16 de julho de 2008

Alive'08 - Dia 2

Depois da emoção e da intensidade do primeiro dia, nada melhor do que um segundo dia muito mais tranquilo e mais relaxante, mas onde a animação nunca faltou.
Depois de dada a volta do costume pelas barracas das t'shirts fomos, relaxadamente, para perto do palco onde assistimos ao concerto dos Kumpania Algazarra.

Os portugueses tiveram a, sempre dificil, tarefa de abrir as hostilidades no palco principal tentando captar a atenção do público que começava a chegar e, pode-se dizer, que cumpriram essa função com distinção. A sua música onde entra a festa, a diversão, a ironia, e as boas vibrações foram como um bom aperitivo para o que se viria a passar a seguir. De repente, começamos a nos aperceber que eles estariam demasiado à vontade com o tempo e pensamos que algo de mau iria a acontecer.

Esse pressentimen
to tinha razão de ser, fomos informados que os Nouvelle Vague ficaram retidos em França e não viriam actuar, o que me entristeceu, até porque era uma das bandas que tinha muita curiosidade em ver actuar. Se a falta de comparência dos Cansei de ser sexy até foi um "mal-menor" porque deu para ver os Gogol Bordello, esta ausência viria a dar origem que estivéssemos a ver mais 40 minutos de John Butler Trio, o que se até passou bem mas preferia conhecer mais uma banda ao vivo.

O John Butler portou-se à altura, presenteando os espectadores com um grande concerto, recheado d
e boas vibrações, de improvisações, de um som bem poderoso na percussão, que grande baterista ele tem, e tudo muito relaxado. Depois da intensidade do dia anterior, nada melhor do que ouvir Butler e seus compinchas. Um bom som para este Verão.

Até que chegou o momento mais inesperado...de chapéu à cowboy, de fato, de olhar cabisbaixo, entrou Deus Dylan. O que dizer de Deus Dylan ? Foi, verdadeiramente, um concerto à medida do que eu esperava. Se havia concerto onde me havia preparado conveniente era de Dylan, através de audições dos concertos mais recentes dele, e de leitura de al
gumas criticas que me chegavam de blogs estrangeiros. Por isso, estava preparado para "aquele" concerto, para o ver só nas teclas, para "aquela" voz que pouco se percebia, para "aquelas " versões irreconhecíveis de algumas músicas, de ele não se dirigir ao público, daquela banda de grandes músicos com escola que fizeram um concerto, acima de tudo, competente. Posso dizer que um dos meus maiores sonhos da minha vida se concretizou: vi Bob Dylan ao vivo e até trouxe um poster como recordação para perpetuar esse momento no meu quarto.

O que não estava preparado era estar ao lado de fãs dos Within Temptation maquilhadas com pó de talco na cara, talvez para disfarçar o seu cérebro cheio de diarreia, a bocejarem
no concerto de Dylan e a não o respeitarem. Acabando o Dylan, como os Within Temptation não me diziam nada, afastei-me do local deixando os fãs curtirem o concerto. Mas no concerto do Dylan tive que levar com os comentários parvos das adolescentes com careta cheia de pó de talco a criticarem o Dylan. Se não gostam, afastam-se minhas pequenas cabrazinhas. Gostava de as ver no meio do concerto dos Rage, ou então a irem buscar cervejas no meio do concerto incomodando quem queria ver o espectáculo. Ia tudo pelos ares, eu levei com um liquido qualquer e tudo.

Mas, o certo, é que mesmo nada me dizendo a sua música, os Within Temptation deixaram os seus admiradores satisfeitos, até que fizeram um bom concerto. E a vocalista...sim senhor, muito gira e sensual. De facto, faltou mais vocalistas assim neste Festival.

Por fim, vieram os Buraka Som Sistema, e os concertos deles são sempre o mesmo: é só festa e dançar sem parar até ao fim . Empurrados por um público que lhes prestou uma dedicação imensa os Buraka portaram-se à altura, tendo sido pena a pequena actuação do Pacman, dos Da Weasel, esperava-se mais tempo, mas apenas cantou a " Dialectos de Ternura" e foi logo embora.



Cansados, mas ainda não vencidos, fomos dançar um pouco para a tenda do Palco Metro Stage, onde estava a actuar o DJ Sebastien. Estivemos apenas um bocadinho, mas deu para ouvir versões de canções dos Blur, da Feist, dos Gossip, entre outros. Se fossem assim as discotecas, era bem capaz de sair mais à noite. Mas, o cansaço venceu-nos e não aguentamos muito tempo tendo indo embora pouco depois. No caminho arrependemos-nos de ter ido embora naquela altura porque ouvimos uma trilogia irresistível de canções de grande bandas " Radiohead - The Strokes - Rage Against the Machine", mas o corpo fraquejava.

No dia seguinte haveria mais...

Fotos : Loot

15 de julho de 2008

Alive'08 - Dia 1

Diz o povo que não há nada como o primeiro amor. Pegando nesse provérbio diria que não houve dia como o primeiro no Festival Alive'08. Não quero dizer que os outros dias fossem maus, muito longe disso, mas o primeiro dia foi aquele onde as emoções estiveram mais ao rubro e tudo foi mais intenso, fruto de uma comunhão fantástica entre o público e as bandas que desfilavam nos palcos. Todo o ambiente estava proporcionado para a festa, o tempo ajudava, logo na entrada do recinto uma banda de rock recebíamos cantando velhos êxitos e as bandas a actuar eram todas muito poderosas. As expectativa estava altíssima e a ansiedade de tudo começar também.

Depois de eu e dos meus companheiros do Festival, a Cube e o Loot entrarmos fomos logo a correr para a tenda do Batman e ficamos desiludidos. Nem uma t'shirt se vendia ! Nem um chapéuzinho ! Nem um simples poster ! E eu que queria tanto comprar uma t'shirt do Batman. Ainda quase que trazia uma muito boa do Joker, mas não havia para o meu tamanho, era grande. Ao menos deu para trazer uma pequena recordação do Batman e a carta do Joker. Mas...queria mais.Ah...e a Cube deu-nos uma lição de coragem andando no baloiço.Vejam-na aqui.

Ainda vimos de longe o Jel a actuar, com os seus Kalashinikov num concerto "fucking bom" e sossegar o meu pai, via telemóvel, porque pensava que eu andava lá no meio do mosh. Mal ele, e eu, imaginávamos como eu iria acabar o dia...

Depois de passarmos pelo espaço muito interessante Optimus Oasis By The Do Lab onde se podia ver espectáculos circenses, dançar e ser regado por jactos de água, de vermos um bocadinho do concerto dos Galactic ( claramente, o maior erro de casting do Festival) e nos juntarmos à presença simpática e bem disposta da Maria Del Sol e do seu irmão lá fomos nós a correr para o primeiro concerto no palco secundário.

Numa tenda apinhada de gente, com muito calor à mistura, os Vampire Weekend deram um gran
de concerto com um público muito participativo, conhecedor da sua, curta mas boa, obra. O único " defeito" das músicas dos Vampire é mesmo serem curtinhas o que deu origem num concerto pequeno, mas muito intenso e a pedir por mais. Embora tenham comparações imensas com os Artic Monkeys, penso que os Vampire abrangem mais estilos musicais do que os Artic, depois desta actuação, definitivamente, além de serem uma banda que estão na moda, eles são uma das bandas com um futuro promissor à sua frente. O dia tinha começado em alta, dançando e saltando muito. Perdemos os Spiritualized, mas pelos Vampire valeu bem a pena, tendo depois ido guardar lugar para uma das bandas, por mim, mais esperadas: os The National. Apesar de terem realizado um concerto mais morno do que as outras bandas seguintes, até porque o estilo da música é completamente diferente, os norte-americanos rubricaram um concerto consistente, com muitas canções de qualidade e com um grande apoio por parte do público que os acarinhou bastante. Aliás, em Portugal as canções dos The National têm muito seguidores fieis,e foi muito giro ver o vocalista dos The National falar directamente para o " Mr. Rodrigues", um fã que lhe enviou uma carta e a qual o vocalista fez questão de a mostrar. Certamente, será um momento para recordar para esse fã. Tinha imensas expectativas deste concerto e posso dizer que consegui que elas fossem superadas.

A partir daí..." party, party, party" com os Gogol Bordello. A trupe " gipsy-punk" que subiu ao
palco, liderado pela figura castiça de Eugene Hutz que deu um espectáculo dentro do espectáculo, realizou um concerto fenomenal, cheio de animação, de festa e onde não se parou de saltar. Foi, certamente, um dos melhores concertos do Festival, e até entusiasmaram os meus pais que viam através da SIC Radical. Melhor do que dizer alguma coisa é mostrar.



E sim, eu estava lá no meio a saltar.

Depois vieram,
directamente da Suécia ( não sabia que também se rock'n'rollava tão forte na Suécia), uma grande surpresa para mim: os The Hives. Com um front-man tão provocador, tão malabarista, tão cheio de energia, e a puxar forte pelo público o concerto só poderia ser bom. Melhor, só poderia ser soberbo, porque soberbo é um dos melhores adjectivos que se possam dizer sobre o concerto dos The Hives. Fiquei surpreendido com as suas canções poderosas, com a banda a tocar sempre forte e no tempo certo. Uma banda, certamente, para seguir atentamente. Aliás, é a banda que mais rola, no momento, no meu mp3.

E depois...o momento que todos nós esperávamos. É difícil
definir o que se passou a seguir. Não tenho palavras, até porque só aqueles que lá estiveram é que sentiram o que aconteceu. A expectativa era alta, de repente as luzes apagaram-se, tocou uma sirene bem alto, a estrela vermelha subiu devagarinho, entraram os elementos dos Rage Against the Machine que começaram logo a tocar " Testify" e o que se passou a seguir, e durante a cerca de 1 hora e pouco que tocaram, compara-se a um verdadeiro furacão que passou por Oeiras.

À primeira música já me tinham tirado meia sapatilha ( ou
ténis conforme o lugar que me estiver a ler, uma private joke para a Cube), já tinha levado com qualquer liquido em cima, o pó que andava pelo ar tornava irrespirável, e já me tinha transformado quase num verdadeiro hooligan de tanto saltar e gritar a plenos pulmões palavras de ordem que o Zack de la Rocha, apesar de muito pouco comunicativo com o público, cantava. Quem diria eu, um rapazito pacato, saltava daquela maneira, mas tive mesmo de fugir do mosh até porque, sem querer, rebentaram-me o lábio, nada de especial. É o poder da música. Os Rage foi, sem dúvida, o concerto mais intenso e poderoso que por lá passou, com os elementos da banda a tocarem de foram espectacular e vibrante. Por muitos anos que viverei nunca esquecerei este concerto. Apenas tive pena de não vibrar com o meu camarada Loot, mas se eu comecei a ver o concerto na 2ª fila em frente ao palco, acabei-o quase 100 metros atrás, de tal forma que fui "levado" pela multidão e também porque fugi da confusão . Mas que foi um concerto inesquecível lá isso foi, e por muitos anos que passem nunca irei esquecer aquele concerto tão curto na sua duração mas muito intenso. Aqui fica uma pequena amostra do que se passou




Créditos - Loot - Fotos 2,3 e 4
Blog Já cheiro a samádhi- Foto 1,5,6 e vídeo dos Gogol Bordello.
Todos os nomes a azul tem um link, incluindo as bandas que tem um link para uma canção deles. Para quem não os conhece, pode ser útil.

14 de julho de 2008

A pulseira laranja


A pulseira laranja foi muito mais do que uma entrada para um Festival. Ficará para sempre guardada como um símbolo. Um símbolo de 3 dias intensos de música, de diversão, de um convívio salutar entre todos, de novas amizades, de cansaço, de saltos, muitos saltos, de palmas, de gritos, do pó espalhado pelo ar, de cantarmos todos juntos, de grandes emoções, de refrões gritados a plenos pulmões, de sorrisos, de muitos sorrisos, de palhaçada, enfim, de uma variedade de excelentes momentos passados que a memória não apagará.

A pulseira laranja ficará como uma recordação disto tudo. No coração ficam todos os actos, as palavras, os olhares, e a Amizade por todos. Obrigado a todos pelo convívio e pela diversão proporcionada nestes últimos dias.

PS: Segue reportagem dos dias do Alive'08 dentro de momentos.

Foto surripiada daqui.

O regresso

As férias tinham chegado ao fim. O 1º take já foi, o 2º vem lá mais para Setembro e este ano até poderá ter um 3º, talvez em Outubro, ou em Novembro não sei bem ainda. Tudo tinha passado, tão depressa e tão intensamente. O cansaço acumulado das emoções e de toda a atmosfera de festa e diversão já pesava imenso. O comboio rolou lento, muito lento. Tentar fechar os olhos, mas não poder. " E se o revisor aparece e me acorda", penso na vergonha. Vem o revisor. Pego no livro para tentar adormecer, mas ele consegue fazer o contrário: desperta-me. " As Benevolentes" - que livro !!! Um calhamaço, mas uma obra com uma qualidade fantástica. Deixo-me relaxar. Mando a mensagem " Estou a chegar" . Passo a ponte D. Luís e sinto os olhos a cintilar. O Porto é sempre mais bonito quando regressamos de outro lugar. Todo iluminado na sua imponência. Já cheguei. Procuro-a ansiosamente. Saio do comboio. Sorrio e vejo-a ao longe. Ela corre. Mais linda do que nunca. A crescer muito. Como ela cresceu. Cada vez mais bonita. Ela corre, corre muito e salta para cima de mim. " Káká...Que saudades.Tinha tantas saudades tuas.Tenho uma penda para ti." ergue o dedinho à boca faz um schiuuu para a avó e para a tia para não dizer nada. Sorri muito, quer pegar-me na mala. Acaricia-me com a sua mão. Quer andar de mão dada comigo. Chegamos ao carro. Sorri muito. Está ansiosa. E diz " Isto é para ti. Fiz isto para ti agora, Káká."



E aí todo o meu cansaço passa, as minhas olheiras transformam-se nuns olhos a brilhar, rejuvenesço, fico arrepiado com o seu sorriso lindo e dou-lhe um grande beijo. Foi o meu melhor regresso ao meu lugar de sempre.

7 de julho de 2008

Ora então...

Pelo menos até o dia 13. Poderão me encontrar a perder-me nas ruas de Lisboa, do Cacém ou aos saltos aqui, na companhia da Cube e do Loot. Além de conhecer malta nova, e simpática, que me acompanha aqui, como a Maria del Sol. Resta-me desejar uma boa semana para todos e despeço-me com amizade.

6 de julho de 2008

Serralves e o vinil

Ás vezes quanto mais perto estamos das coisas, menos lhe damos importância. Percorremos quilómetros e quilómetros quando, tão perto de nós, temos coisas que nem damos o valor merecido. Falo dos Jardins de Serralves, mas até mais propriamente do Museu que nunca lá tinha entrado.

Para mim, Serralves deixa-me sempre boas recordações. Foi na escola ao lado que, durante os 5 anos que a frequentei, comecei a ter as minhas primeiras descobertas de adolescente. Ali foi palco de verdadeiras descobertas e aventuras, desde saltar o muro da escola para tirar das árvores, qual Tom Sawyer, pêras e maçãs, descobrir a minha paixão pelos maracujás ( o meu fruto favorito) até, pasme-se, foi lá que comecei a dar os meus primeiros beijos inocentes. Assim meio a brincar, meio a sério, mas já foi motivo de noites mal dormidas e o certo é que já lá passei bons momentos, e mais não digo.

Por vezes, aquando da realização do " Serralves em festa" passo por lá, mas neste sábado, era imperdoável se eu deixasse passar esta exposição, fui lá ver " Vinil - Gravações e Capas de Discos de Artista " onde tem, em exposição, imensos LP's e discos em Vinil, como por exemplo estes

A colecção tem desde discos dos Beatles ( é fascinante ver a capa do " Sgt. Peppers" ou até mesmo a parte de dentro do " White Album" ), Rolling Stones, Talking Heads, Velvet Underground, John Cale, discos de poesia do Ginsberg, etc, etc.

Não sou um verdadeiro fanático pelo Vinil como objecto, cresci na altura do CD e ainda sou-lhe bastante fiel, mas é uma exposição muito curiosa porque junta a música, uma das minhas grandes paixões, e a arte em redor da música. Temos artistas como Andy Warhol ( a capa do álbum da Diana Ross é magnifica), Rauschenberg, Lichtenstein, etc. Como desconsolo, posso dizer que fiquei apenas triste por não ver nenhum do Tom Waits. Por fim, ainda temos oportunidade de ouvir alguns destes discos numa grande aparelhagem que existe por lá. E foi aí que nasceu uma curiosidade em conhecer melhor uma artista que tem lá exposto muitos discos: Laurie Anderson. Têm até ao dia 13 de Julho para verem esta exposição muito interessante.

Aproveitar para um passeio retemperador, uma vista de olhos noutra exposição ao lado, uma rápida passagem pela livraria e depois um café, ou uma bebida refrescante, na esplanada, também é uma boa ideia.

Vitória épica


Quando um jogo de ténis dura quase 5 horas, teve duas interrupções pelo meio por causa da chuva, o adjectivo para definir esse jogo é apenas um : épico. A partir daí, só apenas dá vontade de perguntar duas coisas: a primeira pergunta é : não dá para vencer os dois ? A segunda é : para quando um outro jogo assim ?

Por mim, estaria ali horas e horas a ver um jogo extraordinário como este, de dois verdadeiros campeões, dois lutadores, que sofreram muito e aguentaram a pressão psicológica e sempre fisicamente no auge parecendo estarem preparados para jogaram durante mais 5 horas.
Apesar de tudo, Rafael Nadal mereceu. Teve o jogo na mão por 3 vezes, poderia tê-lo terminado muito mais cedo, mas Federer também é um grande campeão e deu tudo por tudo. Mas vibrei com a vitória de Nadal, pelo trabalho que realizou e por ter feito um campeonato sem mácula. E logo eu que não consigo dizer qual é o meu tenista favorito dos dois e fico sempre indeciso quando jogam um contra o outro...pronto, admito que prefiro ver Nadal a vencer pela paixão que ele demonstra a jogar, mas Federer é um grandissimo campeão. Por isso deleito-me com o jogo que eles proporcionam. Definitivamente, Espanha está na moda. Olé.

PS: De facto, o que menos deu gosto de ver nesta partida foi a atitude de " menina enjoadinha e mimada da Gwen Stefani". Mais valia ter deixado o Gavin Rossdale ir ver o jogo sozinho, e ele sofreu tanto pelo Federer, e ela ter-se perdido nas compras em Wimbledon.

5 de julho de 2008

Which famous photographer are you?

Ansel Adams: Known for large scale silver gelatin landscapes especially of Yosemite National Park

"Sometimes I do get to places just when God's ready to have somebody click the shutter."

Personality Test Results

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3 de julho de 2008

Um bom disco de Verão

Afinal, em Portugal, há muita boa gente que faz música bem agradável. E, em alguns casos, muito melhor do que anda a rodar nas playlists das rádios portuguesas com os mesmos artistas, e canções, de sempre.

A compilação " Novos Talentos Fnac 2008" , organizada pelo maior divulgador da música portuguesa na rádio, Henrique Amaro da Antena 3, mostra isso mesmo, que é necessário mais divulgação a alguns grupos que andam por aí perdidos.

Dividida em 2 cd's, o primeiro CD é mais na onda " pop/rock/folk" ( definitivamente o folk/pop está na moda ) o segundo é mais "dançável", a compilação está muito bem concebida e existem, pelo meio, canções maravilhosas que merecem algo mais do que o anonimato, e depois ainda ficamos curiosos para ver o futuro de algumas carreiras musicais de grupos, até então, desconhecidos do " grande público".

Por uma questão do meu gosto pessoal, o primeiro CD é o que tem mais rolado, quer no mp3, quer no carro, e posso dizer que é-me muito dificil escolher uma música favorita, já que, me parece, extremamente equilibrado e de grande qualidade.

Desde os The Guys from the Caravan ( vão andar pelas Fnac aqui em cima, vou tentar os espreitar), passando pelo Walter Benjamim ( descobrir mais da carreira dele, é urgente p.f.), Minta ( que belíssima voz, que belissima canção digna de uma Joanna Newson...), Madame Godard ( os mais "experientes" ), The Portugals ( que nome mais estúpido para banda ), Os Pontos Negros ( que letra mais divertida, parece aquelas bandas de liceu), Tiguana Bibles e Os Tornados( Tarantino iria gostar destas duas canções que mais parecem saídas da banda sonora do " Death Proof" ), Rodriguez, Os Pontos Negros, Anaquim ( Ornatos Violeta sempre a influenciar grupos que cantam em português), Andrew Thorn ( na senda de uns Wray Gunn), etc.

O mais trabalhoso vai ser descobrir mais coisas das carreiras destes artistas, mas, para mim, é sempre uma alegria descobrir boa música e ainda por cima tão pertinho de nós, isto apesar de, uma primeira espreitadela pelo MySpace de muitos deles, verifiquei que a maior parte são de Lisboa.

Quanto ao 2º CD, ainda não o ouvi com a atenção devida, embora me apercebesse que o estilo, em geral, não é daqueles que mais oiço, a não ser em saídas à noite.

São apenas € 4, a receita é para dar à AMI, encontram-se na FNAC mais cd's para se venderem, é um bom disco de Verão e de música portuguesa que vale bem a pena comprar.

1 de julho de 2008

Dias de Verão

É tempo de passear à beira do mar respirando a sua maresia. De pedrinhas de areia no meio dos livros. De beber sangria fresca. De andar descalço. De andar sempre de calções. De conversas até altas horas da madrugada. De sentir o sal no corpo. De ver a Eva Longoria a anunciar gelados. De inspirarmos-nos com o pôr de sol. Da sesta saborosa depois do almoço. Dos piqueniques de família. Do Magnum Sandwich. Das longas caminhadas sem destino. De comer melancia. De andar sem relógio. De ouvir Lhasa de Sela ao fim da tarde acompanhado de uma boa bebida fresca. De sardinhadas. De sorrir. Bem, de sorrir não, isso tem de ser sempre e não só no Verão. De repousar o corpo em qualquer lugar. De nadar muito. De jogar Cruzadex. De amores de Verão. De sorrisos malandros. De olhares cruzados. Da pele morena. De ler em qualquer lugar e de qualquer maneira. Do telemóvel em silêncio. De cantar alto no carro com as janelas todas abertas. De groselha gelhada com leite. De deitar tarde. De concertos ao ar livre. De beber o café na esplanada...

Viva as férias de Verão. As minhas já cá estão, apesar de serem apenas duas semaninhas. Vai servir para descansar, mudar de hábitos e rotinas já instaladas, descontrair um bocadinho e , tentar, divertir-me muito. Também serão férias para ir ao Alive e conhecer malta simpática que por aqui anda.

29 de junho de 2008

Tédio

Há sinos que tocam na minha cabeça,
para que eu ouça o azul. Mas não quero
este angelus sem fim, e ato as nuvens
brancas do verão com um laço
de treva para as deitar para o lixo,
esperando que uma reciclagem
de metáforas as transforme em verso.
É como se o poema avançasse num
tampo de mesa, e as suas estrofes tivessem
como único limite os rebordos onde pouso
o cotovelo. Ouço-o, por entre o murmúrio
de conversas do café onde espero
que o tempo chegue; e a sua luz
desfaz-se nos meus olhos.
A quem irei contar a minha história? Os
dias sem princípio nem fim? A porta
que deixei encostada, e ninguém
abriu? O sonho que secou nos vidros
da janela? Um coágulo de palavras
na ferida das frases? O licor do desejo
no copo vazio do amor?
( Nuno Júdice)

26 de junho de 2008

Os próximos Campeões da Europa


Aposto numa vitória por 2 a 1, após prolongamento. Aposto num jogo não muito espectacular, mas tacticamente aposto num jogo fantástico. Se a Alemanha é a equipa mais eficiente, a Espanha é a equipa mais completa, com maiores e melhores soluções e junta o espectáculo à eficácia. Homem do jogo vai ser Marcos Senna. E Fernando Torres vai dar a vitória para que os comentadores da TVI o elogiem uma só vez neste Euro ( para eles, só o Nuno Gomes é que trabalhava muito). E eu estou a torcer por eles.

" Fazes-me falta " de Inês Pedrosa

Será que merecemos viver com a culpa de não termos dito " aquelas palavras " naquele momento onde elas deveriam serem ditas, de não termos mostrado todos os nossos sentimentos às outras pessoas, de não termos tido coragem de ter feito aquele gesto que ficou perdido no ar, de não sabermos como amar na sua plenitude, porque, talvez, fica sempre algo esquecido ? Porquê fica sempre algo por dizer /fazer e só quando uma pessoa se separa é que tem essa noção ?

"Arrumei os amores, é a primeira regra da vida - saber arquivá-los, entendê-los, contá-los, esquecê-los. Mas ninguém nos diz como se sobrevive ao murchar de um sentimento que não murcha. "

Duas vozes. Duas gerações. Um homem vivo. Uma mulher morta. Uma separação,abrupta e estúpida como só a morte pode dar. Mesmo, na altura, quando a vida tinha tanto para lhes dar aos dois. Duas vidas separadas e dois sentimentos comuns: a amizade e o amor.

" Não importa o que se ama. Importa a matéria desse amor. As sucessivas camadas de vida que se atiram para dentro desse amor. As palavras são só um princípio - nem sequer o príncipio. Porque no amor os princípios, os meios, os fins são apenas fragmentos de uma história que continua para lá dela, antes e depois do sangue breve de uma vida. Tudo serve a essa obsessão de verdade a que chamamos amor. O sujo, a luz, o áspero, o macio, a falha, a persistência. "


Um romance delicioso, que se lê com prazer, negro como negra é a vida quando nos falta alguém de que gostamos, e de quem sentimos falta, mas onde está escondido no meio das suas palavras intensas a luz perfeita para compreendermos melhor o que são as relações humanas.

" Trago-te no riso enterrado, nas lágrimas que me lançaste, escadas de incêndio para a sabedoria da felicidade, na pele escaldada pelo brilho da noite, depois do mar. Falámos demasiado para que eu recorde do que falámos, vivemos demasiadas vidas para que eu possa separar. Para que eu me possa separar de ti. "

25 de junho de 2008

Schöne Deutschland

A Alemanha está na final do Euro. Merecido ou não, para mim, é a equipa mais "equipa" deste Euro, conjuntamente com a Espanha ( poderá ser uma final menos espectacular mas muito mais agradável tacticamente, se a Rússia não pregar uma partida). Aquele colectivo funciona sempre, é como o algodão, mesmo quando pensamos que a outra equipa está a dominar.Eles dão a bola ao adversário e quando se começa a pensar que eles podem sofrer um golo, puro engano, aceleram o seu jogo e resulta ou numa oportunidade flagrante de golo ou mesmo um golo. Até a sorte que os está a acompanhar é de campeões.

Nunca nutri muita simpatia pela Alemanha como país, mas confesso que queria que eles fossem à final, embora, politicamente, seria engraçado ver como é que a Europa reagia se um país onde ainda hoje se discute se poderá entrar ou não para a União Europeia fosse campeão europeu. Era o futebol a vencer, como sempre, os preconceitos da politica.

Mas a Alemanha mereceu pelo futebol eficiente que apresenta ( ali não pensam que são os melhores do mundo, mas jogam como se fossem, sem trivelas, fintas de corpo e passes de calcanhar), por Ballack que tem feito um Euro bárbaro tacticamente, por Schweinsteiger que não diz que é o melhor do mundo, por Podolski que é um regalo vê-lo jogar, porque tem Klose um verdadeiro matador, porque tem um treinador que percebe de fut
ebol e, ao que segundo sei, não precisa motivar jogadores com bilhetinhos debaixo das portas, nem com as cançonetas de um cantor pimba qualquer alemão, porque tem um guarda-redes que até sofre golos de olhos abertos ( não resisti... )mas acima de tudo, porque é, por aquilo que tenho visto, a selecção com as adeptas mais bonitas do Euro.



Schöne Deutschland

Biba o S. João, carago !!!

Embora pense que à medida que a idade vai avançando vamos vivendo estas festividades de forma diferente, a noitada de S. João é sempre especial. Pela parte que me toca, a véspera de S. João é um dos dias mais especiais do ano, visto que é o aniversário da, maravilhosa, mulher que me gerou e me trouxe no seu ventre durante 9 meses e me atura à 27 anos.

Mas, diria eu, a noite de S. João é sempre vivida com muitos sorrisos, muita folia, muita música ( a maior parte de qualidade duvidosa, mas já se está a começar a ouvir coisas melhores) muitas brincadeiras,muitas marteladas e momentos divertidos. Depois há a sardinha assada, o entrecosto, as sobremesas, a cerveja, os cachorros ou as bifanas, enfim, uma variedade de coisas e de momentos que dão a alegria ao povo,sempre disposto a se divertir e esquecer as coisas negativas da vida.

Mas parece que a festa do S. João está mudada. A chuva atrapalhou, e muito. E a variedade de oferta é imensa ,o que origina a que o povo se espalhe pela cidade inteira. Ou foi impressão minha, ou foi o ano em que me cruzei com menos gente, ao ponto de passar por locais completamente vazios.
Provavelmente, poderei ter escolhido os sítios errados, mas o certo é que no ano passado fiz o mesmo trajecto e nem se comparava com este ano.

Outros tempos, outras formas de viver a festa e também, como disse atrás, a irritante chuva não ajudou em nada. E agora também não se anda a pé, vai-se de metro. O povo, talvez, aburguesou-se. Mas valeu, sobretudo, por alguns momentos bem passados, por tudo de bom o que referi atrás, e por ter surgido uma vontade enorme de voltar a ver um dos melhores grupos portugueses, os Rádio Macau. Apenas espreitei, e muito brevemente, o concerto que deram na Praça da Casa da Música, mas ainda deu para ouvir uma das
históricas, e melhores, músicas deles. Irei estar mais atento à sua digressão para ver se voltam a passar por aqui. O que vi, apesar de curto, deu para nascer água na boca para os ver ao vivo com mais atenção.

Quanto ao S. João...para o ano há mais.


20 de junho de 2008

Pausa para publicidade



Desculpem...mas não consegui resistir.

Onde é que já viu isto ??? Assim não quero !!!


Zacarias, seu ingrato. Meu mentiroso, só ias ao Kassequel e foste morrer, meu camarada. Nem avisas o pessoal. Nem pagaste uma rodada de cerveja à malta antes de ires, pá. Isso faz-se ???

A parte que mais gosto deste anúncio é " se morrer é assim deixa estar", como quer dizer, " fica aí, no teu lugarzinho que aqui é que se está bem, não te chateies ". Além disso ser atropelado por um camião carregado de farinha de trigo deve ser chato, se fosse um camião com cimento era bem melhor.

Isto tudo faz-me lembrar de uma história, juro que é verdade, de uma pessoa que foi ao meu trabalho e depois de alguns minutos de conversa, da treta como eu costumo dizer, disse-nos " Ai é verdade. Olhem...morreu a minha mulher !!! Eh pá !!! Eu até fiquei chateado." Ao menos que tenha morrido depois do jantar, antes é que era chato, apeteceu-me dizer-lhe.


Podem descobrir mais outras pérolas da vida real neste blog.

18 de junho de 2008

A essência do mal

"É extraordinário como um ser humano reage da mesma maneira que o cão do vizinho "

Se algum dia, um sábio chegasse à minha beira e me perguntasse quais seriam as perguntas que mais gostava de serem respon
didas, eu não hesitaria e perguntava logo : o que leva ao ser humano fazer o mal ? E o que leva o ser humano fazer o bem ?

Mas é, essencialmente, no que leva a fazer o mal que mais tenho curiosidade em tentar compreender. O que leva alguém a fazer mal aos outros, fazer coisas, por vezes tenebrosas, a outras pessoas apenas e só por razões fúteis, ás vezes, só mesmo por diferença de opinião, e depois continuar a viver a sua vida naturalmente.

É por isso que os livros que mais quero ler são " As Benevolentes" de Jonathan Littell, que conta a história de um oficial nazi, que pratica o mal, mas sempre sem arrependimento e ainda por cima tem gostos culturais dos mais nobres possíveis, e também a biografia de Mengele, o médico oficial nazi que fazia experiências cientificas tenebrosas com os judeus, principalmente com os gémeos. Já agora, se alguém quiser acrescentar um livro, dentro da mesma perspectiva, ou seja da perspectiva de tentar compreender o mal, até numa vertente sociológica, esteja à vontade.

Falo disto, porque, nesta Feira do Livro que terminei, comprei, a preço de saldo, um livro onde tem muito a haver com aquilo que falei. O livro é este


" Maus " é uma BD fabulosa, da autoria de Art Spiegelman, e conta a história de um judeu que sobrevive à 2ª Guerra Mundial, que esteve em Auschwitz ( aqui traduzido para Mauschwitz) e que conta a história da sua vida ao seu filho
Mas, e é aqui que reside a magia da obra, os judeus são retratados como ratos e os nazis como gatos . Ou seja, vemos gatos a maltratar ratos, e como o rato é por si só uma animal repelente, ficamos incomodados. Este é daqueles livros que incomoda mesmo, que mexe connosco, já ver ratos é horrível, então a vê-los sofrer ainda mais, por isso, a sua mensagem passa de forma brilhante.


Tem um argumento muito bem conseguído, a frase em cima é deste mesmo livro, graficamente é muito bom, apesar de os desenhos até serem simples.

O livro que comprei é apenas a 2ª parte, na altura em que comprei não me apercebi que teria uma primeira, por isso vou ter de a comprar, mas, mesmo que tenha tido acesso à história completa, deu para ficar um enorme fã desta BD. Aconselhável a toda a gente, quer gostem de BD ou não.

16 de junho de 2008

16 de Junho de 1981

O meu começo de vida.
O
meu primeiro sopro.
Um nascer de muitos sonhos.

Vejo que uns ainda estão por concretizar, outros já estão concretizados.
Os por concretizar, existe no interior de mim uma força para tentar lutar por eles. Para tentar ir até ao fim e não deixá-los abandonados na Ilha do Desconhecido, mesmo que, ás vezes, eles estejam abandonados nas garras do Esquecimento.
Aqueles já concretizados servirão sempre para servir de recordações afim de me devolverem um sorriso sempre que necessitar dele.

O meu primeiro grito.
Minhas primeiras lágrimas.
Meus primeiros gestos.

A quem dei a mão pela primeira vez ? Gesto único. Dar a mão a alguém. Unir um corpo ao outro, como se fosse um só. Passar um dedo pela outra mão, acendendo desejos ou acariciar a palma da mão, afastando os dedos longos, desenhando um futuro a dois.

A quem primeiro olhei, olhos nos olhos ? Quem olhei primeiro no fundo, tentando descobrir se a sua alma era mesmo aquilo que os seus olhos demonstravam. Uma das minhas dúvidas eternas " será que a minha alma é aquilo que os meus olhos mostram ? ".

Já lá vão 27 anos que comecei a viver neste mundo. Tentando compreender a vida, ou, por vezes, tentando viver compreendendo o que a vida quer de mim.

" Sou isto, assim desde o início, serei certamente isto até ao fim. Quando? Que esquisito haver fim "- António Lobo Antunes

14 de junho de 2008

Good vibrations

Porque é fim de semana, e espera-se a continuação de sol e muito calor, a puxar uma bebida geladinha, uma esplanada ou até um sitio recatado para contemplarmos o mar, ou tudo o que de bom o sol trás. Porque é tempo de músicas descontraídas e de boas vibrações, e é tempo de se começar a ouvir Bob Marley em todo o lado para onde se vai. Mas não é Bob Marley que irei postar aqui, mas sim um dos seus maiores seguidores, embora com um estilo um pouco diferente, que irei ver ao vivo pela 2ª vez, mas desta vez incluído neste festival : Mr. Ben Harper




" Another day, another chance to get it right
Must i still be learning..."

Bom fim de semana e que as boas vibrações estejam convosco.

13 de junho de 2008

120 anos de genialidade


Se, depois de eu morrer...

Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas --- a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus.

Sou fácil de definir.
Vi como um danado.
Amei as coisas sem sentimentalidade nenhuma.
Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.
Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.
Compreendi que as coisas são reais e todas diferentes umas das outras;
Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.
Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais.
Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.
Fechei os olhos e dormi.
Além disso fui o único poeta da Natureza.( Alberto Caeiro, heterónimo de Fernando Pessoa )


À 120 anos atrás nascia Fernando Pessoa, o maior poeta português . Veja algumas das comemorações desta efeméride, um pouco por todo o país, aqui.

11 de junho de 2008

Foi um fim de semana alargado, com direito a ponte e tudo, a cheirar a férias, que estão quase aí. Foi quase tudo perfeito, com muito sol e calor à mistura, deu para desanuviar a cabeça, descansar um bocadinho mais, ganhar um pouquinho de cor, tirar os calções da gaveta, passear à beira-mar, fazer compras a pensar no Verão, dar uma volta pela Feira do Livro tranquilamente, não pensar em trabalho, ver o tempo a passar, tudo muito tranquilo e sem preocupações de horários e outras coisas.

Foi como um bálsamo nesta vida sempre muito agitada e recheada de compromissos, de trabalho, de pressão e de responsabilidades.

E depois houve a música...sempre há a música, em qualquer altura, em qualquer lugar, mas desta vez foi um projecto musical português a marcar passo nestas "mini-férias ". Já tinha ouvido falar muito bem deles, mas nunca tinha ouvido atentamente a sua obra musical. Sei que já editaram três álbuns, e que o terceiro é mesmo recente, mas foi mesmo pelo primeiro que comecei a me encantar com a sua música. Tem a poesia de grandes escritores, o sentimento do fado e a irreverencia da música electrónica. E também li o seu blog com muitas fotografias fabulosas e boas criticas sobre as suas actuações ao vivo.

O álbum que demonstrou ser a companhia ideal para este fim de semana foi este


Uma das músicas mais bonitas, com letra magnifica, saída da pena do grande escritor José Luís Peixoto, está ali no cantinho. Quanto a fins de semana alargados...para a semana há mais.

8 de junho de 2008

Do rien dos dias

" Passo os dias na demanda do nada - rien - que isso cria. A minha função consiste em dar forma a esse vazio,a esse rien" - Debussy

5 de junho de 2008

A televisão


"Acho a televisão muito educativa. Toda as vezes que alguém liga o aparelho, vou para outra sala e leio um livro." - Groucho Marx

3 de junho de 2008

Dos desafios da vida

A vida, ás vezes, traz-nos alguns desafios que temos mesmo de vencer. Os desafios mais importantes são aqueles em que a própria vida depende, em que a nossa sobrevivência está em causa. São nessas alturas em que vemos as nossas forças e daquilo que somos capazes.

" Pois é amigo. Tratei-o primeiro antes que ele me tratasse a mim." Foi assim que, numa mistura de euforia e gritos de contentamento que soube a noticia que mais queria nos últimos tempos: um grande, e verdadeiro, Amigo, que por acaso é meu chefe, ficou a saber que conseguiu debelar definitivamente um cancro na garganta.

Na verdade, eu penso que ele ganhou o Euromilhões, porque aquilo foi mais um "principio" de cancro, ele detectou muito no inicio, acabando por ser a sua salvação, já que o modo de vida que levava não era o ideal, 2 maços de tabaco por dia mais álcool, e, segundo o que li, aquilo passa logo para o sangue sendo depois um instante para se espalhar, por isso ele teve uma sorte imensa em conseguir ir a tempo mesmo no inicio. No espaço de 2 meses,2 meses e meio, começou a sentir os sintomas, foi ao médico, detectaram um coisa na epiglote, depois essa coisa, afinal, era um tumor maligno, posteriormente, foi operado a lazer, recuperou, começou a trabalhar normalmente e hoje soube a noticia que tinha vencido a doença. Isto sem ser cortado na garganta, sem ficar com a voz afectada, sem fazer radioterapia ou quimioteria, e apenas ter emagrecido um bocadinho além de ter, obrigatoriamente, deixado de fumar .

Durante estes meses, houveram coisas que ele me disse que jamais irei esquecer, a sua confiança em mim, quase cega ao ponto de me dizer que eu iria ser a voz dele se ele ficasse sem ela uma coisa que me emocionou muito, quase a pedir que o ajude nesta luta, e ser amigo é também ajudar, é também amparar quando eles necessitam. Recordo os momentos mais difíceis, aqueles momentos a seguir quando ele soube o que era a doença, hoje são apenas recordações más, mas que nunca esquecerei algumas palavras ditas por ele . Depois aquela força imensa e a vontade de vencer a doença foi como um lição para o futuro. Foi a pessoa que teve mais força e era incrível como ele continuava a trabalhar normalmente como se nada fosse.

Agora, é uma nova vida pela frente, é encarar a vida com um sorriso bem largo e, ainda por cima está a dias de ser avô pela primeira vez ( e já apostei com ele que iria nascer no dia do meu aniversário) além de gozar a felicidade merecida ao lado da pessoa que encontrou, depois de um casamento falhado.

No fundo, a vida é isto, são desafios atrás de desafios, uns ganhamos outros perdemos, mas todos esses desafios não são nada quando comparados com os desafios onde depende a nossa estadia por este mundo.

2 de junho de 2008

Fui desafiado...

Gosto que a vida me traga muitos desafios, gosto que me desafiem para ver até que ponto sou capaz de ultrapassar as dificuldades que vida nos traz. Acho que o maior desafio que me foi colocado foi mesmo, numa cama de um hospital, por terras de Eça de Queiroz, à 26 anos (...quase quase 27, como o tempo passa) pelos meus pais que me desafiaram a viver neste mundo, tentando ultrapassar as vicissitudes da vida. Pelo menos, penso que tenho cumprido, embora me falte vencer noutros campos, mas isso é outra coisa, provavelmente não tenho feito o suficiente para isso, ou digamos que ainda não fui suficientemente desafiado para tal...

O desafio foi-me posto pela Maria Del Sol, e é claro, não posso recusar um desafio feito por ela. Ele consiste em escrever uma frase o mais curta possível, na medida certa 6 palavras, que me tentasse definir, acompanhada duma imagem que reflectisse a minha vida.

A primeira definição que aqui aparece de mim, é que sou um rebelde sem causa, porque a frase que guia a minha vida não tem 6 palavras, mas sim 14, e duas virgulas, o que quer dizer que ainda existem coisas por resolvar na minha vida. Poderia tentar frases mais curtas e mais bonitas, mas como o desafio é dizer uma coisa que me define, eu, desde que li esta frase, não tenho feito outra coisa do que fazer o que ela me diz. E depois tenho que deixar a minha marca nos desafios que faço,outra característica minha.
A outra coisa é que a imagem é, de facto,
fraquinha, embora com uma vénia ao autor, mas eu não tenho um conhecimento de arte assim tão vasto como a menina Maria del Sol. Ou seja, quando digo fraquinha, digo que não tem a poesia da imagem da Maria Del Sol, mas tem muito de mim e até está bem desenhada.

Provavelmente, arranjaria uma imagem melhor mas como ela desafiou-me, não poderia estar eternamente à minha espera, e para não fazer uma pesquisa mais aturada, resolvi postar a imagem que tenho mais à mão. Outra das características minhas, sou muito indeciso, o que me leva a decidir muito tempo, ás vezes leva-me também a perder muitas coisas .Mas, prometo, que à medida que vou vendo imagens que me influenciem, eu vou postando por aqui. Aliás, tenho feito mesmo isso, tenho coleccionado imagens mas tenho de ter mais tempo para escrever.

Já agora, estão todos desafiados para fazerem o mesmo nos vossos blogs, ou nos comentários, quem quiser esteja à vontade.
Assim sendo, aqui fica a minha contribuição para o desafio.


" Procure viver de tal maneira que, ao morrer, até o agente funerário fique triste." - Mark Twain

Ilustração-Rui Ricardo

30 de maio de 2008

A minha canção do momento



" And darling take my hand
And lead me through the dark
Let's kidnap each other
And start singing our song

'Cause my heart is charged now
Oh, it's dancing in my chest
And I fly and I walk out
From the spell in that kiss.

Oh darling let me dream
Cause somewhere inside me
I have been waiting
So patiently
For you.
"

Parece que a artista em causa esteve ontem em Aveiro e hoje vai estar em Lisboa.

Pode-se dizer que não a descobri a tempo...

29 de maio de 2008

Ainda sobre o post anterior

Porque na sociedade portuguesa actual, o medo, a reverência, o respeito temeroso, a passividade perante as instituições e os homens supostos deterem e dispensarem o poder-saber não foram ainda quebrados por novas forças de expressão e liberdade.
Numa palavra, o Portugal democrático de hoje é ainda uma sociedade de medo. É o medo que impede a crítica. Vivemos numa sociedade sem espírito crítico – que só nasce quando os interesses da comunidade prevalecem sobre o dos grupos e das pessoas privadas. - José Gil in " Portugal Hoje, o Medo de Existir"

Tenho mesmo de comprar este livro. Urgente para eu compreender um país, e um povo, que se entretêm com coisas menores e não consegue agir com as coisas que mexem com a sua vida. O povo está tão manietado, tão controlado pelo " sistema", que não consegue agir e, pior do que isso, não quer agir, está tão inebriado com estas pequenas coisas que nem liga ao essencial. Encolhe-se os ombros e quem disser mal é olhado de lado para se chegar à conclusão que nada se pode fazer e "...é o país que temos." E o futebol, e neste caso especifico a selecção, é o retrato fiel do país que temos, recheado de parolices mas com a mania que são elites. Não se pode criticar nada, tem de se apoiar mesmo que não concorde com as opções ( então se eu critico coisas no meu clube, que escolhi pelo coração e que sinto muito mais, porquê não posso criticar um raio de um país onde eu nem escolhi para nascer ?), temos de levar com noticiários televisivos de 1 hora e meia com mais 40 minutos a falarem de coisas inócuas sobre a selecção, é a publicidade a coisas incríveis
com os símbolos nacionais ( só falta publicidade aos pensos higiénicos preferidos para conquistar o Cristiano Ronaldo), um país onde é cada vez está mais dificil de se viver, os preços a aumentarem vertiginosamente, e o povo fica entretido com isto tudo, não sabe separar as águas.
E eu sou um fanático de futebol, mas cansa-me ver tudo isto, parece que a vida é só futebol, cansa-me ver, até noticias do meu clube, a abrirem os telejornais, e depois ai de quem critique a selecção. Tinha prometido a mim mesmo não falar mais da selecção, que é uma coisa que, à medida do tempo, fui perdendo o gosto e perdi a minha identificação com ela. Assumo que já lá vai o tempo que vibrei muito com esta mesma selecção, deste mesmo selecionador apesar de tudo, mas neste Euro nem vontade de ver os jogos eu sinto, porque me cansei de toda esta " futebolização da sociedade portuguesa" e toda esta amnistia às criticas só porque temos de fazer parte do rebanho e não podemos ser a ovelha negra. Mas liberdade de expressão também é poder criticar o que está mal e se calhar até festejar os golos. Já diria António Lobo Antunes que " este país é um país de uma nota só. Uma singela e solitária nota musical: o dó".

Mas fica aqui outra reflexão de ser português, feita nos inícios do século passado.

" Tão regrada, regular e organizada é a vida social portuguesa que mais parece que somos um exército do que uma nação de gente com existências individuais. Nunca o português tem uma acção sua, quebrando com o meio, virando as costas aos vizinhos. Age sempre em grupo, sente sempre em grupo. Está sempre à espera dos outros para tudo. E quando por milagre de desnacionalização temporária pratica a traição à Pátria de ter um gesto, um pensamento ou um sentimento independente, a sua audácia nunca é completa porque não tira os olhos dos outros, nem a sua atenção das suas criticas. "

Alguém sabe quem disse isto ? Dão-se alvissaras.


27 de maio de 2008

Pergunta ( nada) inocente .

Depois do apoio deste artista e depois desta promessa, quem será o próximo a se juntar neste circo de apoio à selecção ? Eu aposto neste(a)( riscar o que não interessa.)

26 de maio de 2008

Um domingo pela amizade

Conforme digo no post anterior, neste domingo fui a um convívio de 38 amigos, tudo em nome da nossa amizade e que correu muito bem.
Foi um dia de recordações, umas velhas, outras mais recentes, mas que valeu bem a pena e foi um dia muito bem passado e divertido. De incerteza no tempo, mas, felizmente, não choveu.

Depois de um jogo de futebol que se realizou num campo completamente enlameado, nada melhor do que repor energias com a melhor vitela assada que comi em toda a minha vida. Depois ainda veio para a mesa, boi na brasa de uma qualidade fenomenal, como só existe no Interior deste país, neste caso, na bonita localidade de Cabeceiras de Basto. E isto sem contar com umas rabanadas encharcadas em mel, que foram servidas como sobremesa. Nada como ir ao Interior descobrir o prazer de comer bem.

Depois Penha, em Guimarães. Aconselhável para casais que queiram passar bons momentos, ou simplesmente, para um passeio em família, descendo, ou subindo, o desfiladeiro, passando no meio de grutas e depois andar no teleférico. Uma sensação divertidíssima, e, para quem tem assim um pouco de receio das alturas como eu, sem qualquer tipo de medo. E o que ficou por descobrir, porque aquilo é um sitio que se deve levar tempo, muito tempo. Um dia é para ir lá voltar, de certeza. Aconselhável para quem não conhece. Para o ano há mais.

25 de maio de 2008

O último domingo de Maio

Se existe um dia marcado no calendário onde já tenho algo programado para fazer, esse dia é o último domingo de Maio.
É em nome da amizade entre todos, e numa tradição que já vem de alguns anos, é a minha 7ª ou 8ª participação, que 38 amigos, uns de longa data outros mais recentes, outros familiares, de todas as idades, se juntam num convívio anual sempre animado, regados com boa disposição, diversão, muita comida, alguma bebida e o jogo de futebol da praxe neste tipo de convívios.Para alguns é a única vez que se encontram durante o ano.

Este ano o local escolhido para o repasto será o regresso a Cabeceiras de Basto, com paragens em Guimarães, para o pequeno-almoço, Alvite, para o jogo de futebol (
Logo agora tive de estar duas semanas parado por causa do que me aconteceu, este ano estava em super-forma, vamos a ver se me sinto bem .), depois vamos almoçar a Cabeceiras e no regresso paramos na Penha para um passeio de tarde. Diz que alguém vai andar de teleférico, isto se ele não for muito alto. Um convívio salutar que se prevê divertido e a certeza de um domingo bem passado.

23 de maio de 2008

O Sabor do Amor


Tem um beijo que vai ser responsável por muitos torcicolos de casais apaixonados, por esse mundo afora. Tem uma banda-sonora tão sedutoramente bela e sensual como as suas intervenientes. Tem, em momentos, uma lentidão poética, daquelas que paramos para ler/reler aquela palavra mágica que está escrita num poema. Tem frases que correm o risco de serem eternas. Tem histórias simples, de encontros e desencontros, de portas abertas e portas fechadas, de solidões desesperadas, ou apenas de companhias desejadas e na sua busca incessante. Tudo aquilo poderia ser a nossa própria vida. No fundo, ele poderia ser um retrato da nossa própria vida. Um belo retrato da nossa vida, apesar de tudo.

Além de ter uma tarte de mirtilo que vai ser, a partir de agora, o doce predilecto de alguns casais. Se bem, que eu preferia uma baba de camelo.


20 de maio de 2008

Um Rino nada amoroso

Tudo começou na quinta-feira passada. Dores, imensas, no corpo, congestionamento nasal pior do que a Ponte da Arrábida em horas de ponta, dores de cabeça, voz de fazer inveja a Johnny Cash, fraqueza, muita fraqueza. " Estás a chocar gripe !!! " clamavam a 7 ventos. " Toma 2 Ilvico, leite quente, cama, isso passa".
Sexta-feira, dores no corpo desaparecem, congestionamento nasal na mesma provocando dores na cabeça. Sábado,domingo e nada passa. Nariz incha, cabeça pesa, olhos de doente, lábios rebentados com se tivesse 40 graus de febre ( e o certo é que ela deve ter passado por mim, sem eu dar por isso) e aquele botãozinho no cérebro que diz on/off, sempre intermitente, porque temos de estar bons no trabalho. Mas mais off do que on. É altura da decisão. Otorrinolaringologia é a especialidade. Exame para aqui, exame para ali.

Diagnóstico final: Rinossinusite .

Solução: caixas de antibióticos, aplicadores nasais, água do mar esterilizada e " temos de descansar porque amanhã tenho de estar pronto para o trabalho" .


E a vontade de nada fazer continua...

16 de maio de 2008

Planos para o fim de semana


Começou, muito forte, ontem, continuou hoje e, ou é impressão minha, ou penso que o meu fim de semana vai ser assim