amar hoje mais do que ontem
Mas bem menos que amanhã
Há uma só que não é vã:
Amar hoje mais do que ontem
Mas bem menos que amanhã
E eu num fado que isto guarde
Também acrescentaria
Amo-te mais cada tarde
Do que amei nascendo o dia
Também acrescentaria
Amo-te mais cada tarde
Do que amei nascendo o dia
E cada vez muito mais
Do que antes, mas tais requintes
São muito menos, ver vais
Do que nos dias seguintes
Do que antes, mas tais requintes
São muito menos, ver vais
Do que nos dias seguintes
Com resultados tão plenos
Como somar dois e dois:
Muito mais e muito menos
Conforme "antes" e "depois"
Como somar dois e dois:
Muito mais e muito menos
Conforme "antes" e "depois"
No amor, regras que contem,
Há uma só que não é vã:
Amar hoje mais do que ontem
Mas bem menos que amanhã
( Vasco Graça Moura )Há uma só que não é vã:
Amar hoje mais do que ontem
Mas bem menos que amanhã
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Coisas da vida,
Coisas lamechas da vida
28 de outubro de 2013
Lou Reed ( 1942-2013)
Andamos a crescer e a formar heróis que pensamos serem imortais. Depois paramos de crescer, eles envelhecem e morrem, quando julgamos que isso não acontecerá. Parece que nunca estamos preparados para os perder. No entanto, ficamos com a sua obra imensa para o poder recordar sempre. E aí, Lou Reed criou das melhores e mais belas canções de sempre. Rest In Peace.
22 de outubro de 2013
"Afterlife" - Arcade Fire ( ou será The Reflektors " ? )
Há em todo o processo de construção de um novo álbum dos Arcade Fire muitas coisas que me fazem pular de excitação. Descontando o facto de ser um dos meus grupos favoritos, o nascimento de um álbum da banda canadiana será sempre motivo de interesse para todos os apreciadores de música, por tudo aquilo que dele surge à sua volta.
Com o nascimento de um alter-ego, de nome "The Reflektors", com a criação de um álbum duplo ( com um lado A e lado B à boa maneira dos álbuns em vinil *) e com um conceito que ultrapassa, e muito, tudo aquilo que fizeram no passado, os Arcade Fire estão ao conseguir elevar ainda mais as expectativas para um registo que pretende marcar de forma positiva o mundo musical neste fim de ano.
E depois temos aquilo que é o que interessa no meio disto tudo: as canções. E eles têm nos dado a conhecer grandes canções. Depois do primeiro single, andam em toda a parte a promover o novo álbum e já interpretaram outras novas canções em programas de televisão e num vídeo colocado online. Confesso, não as tenho ouvido, quero descobrir o álbum apenas quando o comprar. Mas foi conhecido aquela canção que poderá vir a ser o segundo single e não resisti mais. " Afterlife" é o título. E mais uma vez digo: que CANÇÃO GRANDIOSA.
* - não sei o porquê mas deve ser um álbum perfeito para ouvir em vinil.
21 de outubro de 2013
10 anos sem Ellliot Smith
Há 10 anos atrás desapareceu Elliott Smith. As canções de amor nunca mais tiveram o dramatismo como só ele as sabia dar.
19 de outubro de 2013
Vinicius...100 anos do " poetinha "
A maior solidão é a do ser que não ama
A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana.
A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo,
o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro.
O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se,
o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo.
Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno.
Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o património de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre.
O Mundo precisava de mais Vinicius porque estamos com falta de beleza e de poesia.
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15 de outubro de 2013
" A infância de Jesus" de J.M.Coetzee
Imaginemos que existe uma cidade longínqua cuja condição para lá viver seria construir uma nova vida, nome e idade incluídos, vivendo " limpos de recordações", como se pudéssemos nascer de novo. Era também uma cidade onde ninguém protestaria, tudo funcionando sem que as pessoas questionassem, à boa maneira das sociedades totalitárias, por isso a vida correria sem nenhum sobressalto.
" A Infância de Jesus", o novo livro de um dos meus escritores favoritos, J.M. Coetzee, leva-nos a conhecer essa cidade através de um homem e uma criança que desaguam depois de uma viagem de barco rumo a uma nova vida num outro local.
É com novos nomes, idades e residência que vimos a busca incessante da mãe da criança, o que conseguiriam vir a ter sucesso, tendo ela se apercebido que o rapaz é uma criança excepcional e com uma inteligência acima da média, sendo decisivo para o rumo final da obra.
É um livro com uma estória bastante diferente daquelas que encontramos nas obras do escritor sul-africano, Coetzee convida o leitor para uma alegoria de algo, tanto podendo ser sobre como se vive nas sociedades totalitárias, como uma nova visão de um novo Messias, sendo o título a maior ironia, já que não se fala nem de Jesus nem é nenhuma nova interpretação de qualquer livro religioso.
Reconhece-se a escrita seca e directa e a enorme qualidade narrativa do autor sendo um livro a ter muito em conta, como quase todas as obras deste grande escritor sul-africano.
" A Infância de Jesus", o novo livro de um dos meus escritores favoritos, J.M. Coetzee, leva-nos a conhecer essa cidade através de um homem e uma criança que desaguam depois de uma viagem de barco rumo a uma nova vida num outro local.
É com novos nomes, idades e residência que vimos a busca incessante da mãe da criança, o que conseguiriam vir a ter sucesso, tendo ela se apercebido que o rapaz é uma criança excepcional e com uma inteligência acima da média, sendo decisivo para o rumo final da obra.
É um livro com uma estória bastante diferente daquelas que encontramos nas obras do escritor sul-africano, Coetzee convida o leitor para uma alegoria de algo, tanto podendo ser sobre como se vive nas sociedades totalitárias, como uma nova visão de um novo Messias, sendo o título a maior ironia, já que não se fala nem de Jesus nem é nenhuma nova interpretação de qualquer livro religioso.
Reconhece-se a escrita seca e directa e a enorme qualidade narrativa do autor sendo um livro a ter muito em conta, como quase todas as obras deste grande escritor sul-africano.
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13 de outubro de 2013
James Murphy - o homem do momento
Depois dos Arcade Fire, ao que parece também David Bowie se deixou encantar com os dotes artísticos de James Murphy ( criador dos LCD Soundsystem) e deixou que este remisturasse a canção " Love is Lost", canção essa incluída no seu último álbum, " The Next Day", e que agora vai estar incluída numa edição especial desse mesmo álbum. Notável, como em quase tudo que James Murphy cria.
9 de outubro de 2013
8 de outubro de 2013
Há 15 anos atrás
o Mundo aclamou um dos nossos.
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7 de outubro de 2013
Literatura arrumada ( I )
Pode parecer incrível, mas na verdade só agora, após um ano e dois meses de ter mudado de casa, é que transportei todos os livros/cd´s/dvd´s que tinha na casa dos meus pais para, a agora nossa, casa.
A arrumação nas devidas estantes vai depender da vontade e do tempo disponível, mas o inicio já está feito, já retirei todas as pastas de arquivo morto que ocupavam para calcular quantas prateleiras estão disponíveis. Ou melhor, dei um "chega para lá" nas coisas dela para colocar os meus livros :-)
A próxima fase será a mais importante: avaliar o que tenho para decidir o que quero ficar, o que quero "despachar", e depois começar a separar com vista a arrumar de forma como tenho em pensamento.
E é aí que geralmente surgem muitas dúvidas mas eu não tenho quaisquer dúvidas de como ficará dividida a estante.Primeiro os livros de arte: Banda desenhada ( não tenho muita mas ainda tenho 3 colecções completas que ocupam espaço), Fotografia ( infelizmente, tenho muito poucos), Música e Cinema . Depois um cantinho especial para os livros infantis e para os livros dedicados ao meu clube. Posteriormente, vem todos os outros livros que dividirei de forma simples: autores portugueses e estrangeiros. Nada mais simples. Quanto aos cd´s aí existirá um certo cuidado em colocar na ordem por bandas. Relativamente aos dvd´s vão ser organizados por realizador. Venha o próximo fim de semana para que surja mais tempo dedicado à arrumação dos livros. E, podem ter a certeza, mais terapêutico não há .
1 de outubro de 2013
"De la musique avant toute chose" - Paul Verlaine
Mais do que qualquer arte, para mim, a música é A arte. Mais do que ter pena de não conseguir ler todos os livros do mundo, de ver todos os filmes que são editados, de ler toda a BD, de ver todo o teatro e espectáculos de dança, de observar toda a pintura, escultura ou de jogar todos jogos de computador, tenho pena de não ter tempo para dar atenção a toda a musica que gosto de forma lenta e com a devida atenção.
Estamos cercados de música em todo o lado, desde centros comerciais até lojas de chineses, passando por lojas de roupa ou restaurantes, e muitas desses locais com a particularidade de ter um volume desaconselhável, o que satura, levando a que deixemos de ter a disposição para dedicar um tempo a sério à audição daquela música que queremos ouvir. Como sabemos o silêncio também é a forma mais natural e pura de música, por isso hoje, Dia Mundial da Música, eis que digo " enjoy the silence"..e se possível no intervalo desse silêncio oiçam boa música.
30 de setembro de 2013
A vitória de Rui Moreira
Se na nossa cidade há muito quem troque o B por V, há muito pouco quem troque a liberdade pela servidão. Almeida Garrett
Orgulhosa e sempre independente a cidade do Porto deu a vitória a Rui Moreira, um homem fora do sistema partidário dando, como em quase tudo, uma verdadeira lição ao País. Foi uma vitória do povo, de um homem que correu de trás para a frente ultrapassando todas as previsões, que teve uma campanha de rua irrepreensível e sempre a dar a cara sem medo do povo, vencendo de forma destacada.
Particularmente, fico muito satisfeito pela sua vitória, não só porque um voto meu contribuiu para que isso acontecesse, mas também porque já participei num blog, no caso de futebol e particularmente do nosso clube FCPorto, onde o mesmo foi também colaborador e numa altura em que eu "tomava conta" do blog trocamos vários emails sempre simpáticos e sempre foi inexcedível para todas as solicitações. Mas, o essencial de tudo, é que acho que ele é bem capaz de tornar a cidade do Porto ainda maior e mais forte do que ela já é . Daqui a 4 anos faremos o balanço no sitio do costume.
Particularmente, fico muito satisfeito pela sua vitória, não só porque um voto meu contribuiu para que isso acontecesse, mas também porque já participei num blog, no caso de futebol e particularmente do nosso clube FCPorto, onde o mesmo foi também colaborador e numa altura em que eu "tomava conta" do blog trocamos vários emails sempre simpáticos e sempre foi inexcedível para todas as solicitações. Mas, o essencial de tudo, é que acho que ele é bem capaz de tornar a cidade do Porto ainda maior e mais forte do que ela já é . Daqui a 4 anos faremos o balanço no sitio do costume.
26 de setembro de 2013
Às escondidas
Os primeiros chuviscos
restituem-nos o incrível cheiro da terra
mas nós estaremos
quem sabe longe
do que tem significado
Preenchemos a inscrição
numa piscina municipal
não sabemos bem o motivo
ou não dizemos a ninguém
como os dias nos pedem a dureza
ofegante,instintiva
que têm para os nadadores as braçadas
Uma sombra nos acalma
Uma claridade nos dói
Cedo receamos a felicidade daquelas imagens
que reencontramos dentro de nós
e não se ligam a nada - José Tolentino Mendonça
restituem-nos o incrível cheiro da terra
mas nós estaremos
quem sabe longe
do que tem significado
Preenchemos a inscrição
numa piscina municipal
não sabemos bem o motivo
ou não dizemos a ninguém
como os dias nos pedem a dureza
ofegante,instintiva
que têm para os nadadores as braçadas
Uma sombra nos acalma
Uma claridade nos dói
Cedo receamos a felicidade daquelas imagens
que reencontramos dentro de nós
e não se ligam a nada - José Tolentino Mendonça
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23 de setembro de 2013
Há 25 anos uma Rosa elevou Portugal ao mais alto
Foi há 25 anos que a grande Rosinha conseguiu levar o nome de Portugal ao pódio da maratona feminina nos Jogos Olímpicos de Seul e ainda por cima ao degrau mais alto. Menina da Foz, nunca perdeu o sorriso e simpatia para com toda a gente, seja quando estivesse a correr ou simplesmente quando a interpelam na rua. Posteriormente, tivemos Fernando Ribeiro mas a Rosinha ficará sempre na história como a mais genuína. Sabe bem recordar momentos destes em que tivemos, de facto, orgulho em ser português.
" Reflektor"- Arcade Fire
Glória, glória, aí estão os Arcade Fire. O primeiro single" Reflektor" é das melhores canções da banda canadiana, que não teve pejo em sair da sua zona de conforto e abrir novos horizontes às suas canções.
Por esta amostra acabaram-se as canções épicas e nasceram as canções dançantes com ritmos tribais, tendo esta canção a particularidade de ter como convidado o grande David Bowie.
A ansiedade aumentou consideravelmente por isso nunca mais chega o final do mês de Outubro para conhecermos o resto do álbum.
18 de setembro de 2013
In Utero - 20 anos
Tempo da camisa de flanela, do cabelo comprido ( sim, eu tive cabelo comprido), dos jeans rasgados, das All Star ( ainda hoje está na moda, como estão todas as coisas intemporais ),das K7´s, do Walkman, da escola secundária, do primeiro beijo a sério, das audições de rádio à noite, dos sonhos que ainda tinham futuro, foi lançado em Setembro de 1993, aquele que viria a ser o último álbum de estúdio daquela banda que, conjuntamente com os Oasis e os Blur, mais me marcou em tempos adolescentes: " In Utero" dos Nirvana. Agora saiu uma reedição do álbum, com umas coisas tão apetitosas que até dá vontade mandar a Troika à fava e gastar vivendo acima das nossas possibilidades. Enquanto isso não acontece há sempre os meios menos legais para poder recordar algumas preciosidades como esta:
17 de setembro de 2013
" 2666"
"2666" de Roberto Bolaño é um livro imenso. Imenso no tamanho, mas também na sua densidade e na sua complexidade, mas imenso na qualidade desmesurada da escrita do seu autor. Bolaño deixou-nos uma obra imensa, um mundo onde as personagens se interligam criando pontos de contacto de livro para livro e do qual o leitor não pretende sair tão cedo.
Esta obra, subdividida em 5 partes tem, como em quase todos os livros daquele tamanho, momentos mais brilhantes ( destaque para a 5ª parte que, por si só, vale um livro ) e outros menos brilhantes, mas é daquelas obras das quais nós, como leitores atentos, ficamos tão embrenhados na "teia" que o autor nos envolve que nem damos pelo tempo a que o dedicamos.
É um livro que nos marca pela sua densidade mas também pela sua qualidade demonstrada na sua escrita. Brilhante. Para ler. Com tempo e de alma aberta porque só assim é que ele o vai conquistar.
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12 de setembro de 2013
11 de setembro de 2013
Regressar
Nunca deixamos de vez o Alentejo porque nunca deixamos morrer os nossos amores, mesmo quando só de vez em quando regressamos a eles.
Regressar ao Alentejo faz-nos sentir da mesma forma quando regressamos a casas de bons amigos: sentimos a sua hospitalidade, a sua amizade, a sua beleza interior, a sua cumplicidade. Não é só as praias desertas, tranquilas e belas, é também a comida, as paisagens naturais, o seu povo. Regresso do Alentejo , mais uma vez, com a sensação de que nunca o deixamos de vez porque trazemos sempre de lá algo dentro de nós.
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