José Saramago e Sebastião Salgado. Dois génios maiores nas suas formas de fazer arte. Um cria mundos através das suas palavras. O outro mostra o mundo pela lente da sua câmara fotográfica. Alguém juntou, brilhantemente, digo eu, as palavras, acertadas, de Saramago com as imagens, belíssimas, de Salgado. E ficou assim...
15 de maio de 2008
12 de maio de 2008
O rapaz do pijama às riscas
Era uma vez um menino que se chamava Bruno. O pai dele tinha em emprego muito importante, era um soldado muito conceituado e cujo seu valor o chefe, um senhor com um bigodinho ridículo que se chamava Fúria, reconhecia e tinha grandes planos para o seu futuro. Um dia mudou de casa. Saiu de Berlim, onde adorava brincar com três amigos no jardim e escorregar pelo corrimão da sua grande casa. O sitio para onde mudou chamava-se Acho-Vil. Bruno não gostava de viver ali, sentia-se sempre muito só, mas um dia ele quis explorar esse sitio, o sonho dele era ser explorador, e viu "um pontinho que se transformou numa mancha que se transformou num vulto que se transformou num rapaz ". E esse rapaz tinha um pijama às riscas. Assim como muitas outras pessoas que lá viviam com esse rapaz. Ele chamava-se Shmuel, um nome que " parece o vento a soprar". Bruno e Shmuel ficaram amigos e juntos querem partilhar uma aventura...

Qualquer descrição que tente fazer, nunca conseguirei transmitir com exactidão a imensa beleza que este livro tem nas suas páginas. Aliás, como diz na parte de trás " esta é uma história especial e muito dificil de descrever. " Posso acrescentar que Fúria é sinónimo de Fuhrer, e que Acho-vil é sinónimo de Auschwitz, o que já desvenda um pouco mais daquilo que vamos encontrar neste maravilhoso livro que se lê num só fôlego, mas pedindo por mais.
A visão do narrador é-nos transmitida de forma simplificada, como se fosse dirigida a crianças, aliás a colecção onde este livro está inserido é mesmo numa colecção destinada para crianças, mas é um livro para todas as idades e que deveria ser lido por toda a gente.
É um livro com um final um pouco amargo, mas com uma lição para a vida, que mais parece ser uma ópera-trágica, ou talvez uma peça de teatro dramática, penso até que seria uma história que iria resultar bem em cima de um palco. Espero que alguém tenha a ideia de transformar isto numa peça de teatro, ou num filme porque histórias destas merecem serem eternizadas no tempo de todas as maneiras.
Naquelas páginas cujo tempo nunca irá apagar a sua beleza, estão inscritas palavras que merecem serem lidas, relidas, guardadas para sempre, passadas entre gerações e nunca esquecidas tudo porque "... nada poderá voltar a acontecer. Não nos dias de hoje, não na época em que vivemos".
A visão do narrador é-nos transmitida de forma simplificada, como se fosse dirigida a crianças, aliás a colecção onde este livro está inserido é mesmo numa colecção destinada para crianças, mas é um livro para todas as idades e que deveria ser lido por toda a gente.
É um livro com um final um pouco amargo, mas com uma lição para a vida, que mais parece ser uma ópera-trágica, ou talvez uma peça de teatro dramática, penso até que seria uma história que iria resultar bem em cima de um palco. Espero que alguém tenha a ideia de transformar isto numa peça de teatro, ou num filme porque histórias destas merecem serem eternizadas no tempo de todas as maneiras.
Naquelas páginas cujo tempo nunca irá apagar a sua beleza, estão inscritas palavras que merecem serem lidas, relidas, guardadas para sempre, passadas entre gerações e nunca esquecidas tudo porque "... nada poderá voltar a acontecer. Não nos dias de hoje, não na época em que vivemos".
9 de maio de 2008
E por falar em mulheres belas que cantam
Scarlett Johansson a cantar Tom Waits
À primeira audição, torci um bocadinho o nariz. Confesso que ainda estou naquela fase do " estranhar muito, para depois entranhar". Devagarinho e, talvez, merecendo uma audição mais atenta aquando da saída do álbum. O instrumental até é agradável, a voz é uma questão de habituação. Mas...não gostei lá muito. Mas quanto mais oiço, a sensação começa a mudar um bocadinho. Agora o videoclip...não gostei, tirando a presença da Scarlett, pois claro. Mas quem fez os videoclips que ela já fez para o J. Timberlake ou para o Dylan, esperava melhor.
7 de maio de 2008
A(s) Mulher(es) do Fado
A mulher do fado já usou xaile. Já cantou com as mãos nas ancas. Emborcou álcool em copos sem fundo para afogar mágoas passadas. Gritou poemas populares de poetas antigos. Fez sonhar homens ébrios que falavam alto e batiam na mesa. Cantava em caves escuras em cima de palcos podres. Tinha peitos enormes que quase saltavam para fora. Pele enrugada testemunha da dificuldade de viver. Já usou um buço requintado. Teve barbela, mãos grossas e a sua voz rouca cantava a vida.Hoje, a mulher do fado é bela, e faz por ser bela. Orgulha-se da sua beleza e procura mostrá-la ao mundo sem complexos. Usa vestidos da moda. Cuida da linha e só bebe água com sabores. Tem um corpo cuidado e classe no seu olhar.Tem uma voz límpida e uma alma pura. Canta em sítios confortáveis. Canta poetas do seu tempo. Deixou de ter buço.Tem pescoços finos e mãos delicadas. Estão mais belas, e dá mais vontade de ouvir fado.
Há tradições que se perdem com as mudanças do tempo. A(s) mulher(es) do Fado já não são o que era(m).
Felizmente, acrescento eu.
PS.1ª imagem- Quadro de José Malhoa. 2ª imagem - Fotografia de Joana Amendoeira, Raquel Tavares e Ana Moura.
5 de maio de 2008
The Moss

Uma das bandas portuguesas que mais vale a pena descobrir são os The Moss - banda composta por Hugo Moss, Joel Maia e Marcelo Araújo - que, além de terem maravilhosas influências musicais - Keb'Mo, Ray LaMontagne, Tracy Chapman, entre muitos outros nomes proeminentes da cena folk, blues, pop norte-americano - conseguem construir boa música e são umas das minhas melhores descobertas musicais nos últimos tempos.
Ainda sabe a pouco, mas o seu EP, com apenas 4 músicas, com o nome " The Moss EP", é a certeza que podem ir longe na música portuguesa se lhe derem algum espaço para brilhar. Um nome a seguir atentamente e a que, neste blog, daremos toda a divulgação possível do seu trabalho. Para bem da qualidade da música portuguesa.
Aqui fica uma primeira amostra ao vivo
Links uteís:
MySpace
Blog
PS. Não poderia deixar de agradecer especial à Mojo Pin e ao Carriço pela gentileza de me terem oferecido o EP e por me terem dado conhecimento desta banda da qual fiquei fã da sua música.
Ainda sabe a pouco, mas o seu EP, com apenas 4 músicas, com o nome " The Moss EP", é a certeza que podem ir longe na música portuguesa se lhe derem algum espaço para brilhar. Um nome a seguir atentamente e a que, neste blog, daremos toda a divulgação possível do seu trabalho. Para bem da qualidade da música portuguesa.
Aqui fica uma primeira amostra ao vivo
Links uteís:
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PS. Não poderia deixar de agradecer especial à Mojo Pin e ao Carriço pela gentileza de me terem oferecido o EP e por me terem dado conhecimento desta banda da qual fiquei fã da sua música.
2 de maio de 2008
A menina que roubou a beleza
À 5 anos atrás, nasceu uma menina. Uma menina que, lá nos recantos onde a vida nasce, roubou a beleza e veio mostrar o seu significado ao mundo. Tem um sorriso que ilumina e que enternece quem o vê. Umas bochechinhas que dão vontade de beijar sem parar. Adoro entrelaçar os meus dedos com os dedos pequeninos dela e acariciar-lhe a mão. Gosto de brincar com ela.De a irritar também. Adoro inventar-lhe histórias e ver os desenhos animados com ela. Regressar aos meus tempos de infância, de uma bela inocência que se punha em tudo que se faz. À 5 anos atrás, os nervos misturaram-se com a alegria de vir uma menina para a família . Tem o nome da tia, que abandonou este mundo muito cedo, que nos tiraram demasiado cedo e a levaram para outro lugar. Chama-se Patrícia. Gosto de a chamar por Tita. Hoje ela faz anos. 5 aninhos. O tempo passou a correr, vê-la crescer, vê-la brincar, vê-la sorrir, vê-la fazer birras, ou até vê-la irritada com as minhas brincadeiras, tudo isso me inspira. Tudo isso me dá mais vontade de viver .
29 de abril de 2008
Ser ou não ser analógico ?
" Sou um dos homens analógicos neste tempo virtual. Tenho medo de fazer compras pela net, ainda compro discos e DVD e recuso-me instintivamente a utilizar Kapas num sms. A aldeia global é um avanço lindo mas por vezes a vizinhança assusta-me." Luís Filipe Borges in Tabu ( suplemento do Jornal Sol desta semana )
Pela minha parte, e vista desta perspectiva, eu também sou um homem analógico.E tu ?
Pela minha parte, e vista desta perspectiva, eu também sou um homem analógico.E tu ?
27 de abril de 2008
Como uma brisa fresca num dia quente
Foi o que senti quando vi hoje " Juno" . Um filme MARAVILHOSO, a merecer todo o hype que teve, e continua a ter. E com um dos finais mais enternecedores que já vi.
A liberdade para sorrir
À 34 anos atrás, vários homens valentes lutaram para que a liberdade emergisse do escuro onde estava votada, contra um regime demente, além de terem terminado uma guerra estúpida e sem sentido. Com essa vitória, veio a liberdade de expressão, a liberdade de criticar, a liberdade de podermos fazer muitas coisas até aí impossíveis. Uma dessas coisas é ter a liberdade de sair de casa à noite para...sorrir.
Porque a vida necessita sempre que tenhamos um sorriso para dar, mesmo que ela não ajude e nos tente puxar para o fundo, ás vezes nada como dar um bom sorriso, bem alto, ao lado de gente que se gosta, para descontrair e tirar do peito melancolias que teimam em não quererem desaparecer.
Na véspera do feriado de 25 Abril, e em jeito de comemoração dessa mesma liberdade, respondi positivamente, e diga-se alegremente, a um convite para sair para sorrir. Entre um copo e um dedo de conversa, apenas para fazer isso...sorrir.
Como se fosse uma homenagem a esse sorriso livre que poderemos agora gozar. Sorri muito, com satisfação, ás vezes fazendo mesmo para não evitar uma ou outra gargalhada. E sem medo que esteja alguém à nossa espera para nos questionar a razão dos nossos sorrisos.Todos nós éramos livres para sorrir e todos nós somos livres para viver com um sorriso, e de sorrir de todas as maneiras.
Num lado estavam 3 artistas sentados muito divertidos, noutro estava um público disposto a ouvi-los (...alguns, que o silêncio não era lá muito) a sorrirem juntos e libertarem de todas as energias negativas, protagonizando bons momentos de diversão, que já à muito não me lembrava de viver.
Ainda tivemos tempo para a surpresa da primeira actuação ( envergonhada, é certo, mas irrepreensível.) do nosso elemento mais novo, prometendo-quem sabe ?- um futuro a fazer sorrir em cima dos palcos.
Para final da festa, acabamos todos juntos a cantar " Grândola, Vila Morena" bem alto e com a letra na ponta da língua, festejando essa mesma liberdade conquistada à 34 anos atrás .
Para repetir ? Pois claro, o mais brevemente possível. 25 de Abril sempre ! E a liberdade para sorrirmos também !
Nota - Para uma maior compreensão deste post, acrescento que o bar chama-se " B'artista", fica em Matosinhos, ás 5ªs feiras tem noites de anedotas, assim como 6ªs e sábados noites de stand-up comedy, de artistas conhecidos. Além disso, conquistaram-me pela sua imensa simpatia, simplicidade e, pois claro, boa disposição. E como isso não bastasse, um dos proprietários é um grande campeão de hóquei em patins - do FCP, pois claro- de nome Reinaldo Ventura. Aconselhável para quem queira sorrir. Com boa companhia, de preferência.
Porque a vida necessita sempre que tenhamos um sorriso para dar, mesmo que ela não ajude e nos tente puxar para o fundo, ás vezes nada como dar um bom sorriso, bem alto, ao lado de gente que se gosta, para descontrair e tirar do peito melancolias que teimam em não quererem desaparecer.
Na véspera do feriado de 25 Abril, e em jeito de comemoração dessa mesma liberdade, respondi positivamente, e diga-se alegremente, a um convite para sair para sorrir. Entre um copo e um dedo de conversa, apenas para fazer isso...sorrir.
Como se fosse uma homenagem a esse sorriso livre que poderemos agora gozar. Sorri muito, com satisfação, ás vezes fazendo mesmo para não evitar uma ou outra gargalhada. E sem medo que esteja alguém à nossa espera para nos questionar a razão dos nossos sorrisos.Todos nós éramos livres para sorrir e todos nós somos livres para viver com um sorriso, e de sorrir de todas as maneiras.
Num lado estavam 3 artistas sentados muito divertidos, noutro estava um público disposto a ouvi-los (...alguns, que o silêncio não era lá muito) a sorrirem juntos e libertarem de todas as energias negativas, protagonizando bons momentos de diversão, que já à muito não me lembrava de viver.
Ainda tivemos tempo para a surpresa da primeira actuação ( envergonhada, é certo, mas irrepreensível.) do nosso elemento mais novo, prometendo-quem sabe ?- um futuro a fazer sorrir em cima dos palcos.
Para final da festa, acabamos todos juntos a cantar " Grândola, Vila Morena" bem alto e com a letra na ponta da língua, festejando essa mesma liberdade conquistada à 34 anos atrás .
Para repetir ? Pois claro, o mais brevemente possível. 25 de Abril sempre ! E a liberdade para sorrirmos também !
Nota - Para uma maior compreensão deste post, acrescento que o bar chama-se " B'artista", fica em Matosinhos, ás 5ªs feiras tem noites de anedotas, assim como 6ªs e sábados noites de stand-up comedy, de artistas conhecidos. Além disso, conquistaram-me pela sua imensa simpatia, simplicidade e, pois claro, boa disposição. E como isso não bastasse, um dos proprietários é um grande campeão de hóquei em patins - do FCP, pois claro- de nome Reinaldo Ventura. Aconselhável para quem queira sorrir. Com boa companhia, de preferência.
24 de abril de 2008
A comunhão de Lazarus

Há noites assim, frias a convidar ligar o ar condicionado do carro, onde o vento assobia como se fosse uma banda sonora de um western de Leone e a chuva cai, insistentemente, molhando os corpos, ansiosos, que se movimentam, apressadamente, rumo ao local desejado. Uma noite perfeita para relembrar espíritos inquietos onde todo o seu misticismo é único.
Há concertos assim, onde o público e o artista são um só, onde todas as vozes se juntam por vários momentos parecendo que o mundo iria terminar naquele dia, e todos juntos proporcionam momentos inesquecíveis para quem os viveu. A isso chama-se comunhão.
O pregador veio vestido com um fato elegante preto, camisa entreaberta, gel no cabelo penteado para trás, mas a não disfarçar umas entradas salientes fruto da idade, bigode farfalhudo, ao bom estilo de um galã sacana, ou talvez de um chulo com classe. Gabo-lhe o estilo. A pose. O olhar contemplador que vê um público que lhe é fiel desde o primeiro minuto. Ele vem pronto para pregar e o rebanho pronto para o ouvir. Mãos ao alto, corpo a abanar de forma esquizofrénica, pensa-se que ele vai pregar para o meio do público, mas não, ele sabe quando parar, e contempla, seduzindo quem está à sua frente. Parece pintar figuras abstractas no ar, inflamando a plateia com a sua voz tão grave e tão forte que parece-se ouvir em todos os recantos.
O pregador tem vários acólitos que o ajudam a passar as suas mensagens duma forma fantástica, com destaque a um, que tem estilo de mendigo, mas é o chamado " homem dos sete instrumentos" e o verdadeiro pêndulo, ou talvez " mestre maior", duma banda que debita um som duro, cru, mas muito intenso.
Na segunda música grita desenfreadamente " We're gonna have a real good time tonight " e à quarta música exige a presença de Lazarus com uma raiva tal que até o espírito evocado tem medo dele, após ter cantado uma " murder song" onde pôs a plateia a erguer para o céu a sua " Red Right Hand ".
A partir daí, todos estavam convidados para se juntarem à sua maravilhosa pregação, sempre intensa, não desiludindo os seus fiéis que corresponderiam com prazer e dedicação extrema, e procuravam imitar a dança, tão esquisita como encantadora, que viam o pregador fazer no palco.
Há momentos da pregação mais positivos do que outros, momentos que passam e logo remetemos ao esquecimento e outros que os iremos guardar no baú das recordações para nunca mais lá saírem. Essa inconstância, embora não se notasse muito, é normal devido à rodagem das preces, acredito que depois de mais rodado o material, as pregações serão ainda mais intensas e devastadoras .
Há momentos da pregação mais positivos do que outros, momentos que passam e logo remetemos ao esquecimento e outros que os iremos guardar no baú das recordações para nunca mais lá saírem. Essa inconstância, embora não se notasse muito, é normal devido à rodagem das preces, acredito que depois de mais rodado o material, as pregações serão ainda mais intensas e devastadoras .
Desde a música onde invoca uma mulher australiana de nome " Deanna" que termina quase abruptamente e onde o público gritou bem alto as últimas palavras, até uma " The Ship Song" maravilhosamente arrepiante, passando por uma " Let Love In" vibrante, a frenética " Midnight Man ", a balada envolvente de " Jesus to the Moon ", uma "" Stagger Lee" irreconhecívelmente bela, uma " Straight to You" aclamada a sete ventos por todos, ou, já quase no final, uma " We call Upon the Author" com momentos dançantes pensando que estamos, por momentos, numa discoteca gigante, tudo momentos únicos e irrepetíveis, pelo menos com aquela densidade.
Um dos, poucos, momentos negativos surge logo no primeiro encore quando o pregador se senta ao piano, lança os primeiros acordes de " Into my Arms" e conclui que afinal não poderá tocá-la por não ter um instrumento necessário, ao que ele reage irritadamente,desiludindo um público que já se preparava para gravar um momento que tinha tudo para ser inesquecível e comovente .
Lazarus, esse espírito evocado várias vezes, andou por lá, bem no meio do público, a dançar freneticamente, abanando a cabeça e fechando os olhos para que a música entranhasse dentro de si e o levasse para outra dimensão.
E, surpresa, deixou uma mensagem, neste caso, em forma de água, um elemento necessário em celebrações. Ele andou pela casa de banho dos homens e, provavelmente, abriu as torneiras de tal maneira deixando-as a verter água que acabou por inundar o chão do local da pregação, obrigando a que, quem passasse por lá, arregaça-se as calças para não se molhar todo e andasse, literalmente, no meio de uma pequena amostra de um rio.
E, surpresa, deixou uma mensagem, neste caso, em forma de água, um elemento necessário em celebrações. Ele andou pela casa de banho dos homens e, provavelmente, abriu as torneiras de tal maneira deixando-as a verter água que acabou por inundar o chão do local da pregação, obrigando a que, quem passasse por lá, arregaça-se as calças para não se molhar todo e andasse, literalmente, no meio de uma pequena amostra de um rio.
Lazarus é um sacana. Mas o seu pregador é o máximo. Obrifuckingado Mr. Cave.
22 de abril de 2008
21 de abril de 2008
Changes
"Todo o mundo é composto por mudança", lá diz o poeta, e é verdade. À medida que vamos envelhecendo, provavelmente a frase correcta seria " à medida que vamos amadurecendo", sentimos isso cada vez mais, que as mudanças no nosso quotidiano são rápidas, nem damos por elas e só quando paramos para reflectir é que temos a noção disso, por isso temos de viver, cada vez mais, o momento.
Ainda hoje, a vida de um grande amigo poderia mudar num minuto para outro, um exame, que se previa fácil e sem problemas, complicou-se e, num minuto, que se prolongou por alguns minutos, todos os sonhos e esperanças num futuro poderiam terminar ali na cama de um hospital, mas, felizmente, tudo se resolveu e agora resta-lhe apenas emendar os erros que lhe proporcionaram um valente susto.
No outro dia, estive com um casal amigo e eles recordavam-me que à um ano atrás, estávamos todos juntos num casamento de um amigo comum, depois de me despedir deles, pensei que o tempo nem passou muito depressa, mas a minha vida, e das pessoas que me rodeiam, mudou imenso.
É o que sinto ao rever fotografias antigas, como nós mudamos, como a nossa vida é diferente, como os miúdos cresceram, mas, penso eu, a minha maior questão é mesmo compreender se gozei, ou gozo, estas mudanças que se proporcionaram na minha vida e se estive, e estou, preparado para outras mudanças que possam vir a acontecer no futuro. Como disse Boris Vian " corremos com toda a força para o futuro e vamos tão depressa que o presente nos escapa e a poeira da nossa corrida nos esconde o passado".
Mas, como costumo fazer sempre essa reflexão por altura do meu aniversário e ele ainda vem, mais ou menos, longe e ainda muitas coisas vão acontecer, nessa altura farei uma reflexão mais profunda das mudanças que aconteceram na minha vida. Mas, para já, tenho um saldo positivíssimo e isso é o mais importante.
Apesar de não parecer muito, isto também tem a haver com a mudança de template no blog, porque o outro já me cansava e também porque neste quero mostrar mais coisas de mim, escrever mais sobre mim, e dos que me rodeiam, daquilo que observo, do que vou vivendo, ou até o que vou imaginando, como se a minha vida fosse um desfile de histórias . É como se fosse um fase nova na vida deste blog, mas mantendo coisas do outro.
A altura escolhida para mudar é que não foi a melhor, isto de mexer em html, #33500C4, de descodificar códigos informáticos, de experimentar coisas quando se é um simples curioso, até é engraçado, mas é necessário uma maior disponibilidade, ainda por cima num fim de semana onde não se quer perder pitada de ver o melhor jogador de ténis de sempre a jogar em Portugal ( aquela final estava a ser grandiosa, depois fiquei desconsolado...). Mas isto com o tempo vai-se completando e, espero eu, melhorando. Espero que gostem. Ou que continuem a gostar.
Ainda hoje, a vida de um grande amigo poderia mudar num minuto para outro, um exame, que se previa fácil e sem problemas, complicou-se e, num minuto, que se prolongou por alguns minutos, todos os sonhos e esperanças num futuro poderiam terminar ali na cama de um hospital, mas, felizmente, tudo se resolveu e agora resta-lhe apenas emendar os erros que lhe proporcionaram um valente susto.
No outro dia, estive com um casal amigo e eles recordavam-me que à um ano atrás, estávamos todos juntos num casamento de um amigo comum, depois de me despedir deles, pensei que o tempo nem passou muito depressa, mas a minha vida, e das pessoas que me rodeiam, mudou imenso.
É o que sinto ao rever fotografias antigas, como nós mudamos, como a nossa vida é diferente, como os miúdos cresceram, mas, penso eu, a minha maior questão é mesmo compreender se gozei, ou gozo, estas mudanças que se proporcionaram na minha vida e se estive, e estou, preparado para outras mudanças que possam vir a acontecer no futuro. Como disse Boris Vian " corremos com toda a força para o futuro e vamos tão depressa que o presente nos escapa e a poeira da nossa corrida nos esconde o passado".
Mas, como costumo fazer sempre essa reflexão por altura do meu aniversário e ele ainda vem, mais ou menos, longe e ainda muitas coisas vão acontecer, nessa altura farei uma reflexão mais profunda das mudanças que aconteceram na minha vida. Mas, para já, tenho um saldo positivíssimo e isso é o mais importante.
Apesar de não parecer muito, isto também tem a haver com a mudança de template no blog, porque o outro já me cansava e também porque neste quero mostrar mais coisas de mim, escrever mais sobre mim, e dos que me rodeiam, daquilo que observo, do que vou vivendo, ou até o que vou imaginando, como se a minha vida fosse um desfile de histórias . É como se fosse um fase nova na vida deste blog, mas mantendo coisas do outro.
A altura escolhida para mudar é que não foi a melhor, isto de mexer em html, #33500C4, de descodificar códigos informáticos, de experimentar coisas quando se é um simples curioso, até é engraçado, mas é necessário uma maior disponibilidade, ainda por cima num fim de semana onde não se quer perder pitada de ver o melhor jogador de ténis de sempre a jogar em Portugal ( aquela final estava a ser grandiosa, depois fiquei desconsolado...). Mas isto com o tempo vai-se completando e, espero eu, melhorando. Espero que gostem. Ou que continuem a gostar.
20 de abril de 2008
18 de abril de 2008

Esticar a pele, disfarçar as rugas, limpar as impurezas, aligeirar a cor, dar uma mexida na parte de cima, e, principalmente, alargar o corpo. Um verdadeiro lifting. É o que vai ser feito neste blog neste fim de semana. E tudo, porque encontrei um template que acho ser a cara ideal para o blog. Eu devo ser o blogger que mais faz alterações no seu template. Continuo a culpar o meu signo. Dizem que as pessoas do signo Gémeos são inquietas e que nunca estão bem. Diz, quem viu, que gostou. Espero que vocês também gostem.
No entanto, eu continuo a ser o mesmo.Para o bem, e para o mal.
17 de abril de 2008
No post anterior, dei a conhecer a minha descoberta pela poesia de Nuno Júdice, que tanto me tem encantado durante estes tempos.
O que eu não tinha dito, foi que ele também tem um blogue, onde publica a sua poesia. A ver aqui.
O que eu não tinha dito, foi que ele também tem um blogue, onde publica a sua poesia. A ver aqui.
15 de abril de 2008
Já sentiram como se alguém estivesse a escrever a vossa vida ? Ou melhor, identificarmos de tal maneira com aquilo que lemos, que mais parece serem os nossos pensamentos, os nossos desejos, as nossas respostas, as nossas dúvidas, que foram transpostos para o papel por outras pessoas ?
Ás vezes não encontramos melhor definição de tudo o que se passa em nosso redor, senão naquela que vemos escritos por outros, parecendo que estamos a ver a nossa vida a ser transcrita através dos seus escritos.
Foi assim que senti quando comecei a ler estes dois autores. Eles vieram até mim, como se fossem alguma atracção cósmica, sem qualquer aviso e quando me encontraram, ou eu os encontrei, ficaram tão entranhados em mim que não os quero largar tão cedo.
O primeiro, foi-me "aconselhado" pelo António Lobo Antunes através duma sua entrevista. O segundo, foi só um reavivar de memória, já tinha lido um livro dele à algum tempo atrás.
O primeiro é poeta, e eu trato ainda a poesia por "você". Trato-a com respeito, com admiração, mas sem confiança, sem me sentir à vontade. Trato a poesia como se quisesse conhecê-la melhor, mas tenho um defeito nessa minha relação com ela, leio demasiado depressa e penso que não saboreio as suas palavras conforme devo saborear. No entanto, com este autor é diferente, a sua poesia diz-me algo logo no imediato, não necessito de reler o poema.
O segundo é contista, mas também não deixa de fazer poesia com as suas prosas. Se um dia enveredasse pelo caminho da escrita, era talvez este género que me sentia mais livre para criar. Tem uma escrita irreverente, simples, directa, com destinatários, sem floreados como muito me agrada.
O primeiro fala da natureza, de filosofia, da poesia, de amor, de viagens. O segundo fala de sentimentos, das relações amorosas, em todas as suas vertentes, da morte, da mulher, de Nova Iorque, enfim, falam os dois da Vida.
Os dois inspiram-me imenso e estão, inconscientemente, a influenciar-me de tal maneira que quero dar um rumo ás frases desconexas que habitam na minha mente. Quero dar-lhes um rumo onde elas possam ter um fim. Bom ou mau, só o tempo dirá. Necessito apenas de tempo, não aquele tempo de minutos disponíveis, mas sim daquele tempo" psicológico", daquela tranquilidade e método para poder criar em paz. E talvez de perceber a influências deles em mim, para não cair no erro da repetição e do plagio, mesmo que inconsciente.
O primeiro escreve coisas como isto, com o titulo de " Tarde de Espera"
" É possível que a tua atitude se resuma a um desejo de alguém que há-de vir;
talvez esperes que toquem à porta,
ou que os passos no corredor façam com que te levantes,
e um sorriso se abra no teu rosto.
O que é possível faz parte da vida,
quando te sentas, sem saber o que fazer,
e só os pensamentos te ocupam, nesse tempo que perdes
para ganhar todo o tempo do mundo.
Mas se ninguém chegar, se a casa estiver tão silenciosa
como quando te sentaste, se a rua estiver tão deserta
que nem vale a pena ir à janela,
e espreitar a última esquina, não desesperes.
O que hoje parece soar a vazio, a solidão que entra pela sala com a luz da tarde,
o brilho estéril dos teus olhos, tudo se dissipará quando a manhã futura entrar na tua vida,
e as tuas mãos tocarem o murmúrio transparente da primavera,
jorrando como água dos lábios que se aproximam dos teus,
e os acordam para o amor. "
O segundo diz coisas como isto,
" É tão estranha a sensação de não viver. De estar só à espera que aconteça. Olhar para trás e ver que em quase meio ano nada aconteceu. Pelo menos comigo. (...) eu estou em stand by. (...) Como os passageiros à espera de um outro destino naquelas salas de aeroporto que são onde melhor se ouve a solidão de estarmos tão perdidos assim como eu aqui, que por momentos nos transformamos em verdadeiros fantasmas, sem sombra sequer, sem nada. Até acontecer alguma coisa. Vai ter de acontecer alguma coisa. E não acontece."
A minha vida parece que está ali, nas suas respostas, nos seus poemas, nas suas descrições, em tudo, ou melhor, em quase tudo.
O primeiro chama-se Nuno Júdice. O segundo Pedro Paixão.
O primeiro, foi-me "aconselhado" pelo António Lobo Antunes através duma sua entrevista. O segundo, foi só um reavivar de memória, já tinha lido um livro dele à algum tempo atrás.
O primeiro é poeta, e eu trato ainda a poesia por "você". Trato-a com respeito, com admiração, mas sem confiança, sem me sentir à vontade. Trato a poesia como se quisesse conhecê-la melhor, mas tenho um defeito nessa minha relação com ela, leio demasiado depressa e penso que não saboreio as suas palavras conforme devo saborear. No entanto, com este autor é diferente, a sua poesia diz-me algo logo no imediato, não necessito de reler o poema.
O segundo é contista, mas também não deixa de fazer poesia com as suas prosas. Se um dia enveredasse pelo caminho da escrita, era talvez este género que me sentia mais livre para criar. Tem uma escrita irreverente, simples, directa, com destinatários, sem floreados como muito me agrada.
O primeiro fala da natureza, de filosofia, da poesia, de amor, de viagens. O segundo fala de sentimentos, das relações amorosas, em todas as suas vertentes, da morte, da mulher, de Nova Iorque, enfim, falam os dois da Vida.
Os dois inspiram-me imenso e estão, inconscientemente, a influenciar-me de tal maneira que quero dar um rumo ás frases desconexas que habitam na minha mente. Quero dar-lhes um rumo onde elas possam ter um fim. Bom ou mau, só o tempo dirá. Necessito apenas de tempo, não aquele tempo de minutos disponíveis, mas sim daquele tempo" psicológico", daquela tranquilidade e método para poder criar em paz. E talvez de perceber a influências deles em mim, para não cair no erro da repetição e do plagio, mesmo que inconsciente.
O primeiro escreve coisas como isto, com o titulo de " Tarde de Espera"
" É possível que a tua atitude se resuma a um desejo de alguém que há-de vir;
talvez esperes que toquem à porta,
ou que os passos no corredor façam com que te levantes,
e um sorriso se abra no teu rosto.
O que é possível faz parte da vida,
quando te sentas, sem saber o que fazer,
e só os pensamentos te ocupam, nesse tempo que perdes
para ganhar todo o tempo do mundo.
Mas se ninguém chegar, se a casa estiver tão silenciosa
como quando te sentaste, se a rua estiver tão deserta
que nem vale a pena ir à janela,
e espreitar a última esquina, não desesperes.
O que hoje parece soar a vazio, a solidão que entra pela sala com a luz da tarde,
o brilho estéril dos teus olhos, tudo se dissipará quando a manhã futura entrar na tua vida,
e as tuas mãos tocarem o murmúrio transparente da primavera,
jorrando como água dos lábios que se aproximam dos teus,
e os acordam para o amor. "
O segundo diz coisas como isto,
" É tão estranha a sensação de não viver. De estar só à espera que aconteça. Olhar para trás e ver que em quase meio ano nada aconteceu. Pelo menos comigo. (...) eu estou em stand by. (...) Como os passageiros à espera de um outro destino naquelas salas de aeroporto que são onde melhor se ouve a solidão de estarmos tão perdidos assim como eu aqui, que por momentos nos transformamos em verdadeiros fantasmas, sem sombra sequer, sem nada. Até acontecer alguma coisa. Vai ter de acontecer alguma coisa. E não acontece."
A minha vida parece que está ali, nas suas respostas, nos seus poemas, nas suas descrições, em tudo, ou melhor, em quase tudo.
O primeiro chama-se Nuno Júdice. O segundo Pedro Paixão.
14 de abril de 2008
Domingo. Fim da tarde.
Aperto o casaco até cima e, de seguida, aperto o cordão dos calções. Sorrio e abano a cabeça como se desse o tiro de partida.
" - Vamos " - digo.
O passo começa a ficar cada vez mais apressado. Deixamos para trás mais um fim de semana, tranquilo, mas vazio. Começo a ficar farto da vacuidade destes Domingos solarengos. Esta vacuidade que parece já ter entranhada em mim. Prometo que algo terá que mudar.
Descemos a rampa.
Começamos juntos a partilhar a nossa vida, os nossos segredos,
( será que temos segredos ? )
As águas do Douro estão tranquilas, como se fossem o reflexo da nosso estado de espírito e, de repente, passa por nós um outro barco, de turistas.
Paro. Ela pára comigo e sorri. Compreende o que quero.
( sempre me compreendeu )

Continuamos a caminhar com passo apressado. Passam por nós turistas, um casal de namorados, amigos a falarem alto a passearem de bicicleta, uma família com crianças a espreitarem com cuidado para baixo, pescadores solitários contemplam a tranquilidade daquelas águas atentos à sua cana de pesca.
Paramos, respiramos fundo, damos a volta, prontos para regressar ao nosso ponto de partida.
Aperto o casaco até cima e, de seguida, aperto o cordão dos calções. Sorrio e abano a cabeça como se desse o tiro de partida.
" - Vamos " - digo.
O passo começa a ficar cada vez mais apressado. Deixamos para trás mais um fim de semana, tranquilo, mas vazio. Começo a ficar farto da vacuidade destes Domingos solarengos. Esta vacuidade que parece já ter entranhada em mim. Prometo que algo terá que mudar.
Descemos a rampa.
Começamos juntos a partilhar a nossa vida, os nossos segredos,
( será que temos segredos ? )
os meus anseios, os meus projectos imediatos,
( estou a aprender que a vida tem que ser vivida apenas um dia após o outro. )
as minhas ambições, os meus avanços e recuos. Principalmente, os meus recuos. A minha vida está a tornar-se num quantidade imensa de recuos. Explico os meus recuos, ela compreende-os.
(Sempre os compreendeu. Sempre me compreendeu.)
Confesso que sim, que estou quase a desistir, a virar de rota na bússola que comanda a minha felicidade. Confesso que é o passo mais realista que posso dar.Viver de ilusões, nunca alimentou ninguém.
( estou a aprender que a vida tem que ser vivida apenas um dia após o outro. )
as minhas ambições, os meus avanços e recuos. Principalmente, os meus recuos. A minha vida está a tornar-se num quantidade imensa de recuos. Explico os meus recuos, ela compreende-os.
(Sempre os compreendeu. Sempre me compreendeu.)
Confesso que sim, que estou quase a desistir, a virar de rota na bússola que comanda a minha felicidade. Confesso que é o passo mais realista que posso dar.Viver de ilusões, nunca alimentou ninguém.
Homens jogam ás cartas protegidos por muros velhos, sentados em bancos de cozinha. Outros observam o jogo enquanto esperam pela sua vez. O barco está pronto para partir para a outra margem.
As águas do Douro estão tranquilas, como se fossem o reflexo da nosso estado de espírito e, de repente, passa por nós um outro barco, de turistas.
Paro. Ela pára comigo e sorri. Compreende o que quero.
( sempre me compreendeu )

Continuamos a caminhar com passo apressado. Passam por nós turistas, um casal de namorados, amigos a falarem alto a passearem de bicicleta, uma família com crianças a espreitarem com cuidado para baixo, pescadores solitários contemplam a tranquilidade daquelas águas atentos à sua cana de pesca.
Paramos, respiramos fundo, damos a volta, prontos para regressar ao nosso ponto de partida.
Enquanto o silêncio toma conta de nós, observo as vários cores do céu, o castanho no fundo do horizonte a pronunciar que o sol está prestes a rumar para outro lado. As nuvens carregadas a anunciar a escuridão da noite.
Passamos as mesmas pessoas, ouvimos os mesmos sorrisos altos, as conversas apressadas, o barco já partiu e já quase chega à próxima margem, os jogadores de cartas já foram substituídos.
Passamos as mesmas pessoas, ouvimos os mesmos sorrisos altos, as conversas apressadas, o barco já partiu e já quase chega à próxima margem, os jogadores de cartas já foram substituídos.
Chegamos a casa. Faço a barba de 3 dias e tomo um banho retemperador. Estes passeios, disfarçados de exercício físico aos fins de tarde de Domingo são como uma viagem espiritual.
Com a melhor companhia de todas, a mãe, são como um luz no meio de nuvens carregadas de melancolia.
Com a melhor companhia de todas, a mãe, são como um luz no meio de nuvens carregadas de melancolia.
11 de abril de 2008
" Laranja. De manhã é ouro, de tarde é prata e de noite mata".
É o que diz a voz do povo, e, como se sabe, a voz do povo é a voz de Deus. Nunca muito liguei a esse provérbio... até hoje.
Acho que o problema nem foi ter comido, ontem à noite, uma laranja e ela não me ter caído lá muito bem. Foi o que comi depois, e antes de me deitar ter tomado um, obrigatório e indispensável, copo de leite .
No trabalho estão a pensar em mudar-me para a casa de banho, já que nem dormir bem consegui, quanto mais trabalhar.
Bem, sempre ouvi dizer que aquilo era dinheiro. Não me posso esquecer que tenho de jogar no Euromilhões, até pode ser um prenúncio de boa sorte.
Doloroso, é verdade. Muito doloroso, mas sempre é um prenúncio.
Acho que o problema nem foi ter comido, ontem à noite, uma laranja e ela não me ter caído lá muito bem. Foi o que comi depois, e antes de me deitar ter tomado um, obrigatório e indispensável, copo de leite .
No trabalho estão a pensar em mudar-me para a casa de banho, já que nem dormir bem consegui, quanto mais trabalhar.
Bem, sempre ouvi dizer que aquilo era dinheiro. Não me posso esquecer que tenho de jogar no Euromilhões, até pode ser um prenúncio de boa sorte.
Doloroso, é verdade. Muito doloroso, mas sempre é um prenúncio.
9 de abril de 2008
Afinal os óculos de sol escolhidos foram estes.
De destacar duas coisas, uma delas é que não gostei de me ver com os outros óculos.
A outra, são as alturas em que escolho comprar algumas coisas. Ou seja, ando uma semana aflito pela atrapalhação que me dá o sol a bater nos olhos , depois quando tenho um tempinho disponível vou comprar óculos de sol e eis que... chove. Como sempre, a agir no momento certo.
De destacar duas coisas, uma delas é que não gostei de me ver com os outros óculos.A outra, são as alturas em que escolho comprar algumas coisas. Ou seja, ando uma semana aflito pela atrapalhação que me dá o sol a bater nos olhos , depois quando tenho um tempinho disponível vou comprar óculos de sol e eis que... chove. Como sempre, a agir no momento certo.
6 de abril de 2008
Gosto disto. Vibro com isto. Emociono-me com isto. A vida é mesmo isto. É outras coisas mais importantes do que isto, mas...também é isto. Alegria. Por vezes, tristezas e alguma desilusão, mas, felizmente, a maior parte das vezes, alegria. Muita alegria. Para muita gente apenas a única alegria. Lembro-me sempre desses. Como também daqueles que estão longe da vista, mas com o coração perto da festa. Gosto de ver os olhos emocionados daquela gente. Os sorrisos abertos e eufóricos. Os abraços trocados entre gente que não sabem os nomes, mas que partilham uma paixão. As vozes a gritarem até ficarem roucas " campeões, nós somos CAMPEÕES". De ver as bandeiras desfraldadas e os cachecóis esticados. De cantar as mesmas canções de sempre.De atender os telefonemas e receber o carinho e amizade de todos" Parabéns, dragãozinho. Vê se festejas muito e cuidado com as euforias. Vê se te cuidas, dragãozinho. Um abraço, amigo. " Dos brindes.Dos sms enviados. Dos sms recebidos. Das buzinas dos carros a tocarem por toda a cidade. De chegar a casa exausto de tanto saltar, rouco, e dar um grande abraço à minha mãe. De abraçar o meu pai e fazer palhaçadas com o mais pequeno. Enfim...de tudo. Gosto disto, pronto já disse. Gosto de repetir isto sempre, todos os anos.Ainda não me habituei a isto. Continuo a vibrar como se fosse o primeiro. Aliás, parece que prometeram mais uma para este ano, ainda há uma Taça para ganhar. Se não for, paciência, haverá mais festas nas jornadas que faltam. Para o ano há mais. Mas vamos ainda gozar esta festa até isto acabar. Porque os jogadores merecem. Porque lutaram e irão continuar a lutar muito, contra tudo e todos. Porque nós somos apenas e só os melhores. Simplesmente, os melhores.
5 de abril de 2008
4 de abril de 2008
Para além do muro
Olhas para além do muro; e
Olhas para além do muro; e
o que vês? O tempo para além do tempo,
a tarde que não chega, ou a noite que
vai chegar quando menos a esperas,
uma última ave no limite
do céu, pedindo-te que a não sigas.
Mas não cedas ao abraço da árvore,
ao apelo das raízes, à melancolia
de um desejo de horizonte. Encosta-te
a esse muro, sabendo que ele desenha
o espaço que te foi dado, e que as tuas
mãos descobrem no frio da pedra.
Não te resignes ao que existe. A ave
que desapareceu por trás da colina conhece
o caminho que os teus olhos procuram. - ( Nuno Júdice )
3 de abril de 2008
Como se ainda não bastasse ficar ainda mais fã de Bob Dylan e descobrir novos, e excelentes, músicos através da sua banda sonora, com o filme " I'm not there" nasceu uma dúvida que me está a alimentar durante estes dias solarengos: os óculos de sol que é urgente comprar para deixar de piscar o olho a toda a gente, isto é, o sol bate nos olhos e existe aquele reacção natural e tal...

A minha preferência vai, quase toda, para o segundo modelo. Mas o primeiro confesso que até me agradam bastante, apenas desta cor, não me venham com óculos vermelhos como já vi por aí. Nada como experimentar os dois pares e pedir conselhos às mulheres da família que têm sempre uma opinião especializada sobre a minha pessoa. No entanto, aceitam-se sugestões.
2 de abril de 2008

Numa primeira audição mais atenta penso que a banda sonora do filme " I'm Not There ", é um álbum longo, com muitas músicas, e, ainda por cima, poucas delas têm menos de 5 minutos, o que quer dizer, é um álbum para se ir desbravando com calma, sob risco de ficar pelo caminho canções que merecem serem descobertas. Por isso, é bem provável, que ainda fale mais vezes desta banda sonora, chamando a atenção para algumas músicas que ainda não as descobri.
Depois chegamos à conclusão que a banda sonora tem uns enormes Calexico, uma banda da qual tenho um especial apreço ouvir, principalmente em noites de Verão regadas com sangria e com boa companhia, e cuja presença neste álbum se destaca pelas suas versões magnificas.
Existe aquela audição imediata onde procuramos os nomes mais conhecidos, aí começamos por ouvir a bonita balada de Jeff Tweedy ( dos Wilco ) na versão de " Simple Twist of Fake ", um surpreendente, e sempre tão cool, Jack Johnson, um Sufjan Stevens com uma encantadora versão parece retirada de filmes infantis, Eddie Vedder a tentar ser um rockeiro querendo imitar o Bruce Springsteen, mas vindo dele já ouvi muito melhor, embora não a ache assim tão má. Mas destaca-se a versão, totalmente festiva, da música "Stuck Inside of Mobile With the Memphis Blues Again" pela Cat Power, assim como aquela beleza estranha, mas ao mesmo tempo arrepiante, que Antony consegue imprimir à música "Knockin' on Heaven's Door".
Depois temos as músicas que se destacam no filme, a fabulosa versão de " One More Cup of Coffee" de Roger McGuinn (dos Byrds) com os Calexico, e "Going to Acapulco", com mais uma vez os Calexico ( eles estão em grande) mas desta vez acompanhados por Jim James ( dos The Morning Jacket ), para nos recordarmos de um momento de pura magia no filme, ou até nos voltarmos a deslumbrar com o miúdo Marcus Carl Franklin a cantar com a sua voz inocente a música "When the Ship Comes In".
É claro que também existem coisas negativas, é normal num álbum tão grande, sinceramente, não gostei da versão dos Los Lobos, penso que a Charlotte Gainsbourg, apesar de estar bem no filme, conjuntamente com os Calexico, aqui fizeram uma versão um pouco baça de " Just Like a Woman" . Depois existem versões que nada acrescentam, são apenas uma declaração de fã a Dylan, acredito que as melhores versões de músicas são aquelas em que os interpretes reinventam as músicas, mas no conjunto o álbum é muito bom e ainda me falta ouvir em condições tantas músicas .
Por fim, temos aquelas músicas que se vão destacando, que nos vem até nós devagarinho, e quando começamos a ouvir os primeiros acordes viramos toda a atenção para elas. Aí destaco uma que está em permanente repeat no meu mp3, a versão dos Calexico ( quem mais poderia ser ? ) com um artista que se chama Sam Beam. Se esse nome não vos diz muito, então dizer que esse senhor é também conhecido pelo pseudónimo de Iron & Wine, acho que já vos diz mais alguma coisa. Se mesmo assim não conhecem, então andam desatentos e é favor de reparar essa coisa grave. A música chama-se "Dark Eyes " e é simplesmente MARAVILHOSA, muito refrescante, dá um toque de exotismo ao álbum, estou completamente viciado nesta música. Foi pena, mas apenas consegui arranjar 30 segundinhos para vocês se encantarem.
My space do álbum aqui
Depois chegamos à conclusão que a banda sonora tem uns enormes Calexico, uma banda da qual tenho um especial apreço ouvir, principalmente em noites de Verão regadas com sangria e com boa companhia, e cuja presença neste álbum se destaca pelas suas versões magnificas.
Existe aquela audição imediata onde procuramos os nomes mais conhecidos, aí começamos por ouvir a bonita balada de Jeff Tweedy ( dos Wilco ) na versão de " Simple Twist of Fake ", um surpreendente, e sempre tão cool, Jack Johnson, um Sufjan Stevens com uma encantadora versão parece retirada de filmes infantis, Eddie Vedder a tentar ser um rockeiro querendo imitar o Bruce Springsteen, mas vindo dele já ouvi muito melhor, embora não a ache assim tão má. Mas destaca-se a versão, totalmente festiva, da música "Stuck Inside of Mobile With the Memphis Blues Again" pela Cat Power, assim como aquela beleza estranha, mas ao mesmo tempo arrepiante, que Antony consegue imprimir à música "Knockin' on Heaven's Door".
Depois temos as músicas que se destacam no filme, a fabulosa versão de " One More Cup of Coffee" de Roger McGuinn (dos Byrds) com os Calexico, e "Going to Acapulco", com mais uma vez os Calexico ( eles estão em grande) mas desta vez acompanhados por Jim James ( dos The Morning Jacket ), para nos recordarmos de um momento de pura magia no filme, ou até nos voltarmos a deslumbrar com o miúdo Marcus Carl Franklin a cantar com a sua voz inocente a música "When the Ship Comes In".
É claro que também existem coisas negativas, é normal num álbum tão grande, sinceramente, não gostei da versão dos Los Lobos, penso que a Charlotte Gainsbourg, apesar de estar bem no filme, conjuntamente com os Calexico, aqui fizeram uma versão um pouco baça de " Just Like a Woman" . Depois existem versões que nada acrescentam, são apenas uma declaração de fã a Dylan, acredito que as melhores versões de músicas são aquelas em que os interpretes reinventam as músicas, mas no conjunto o álbum é muito bom e ainda me falta ouvir em condições tantas músicas .
Por fim, temos aquelas músicas que se vão destacando, que nos vem até nós devagarinho, e quando começamos a ouvir os primeiros acordes viramos toda a atenção para elas. Aí destaco uma que está em permanente repeat no meu mp3, a versão dos Calexico ( quem mais poderia ser ? ) com um artista que se chama Sam Beam. Se esse nome não vos diz muito, então dizer que esse senhor é também conhecido pelo pseudónimo de Iron & Wine, acho que já vos diz mais alguma coisa. Se mesmo assim não conhecem, então andam desatentos e é favor de reparar essa coisa grave. A música chama-se "Dark Eyes " e é simplesmente MARAVILHOSA, muito refrescante, dá um toque de exotismo ao álbum, estou completamente viciado nesta música. Foi pena, mas apenas consegui arranjar 30 segundinhos para vocês se encantarem.
31 de março de 2008

Primeiro de tudo, um aviso a quem quiser ver " I'm not there", um falso biopic sobre a vida desse grande génio ( o maior ? ) musical do século XX, Robert Allen Zimmerman, mais conhecido como Bob Dylan : necessitam de conhecer um pouco da sua vida e o seu trajecto musical para compreenderem este filme.
Nem é necessário muito, basta estarem atentos à excelente reportagem que saiu no Ípsilon, ou então dar uma passagem de olhos ao Wikipédia, ou, por fim, poderão aproveitar para ler o seu livro" Crónicas Volume 1", livro esse que irei, sem demoras, reler, onde existem explicações, na primeira pessoa, para algumas coisas da sua vida, ou melhor, das suas mais variadas vidas .
Só assim é que irão apreciá-lo convenientemente, senão nunca o irão perceber, acreditem que poderá ser uma confusão pegada e terão vontade de fazer o que uma mamã e a sua filhinha que estavam ao meu lado no cinema fizeram, ou seja, foram embora ao fim de 20 minutos de filme.
Só assim é que perceberão algumas coisas que se vão desenrolando ao longo do filme, desde a sua visita ao hospital para ver o verdadeiro Woody Guthrie, até perceber quem é aquela senhora respeitável, e que fala dele com um brilhozinho nos olhos, com quem ele partilhou os palcos cantando canções de protesto, passando pela sua mudança quando aconteceu o famigerado acidente de moto que quase lhe tirou a vida, ou até porque lhe gritaram " Judas" em pleno concerto.
No inicio dizem-nos que a " história é baseada nas várias vidas de Bob Dylan", e são essas " várias vidas" que são retractadas por várias personagens, com destaque para a fabulosa interpretação de Cate Blanchet, copiando todos os maneirismos de Dylan duma forma arrepiante que quase vemos o verdadeiro Dylan, e de Heath Ledger, mostrando que a sua morte estúpida, como são todas as mortes, nos retirou um excelente actor.
Depois ainda temos, uma das personagens que mais apreciei pelas suas tiradas e citações, Ben Whishaw, que responde pelo nome de Arthur Rimbaud, interpretando a fase mais poética de Dylan, mas também Christian Bale que reparte a vida de Dylan por duas fases, a fase " contador de histórias a querer salvar o mundo e depois o Dylan cristão-novo " e Richard Gere, talvez a personagem mais estranha e mais " perdida" do filme, isto sem esquecer do, já citado, Marcus Carl Franklin, um miúdo que cria várias histórias da sua vida.
O filme, apesar de ás vezes nos parecer ser demasiado parado e aborrecido, principalmente na parte do Richard Gere que não se compreende bem o que ele está ali a fazer, é muito bom, até nas perspectiva de ser um biopic totalmente diferente de todos os outros, não é um biopic convencional como muitos outros, parecendo, por vezes, até um documentário, pontificado com excelentes versões de músicas de Dylan. Mas, quanto à música, falarei mais tarde. Imperdível para todos os fãs de Dylan ou para aqueles que têm curiosidade relativamente à sua vida.
Nem é necessário muito, basta estarem atentos à excelente reportagem que saiu no Ípsilon, ou então dar uma passagem de olhos ao Wikipédia, ou, por fim, poderão aproveitar para ler o seu livro" Crónicas Volume 1", livro esse que irei, sem demoras, reler, onde existem explicações, na primeira pessoa, para algumas coisas da sua vida, ou melhor, das suas mais variadas vidas .
Só assim é que irão apreciá-lo convenientemente, senão nunca o irão perceber, acreditem que poderá ser uma confusão pegada e terão vontade de fazer o que uma mamã e a sua filhinha que estavam ao meu lado no cinema fizeram, ou seja, foram embora ao fim de 20 minutos de filme.
Só assim é que perceberão algumas coisas que se vão desenrolando ao longo do filme, desde a sua visita ao hospital para ver o verdadeiro Woody Guthrie, até perceber quem é aquela senhora respeitável, e que fala dele com um brilhozinho nos olhos, com quem ele partilhou os palcos cantando canções de protesto, passando pela sua mudança quando aconteceu o famigerado acidente de moto que quase lhe tirou a vida, ou até porque lhe gritaram " Judas" em pleno concerto.
No inicio dizem-nos que a " história é baseada nas várias vidas de Bob Dylan", e são essas " várias vidas" que são retractadas por várias personagens, com destaque para a fabulosa interpretação de Cate Blanchet, copiando todos os maneirismos de Dylan duma forma arrepiante que quase vemos o verdadeiro Dylan, e de Heath Ledger, mostrando que a sua morte estúpida, como são todas as mortes, nos retirou um excelente actor.
Depois ainda temos, uma das personagens que mais apreciei pelas suas tiradas e citações, Ben Whishaw, que responde pelo nome de Arthur Rimbaud, interpretando a fase mais poética de Dylan, mas também Christian Bale que reparte a vida de Dylan por duas fases, a fase " contador de histórias a querer salvar o mundo e depois o Dylan cristão-novo " e Richard Gere, talvez a personagem mais estranha e mais " perdida" do filme, isto sem esquecer do, já citado, Marcus Carl Franklin, um miúdo que cria várias histórias da sua vida.
O filme, apesar de ás vezes nos parecer ser demasiado parado e aborrecido, principalmente na parte do Richard Gere que não se compreende bem o que ele está ali a fazer, é muito bom, até nas perspectiva de ser um biopic totalmente diferente de todos os outros, não é um biopic convencional como muitos outros, parecendo, por vezes, até um documentário, pontificado com excelentes versões de músicas de Dylan. Mas, quanto à música, falarei mais tarde. Imperdível para todos os fãs de Dylan ou para aqueles que têm curiosidade relativamente à sua vida.
29 de março de 2008
A voz mais funda
Poucas vezes encontrei a felicidade senão
em instantes demasiado breves em que ignoro
que encontrei a felicidade : um caderno sobre
a mesa, um livro que amei, o ruído do mar.
Mais nisso sou feliz do que no amor. Mais nisso
encontro os meus dias que nos meus dias,
honrando o dever e a família e Deus ou mesmo
o futuro e as estações do ano ou o teu nome.
Criar filhos, esquecer a voz mais funda,
a aventura, devolver ao céu os sinais da vida inteira,
aves, navios, um jardim, uma voz antiga.
( Francisco José Viegas )
Poucas vezes encontrei a felicidade senão
em instantes demasiado breves em que ignoro
que encontrei a felicidade : um caderno sobre
a mesa, um livro que amei, o ruído do mar.
Mais nisso sou feliz do que no amor. Mais nisso
encontro os meus dias que nos meus dias,
honrando o dever e a família e Deus ou mesmo
o futuro e as estações do ano ou o teu nome.
Criar filhos, esquecer a voz mais funda,
a aventura, devolver ao céu os sinais da vida inteira,
aves, navios, um jardim, uma voz antiga.
( Francisco José Viegas )
28 de março de 2008
Não me perguntem o porquê, nem como surgiu, esta vontade. Mas, ultimamente, ando com uma imensa vontade de voltar a ouvir este álbum.
Talvez para recordar bons momentos da adolescência passados ao som dele e voltar àqueles maravilhosos tempos em que a vida era apenas " 1,2,3 e toca a desbundar". Ando a precisar de desbundar um bocadinho, por isso....1,2,3
Talvez para recordar bons momentos da adolescência passados ao som dele e voltar àqueles maravilhosos tempos em que a vida era apenas " 1,2,3 e toca a desbundar". Ando a precisar de desbundar um bocadinho, por isso....1,2,326 de março de 2008
" O amigo, assim como o namorado, não espera recompensa pelos seus sentimentos.
Não quer contrapartidas, não considera a pessoa que escolheu para ser seu amigo como uma criatura irreal, conhece os seus defeitos e assim o aceita, com todas as suas consequências. Isso seria o ideal. E na verdade, vale a pena viver, ser homem, sem esse ideal?» ( As velas ardem até ao fim)
É de amizade, como sentimento em si, entre duas pessoas que se fala neste maravilhoso livro de um autor que fiquei com uma extrema curiosidade em conhecer mais obras dele.
Apesar das suas descrições longas, mas nada entediantes, é um livro verdadeiramente intenso e grandioso, tornando-se daqueles livros que quando terminamos, damos por nós pensar no que seria bom se ele continuasse por mais um bocadinho.
É um monólogo disfarçado de um diálogo de dois grandes amigos, onde os seus caminhos se separaram, e é na busca incessante da verdade, dessa mesma separação, que um deles fala, dando verdadeiras lições de vida, e de amizade, ao seu grande companheiro de infância. A ler e sublinhar as imensas frases bonitas que povoam ao longo do livro.
Não quer contrapartidas, não considera a pessoa que escolheu para ser seu amigo como uma criatura irreal, conhece os seus defeitos e assim o aceita, com todas as suas consequências. Isso seria o ideal. E na verdade, vale a pena viver, ser homem, sem esse ideal?» ( As velas ardem até ao fim)É de amizade, como sentimento em si, entre duas pessoas que se fala neste maravilhoso livro de um autor que fiquei com uma extrema curiosidade em conhecer mais obras dele.
Apesar das suas descrições longas, mas nada entediantes, é um livro verdadeiramente intenso e grandioso, tornando-se daqueles livros que quando terminamos, damos por nós pensar no que seria bom se ele continuasse por mais um bocadinho.
É um monólogo disfarçado de um diálogo de dois grandes amigos, onde os seus caminhos se separaram, e é na busca incessante da verdade, dessa mesma separação, que um deles fala, dando verdadeiras lições de vida, e de amizade, ao seu grande companheiro de infância. A ler e sublinhar as imensas frases bonitas que povoam ao longo do livro.
Sabes...As palavras eu compreendo-as bem. Reconheci-me nelas.Talvez reconheça melhor do que os teus gestos sempre vagos.
( Será que era eu que lá estava ? Ou era outro que estava escondido no meio dos teus desejos . Não sei bem, mas penso que me reconheci, que me vi lá perdido no meio de uma palavra ou de outra, talvez eu esteja lá, bem lá no meio, como um ponto de interrogação na tua vida. )
O problema é aquele movimento do corpo, aquele impulso que precisa sempre de um empurrão, aquela indecisão, aquele medo, sempre o medo, aquelas palavras que me faltam sempre, aqueles gestos que se descoordenam e nunca se completam, aquele sorriso que nunca se abre.
O problema é aquilo a que chamamos de " primeiro passo". O meu e o teu.
( Será que era eu que lá estava ? Ou era outro que estava escondido no meio dos teus desejos . Não sei bem, mas penso que me reconheci, que me vi lá perdido no meio de uma palavra ou de outra, talvez eu esteja lá, bem lá no meio, como um ponto de interrogação na tua vida. )
O problema é aquele movimento do corpo, aquele impulso que precisa sempre de um empurrão, aquela indecisão, aquele medo, sempre o medo, aquelas palavras que me faltam sempre, aqueles gestos que se descoordenam e nunca se completam, aquele sorriso que nunca se abre.
O problema é aquilo a que chamamos de " primeiro passo". O meu e o teu.
24 de março de 2008
Qualquer dia,

Sometimes I wonder
Just for a while
Will you ever remember me?
Ever remember me?
( a minha vida é feita de " quaisquer dias ", qualquer dia faço isto, qualquer dito faço aquilo, qualquer deixo de fazer isto, qualquer dia ganharei a coragem que me falta, qualquer dia vou tentar ser feliz, qualquer dia digo isto, a minha vida é uma emaranhado imenso de " qualquer dia ". Imagino-me até, qualquer dia, quando estiver deitado na cama, à espera da Sra. Dona Morte e enquanto todos os olhares estão fixados em mim, à espera que o meu corpo sucumba direi " Qualquer dia voltarei aqui para tentar viver " e só depois aí é que darei o último suspiro. Mas hoje não quero falar disso, qualquer dia volto a falar dela. Estava a dizer que a minha vida é feita de " quaisquer dias", sempre no plural, o singular a mim já não me basta, e eu, de forma cobarde admito, adio sempre essa decisão mas qualquer dia, lá estou eu outra vez, mudarei essa minha forma de ser. Adiante...)
Qualquer dia, vou a uma praia
( pensem numa praia bonita, daquelas onde os amantes apaixonados juram promessas de amor eterno enquanto trocam carinhos entre si, escondidos de todos os olhares inconvenientes. Ou, se preferirem, pensem numa praia onde os solitários andam em passos vagarosos, de cabeça baixa, segurando as lágrimas da solidão, imaginando momentos felizes, e invejando os outros casais felizes que se divertem na areia branca. Quanto à altura do dia, bem, escolham uma qualquer altura, penso que não existe uma hora ideal para ser feliz, em qualquer altura do dia podemos ser felizes. Escolham aquela altura do dia em que estamos sempre na dúvida entre o fazer nada e o fazer coisa nenhuma, a tentar preencher o vazio que há em nós. )
Qualquer dia, vou a uma praia e lançarei uma corda ao mar
( comecemos pelo fim, tem de ser maré vaza. Não podemos molhar os sapatos novos, ainda com boas solas, comprados a preço de saldo, por isso a maré tem de estar vaza e em vez daquelas ondas gigantes, deve estar umas ondas pequenas, daquelas que terminam a nossos pés e a sua espuma morre nas nossos dedos. A corda nada tem de segredos, tem de ser, grande, forte e inquebrável como uma relação de amor, e precisa de ter um nó, tal e qual o nó que tenho na garganta porque não tive coragem de lhe dizer uma coisa, ou porque deveria ter-lhe dito outra coisa, deveria ter completado aquela frase que ficou no ar e aquele gesto para dar o " grand finale" e depois esticar os braços e esperar que algo repousasse em cima deles, não sei bem o quê, aquelas mãos brancas como nunca tinha visto, ou os seus lábios finos e vermelhos que me apetece apoderar-me deles e dizer que são só meus, ou talvez a sua cabeça repousar qual Bela Adormecida. Dizia atrás que a corda tem de ser grande, com um nó forte e largo porque temos de estar preparados para corpos de todos os tamanhos, que isto não está para esquisitices, e estejam sossegados não me quero matar, a corda não é para algo de mal, pronto, espero que tenha sido claro na minha descrição, agora mais vale completar a frase que se faz tarde. )
Qualquer dia, vou a uma praia e lançarei uma corda ao mar para resgatar uma sereia.
Qualquer dia, vou a uma praia
( pensem numa praia bonita, daquelas onde os amantes apaixonados juram promessas de amor eterno enquanto trocam carinhos entre si, escondidos de todos os olhares inconvenientes. Ou, se preferirem, pensem numa praia onde os solitários andam em passos vagarosos, de cabeça baixa, segurando as lágrimas da solidão, imaginando momentos felizes, e invejando os outros casais felizes que se divertem na areia branca. Quanto à altura do dia, bem, escolham uma qualquer altura, penso que não existe uma hora ideal para ser feliz, em qualquer altura do dia podemos ser felizes. Escolham aquela altura do dia em que estamos sempre na dúvida entre o fazer nada e o fazer coisa nenhuma, a tentar preencher o vazio que há em nós. )
Qualquer dia, vou a uma praia e lançarei uma corda ao mar
( comecemos pelo fim, tem de ser maré vaza. Não podemos molhar os sapatos novos, ainda com boas solas, comprados a preço de saldo, por isso a maré tem de estar vaza e em vez daquelas ondas gigantes, deve estar umas ondas pequenas, daquelas que terminam a nossos pés e a sua espuma morre nas nossos dedos. A corda nada tem de segredos, tem de ser, grande, forte e inquebrável como uma relação de amor, e precisa de ter um nó, tal e qual o nó que tenho na garganta porque não tive coragem de lhe dizer uma coisa, ou porque deveria ter-lhe dito outra coisa, deveria ter completado aquela frase que ficou no ar e aquele gesto para dar o " grand finale" e depois esticar os braços e esperar que algo repousasse em cima deles, não sei bem o quê, aquelas mãos brancas como nunca tinha visto, ou os seus lábios finos e vermelhos que me apetece apoderar-me deles e dizer que são só meus, ou talvez a sua cabeça repousar qual Bela Adormecida. Dizia atrás que a corda tem de ser grande, com um nó forte e largo porque temos de estar preparados para corpos de todos os tamanhos, que isto não está para esquisitices, e estejam sossegados não me quero matar, a corda não é para algo de mal, pronto, espero que tenha sido claro na minha descrição, agora mais vale completar a frase que se faz tarde. )
Qualquer dia, vou a uma praia e lançarei uma corda ao mar para resgatar uma sereia.

( agora que penso melhor, será que valeria a pena ? Será que valerá a pena ? Pronto, lá estou nas minhas indecisões que, ás vezes, muitas vezes, talvez vezes demais, me assolam na calada da noite e se transformam em pesadelos que inquietam o meu corpo. E depois como seria alimentá-la, será que ela só seria vegetariana, será que teria de ir comprar um aquário daqueles gigantes para ela, ou teria que a colocar na banheira ?
E depois as sereias não têm pernas, têm escamas e eu nunca foi muito apreciador de peixe, digo sempre " nunca vi peixe a puxar carroça", prefiro sempre carne no meu prato, se calhar nem era boa ideia, uma mulher com aspecto de sereia mas com umas pernas bem torneadas sempre é melhor do que uma sereia com aspecto de mulher mas com escamas.
Talvez apenas passe pela praia tentar avistar alguma sereia solitária, sentada numa rocha, de olhar vazio no mar, esperando que alguém lhe sente ao seu lado para o empurrar para a água e juntos ir descobrir o mundo que existe debaixo de água. No entanto, não me posso esquecer de arranjar uma corda. )
E depois as sereias não têm pernas, têm escamas e eu nunca foi muito apreciador de peixe, digo sempre " nunca vi peixe a puxar carroça", prefiro sempre carne no meu prato, se calhar nem era boa ideia, uma mulher com aspecto de sereia mas com umas pernas bem torneadas sempre é melhor do que uma sereia com aspecto de mulher mas com escamas.
Talvez apenas passe pela praia tentar avistar alguma sereia solitária, sentada numa rocha, de olhar vazio no mar, esperando que alguém lhe sente ao seu lado para o empurrar para a água e juntos ir descobrir o mundo que existe debaixo de água. No entanto, não me posso esquecer de arranjar uma corda. )
Sometimes I wonder
Just for a while
Will you ever remember me?
Ever remember me?
21 de março de 2008

Só falta mesmo vir o Tom Waits, o Bowie e a PJ Harvey. É que o Dylan vem numa altura fabulosa para mim, vem na altura das minhas, prováveis, férias. E este ano, ou muito me engano, ou troco a praia por isto.
I wish I knew how it would feel to be free ( Nina Simone )
I wish I knew how
It would feel to be free
I wish I could break
All the chains holding me
I wish I could say
All the things that I should say
Say 'em loud say 'em clear
For the whole round world to hear
I wish I could share
All the love that's in my heart
Remove all the bars
That keep us apart
I wish you could know
What it means to be me
Then you'd see and agree
That every man should be free
I wish I could give
All I'm longin' to give
I wish I could live
Like I'm longin' to live
I wish I could do
All the things that I can do
And though I'm’m way over due
I'd’d be starting a new
Well I wish I could be
Like a bird in the sky
How sweet it would be
If I found I could fly
Oh I'd’d soar to the sun
And look down at the sea
Than I'd sing cos I know - yea
Then I'd sing cos I know - yea
Then I'd sing cos I know
I'd’d know how it feels
Oh I’d know how it feels to be free
Yea Yea! Oh, I’d know how it feels
Yes I’d know
Oh, I’d know
How it feels
How it feels
To be free
I wish I knew how
It would feel to be free
I wish I could break
All the chains holding me
I wish I could say
All the things that I should say
Say 'em loud say 'em clear
For the whole round world to hear
I wish I could share
All the love that's in my heart
Remove all the bars
That keep us apart
I wish you could know
What it means to be me
Then you'd see and agree
That every man should be free
I wish I could give
All I'm longin' to give
I wish I could live
Like I'm longin' to live
I wish I could do
All the things that I can do
And though I'm’m way over due
I'd’d be starting a new
Well I wish I could be
Like a bird in the sky
How sweet it would be
If I found I could fly
Oh I'd’d soar to the sun
And look down at the sea
Than I'd sing cos I know - yea
Then I'd sing cos I know - yea
Then I'd sing cos I know
I'd’d know how it feels
Oh I’d know how it feels to be free
Yea Yea! Oh, I’d know how it feels
Yes I’d know
Oh, I’d know
How it feels
How it feels
To be free
19 de março de 2008
Próxima leitura:
"Quero uma vida em forma de espinha
Num prato azul
Quero uma vida em forma de coisa
No fundo dum sítio sozinho
Quero uma vida em forma de areia nas minhas mãos
Em forma de pão verde ou de cântara
Em forma de sapata mole
Em forma de tanglomanglo
De limpa chaminés ou de lilás
De terra cheia de calhaus
De cabeleireiro selvagem ou de édredon louco
Num prato azul
Quero uma vida em forma de coisa
No fundo dum sítio sozinho
Quero uma vida em forma de areia nas minhas mãos
Em forma de pão verde ou de cântara
Em forma de sapata mole
Em forma de tanglomanglo
De limpa chaminés ou de lilás
De terra cheia de calhaus
De cabeleireiro selvagem ou de édredon louco
Quero uma vida em forma de ti
E tenho-a mas ainda não é bastante
Eu nunca estou contente"
18 de março de 2008
Coisas para adoçar um ego que tem andado azedo...
Retirar a roupa de Primavera/Verão e verificar que o melhor é mandar apertar 4 camisas, 3 calças, arrumar de vez algumas camisas e camisolas e pensar em comprar mais coisas porque as do ano passado estão todas muito largas. Yyyaaabbbaaaddaabbaaaduuuu.
...
Pronto, já está melhor.
...
Pronto, já está melhor.
17 de março de 2008

As frases anteriores aparecem no livro que aproveitei para o terminar de ler neste fim de semana pachorrento.
Gosto da escrita de José Eduardo Agualusa. Gosto da sua simplicidade, das suas histórias, das suas crónicas que me levam a comprar o Público aos domingos, dos seus contos de viagens, enfim, gosto de o ler.
Dizem-me que é literatura light, mas como não tenho o hábito de pesar os livros que leio, nem de os catalogar como se fossem meros produtos de hipermercado, prefiro dizer que a escrita de Agualusa é de uma beleza simples que me transporta para uma África que me dá uma imensa curiosidade de conhecer.
"As mulheres do meu pai", transporta-nos para Angola, para África do Sul, para Lisboa, para a vida, para os sonhos realizados, ou até para os sonhos impossíveis de realizar, é um conjunto de histórias mas que ao fim e ao cabo apenas é uma só, uma só vida fantástica contada por muita gente como se fosse um filme e a sua banda sonora fosse música jazz. Aconselhável.
Gosto da escrita de José Eduardo Agualusa. Gosto da sua simplicidade, das suas histórias, das suas crónicas que me levam a comprar o Público aos domingos, dos seus contos de viagens, enfim, gosto de o ler.
Dizem-me que é literatura light, mas como não tenho o hábito de pesar os livros que leio, nem de os catalogar como se fossem meros produtos de hipermercado, prefiro dizer que a escrita de Agualusa é de uma beleza simples que me transporta para uma África que me dá uma imensa curiosidade de conhecer.
"As mulheres do meu pai", transporta-nos para Angola, para África do Sul, para Lisboa, para a vida, para os sonhos realizados, ou até para os sonhos impossíveis de realizar, é um conjunto de histórias mas que ao fim e ao cabo apenas é uma só, uma só vida fantástica contada por muita gente como se fosse um filme e a sua banda sonora fosse música jazz. Aconselhável.
13 de março de 2008
Este Verão promete muitos, e bons, concertos neste nosso Portugal. Quase todos os dias somos confrontados com noticias sobre espectáculos de grandes artistas que irão actuar neste cantinho à beira mar plantado.
A dificuldade de escolha é muita, os nomes são tantos, e de qualidade, que dá vontade de roubar um banco, e já agora ter direito a mais férias, para os ir ver a todos.
Mas parece que na Irlanda já encontraram uma boa solução para este meu problema.
A dificuldade de escolha é muita, os nomes são tantos, e de qualidade, que dá vontade de roubar um banco, e já agora ter direito a mais férias, para os ir ver a todos.
Mas parece que na Irlanda já encontraram uma boa solução para este meu problema.
11 de março de 2008
Neste fim-de-semana vazio algo me completou...
Algo veio até mim, em pequenos passos preguiçosos e despertou-me a atenção, chamando-me como uma criança chama alguém para que lhe dêem carinho.
Abri-lhe a porta, deixei-a entrar sem preconceitos, e fiquei encantado com ela, não deixando que ela me abandonasse, sendo a minha companhia para todo o lado onde fosse.Algo veio até mim, em pequenos passos preguiçosos e despertou-me a atenção, chamando-me como uma criança chama alguém para que lhe dêem carinho.
Falo deste maravilhoso álbum

Além de ter uma capa maravilhosa(*), tem músicas FABULOSAS, com uma beleza de cortar a respiração que nunca queremos deixar de ouvir, com a voz a fazer recordar muitas vezes o saudoso Jeff Buckley, outras vezes tem uma atmosfera dos Sigur Ros, outras mais jazzísticas, tipo Antony, mas sempre vai dar a um pop irrepreensível, que pena saber que ele na 5ª feira estará pela Aula Magna e não poderei ir lá sentir ao vivo músicas tão belas, tão intensas, tão inspiradoras como aquelas que ele nos dá a ouvir neste álbum maravilhoso. Depois tem um site belíssimo e um dos videoclips mais originais que já vi. Não sei como andei tanto tempo sem prestar a atenção a este álbum. Mas, no fundo, as coisas mais belas da vida vem sempre ao nosso encontro, mesmo que às vezes nada façamos para as encontrar. Poderia inserir aqui todo o álbum, mas optei por esta, com um inicio à lá Tom Waits mas depois termina a recordarmos-nos de Jeff Buckley
(*) - e agora, um gosto parvo meu !!!! Gosto daquelas garrafinhas que tem um barco lá dentro. Eu sei que é um gosto assim para o parvo, sei que é material digno daquelas lojas de produtos onde os seus donos são orientais, mas que hei-de fazer, gosto daquilo. Mesmo. A sério.Talvez por ser natural de uma cidade piscatória, ou porque ás vezes gosto de coisas assim viradas para o parvo. Se calhar, é mesmo isso...
7 de março de 2008
"De la musique avant toute chose " ( V )

Imagem de Matthew McKinnon retirada da sua exposição " A gallery of love songs" retirada daqui
Música " Dance me to the end of love" de Leonard Cohen
Música " Dance me to the end of love" de Leonard Cohen
6 de março de 2008
Como eu digo aqui, fomos atropelados por um autocarro que nos desfez o sonho de ir à final.
Para o ano estamos lá novamente para tentar chegar mais longe.
Mas como não vivemos de vitórias morais, agora é tempo de esquecer este dia e dar inicio aos festejos do TRICAMPEONATO que já estamos em contagem decrescente. E isto sem esquecer a Taça de Portugal.
Mas fiquei com uma certeza, depois do que eu sofri, a causa da minha morte não será o futebol.
Para o ano estamos lá novamente para tentar chegar mais longe.
Mas como não vivemos de vitórias morais, agora é tempo de esquecer este dia e dar inicio aos festejos do TRICAMPEONATO que já estamos em contagem decrescente. E isto sem esquecer a Taça de Portugal.
Mas fiquei com uma certeza, depois do que eu sofri, a causa da minha morte não será o futebol.
5 de março de 2008
É hoje

Gosto destes grandes jogos marcados a esta hora. Gosto de ver chegar as 18 horas, respirar fundo, desligar os computadores, e começar a minha caminhada rumo ao palco de todas as emoções.
Gosto de fazer aquele caminho a pé, passar pelo Palácio de Cristal, que tanto me inspira, até à Estação de Metro da Casa da Música, de ver os miúdos a saírem da escola com um sorriso nos lábios enquanto os pais/avós/primos/irmãos, que os vão lá buscar, pegam nas suas mochilas pesadas carregadas de sonhos e esperanças de um futuro recheado de sucessos.
Sentir o dia a anoitecer, enquanto vejo aquele senhor junto dos semáforos a vender castanhas assadas e eu, de propósito, passo no meio do fumo para sentir aquele cheirinho.
Gosto de chegar à Estação e, enquanto espero, observar os rostos das pessoas, algumas cansadas na ânsia de chegar o Metro para lhes levar a casa depois de um dia estafante de trabalho, outras, não menos cansadas mas sorridentes e cheias de esperança, à espera que lhes leve até ao Estádio, outras, não tão cansadas, querem apenas que chegue o Metro para lhes levar ao destino pretendido.
Gosto de entrar no Metro e ir para um cantinho, juntinho à porta, à espera que ele me leve ao destino, tentando-me distrair enquanto disfarço os nervos e a ansiedade de lá chegar.
Depois de lá chegar, gosto de entrar na bancada e espreitar para o meu lugar para ver se já lá está o meu pai à minha espera para juntos vibrarmos por uma vitória que acreditamos fervorosamente. Enfim, gosto destes dias de nervosismo míudinho, de unhas roídas, de rádio no ouvido, de vozes roucas e coração acelerado.
E gosto de erguer bem alto o cachecol, dar um grito de " Pooooorttto" enquanto em todo o estádio se ouve isto. É arrepiante.
E gosto, acima de tudo, de ganhar a estes camones de fala esquisita, estes Schmitzs e Heinzs duma figa que já andam por aqui a emborcar cervejinha da nossa que é bem melhor do que a deles.
EU ACREDITO. FORÇA RAPAZES.
Gosto de fazer aquele caminho a pé, passar pelo Palácio de Cristal, que tanto me inspira, até à Estação de Metro da Casa da Música, de ver os miúdos a saírem da escola com um sorriso nos lábios enquanto os pais/avós/primos/irmãos, que os vão lá buscar, pegam nas suas mochilas pesadas carregadas de sonhos e esperanças de um futuro recheado de sucessos.
Sentir o dia a anoitecer, enquanto vejo aquele senhor junto dos semáforos a vender castanhas assadas e eu, de propósito, passo no meio do fumo para sentir aquele cheirinho.
Gosto de chegar à Estação e, enquanto espero, observar os rostos das pessoas, algumas cansadas na ânsia de chegar o Metro para lhes levar a casa depois de um dia estafante de trabalho, outras, não menos cansadas mas sorridentes e cheias de esperança, à espera que lhes leve até ao Estádio, outras, não tão cansadas, querem apenas que chegue o Metro para lhes levar ao destino pretendido.
Gosto de entrar no Metro e ir para um cantinho, juntinho à porta, à espera que ele me leve ao destino, tentando-me distrair enquanto disfarço os nervos e a ansiedade de lá chegar.
Depois de lá chegar, gosto de entrar na bancada e espreitar para o meu lugar para ver se já lá está o meu pai à minha espera para juntos vibrarmos por uma vitória que acreditamos fervorosamente. Enfim, gosto destes dias de nervosismo míudinho, de unhas roídas, de rádio no ouvido, de vozes roucas e coração acelerado.
E gosto de erguer bem alto o cachecol, dar um grito de " Pooooorttto" enquanto em todo o estádio se ouve isto. É arrepiante.
E gosto, acima de tudo, de ganhar a estes camones de fala esquisita, estes Schmitzs e Heinzs duma figa que já andam por aqui a emborcar cervejinha da nossa que é bem melhor do que a deles.
EU ACREDITO. FORÇA RAPAZES.
3 de março de 2008

A primeira pergunta que colocamos a nós próprios é a questão que os jurados dos Óscars se puseram a eles próprios quando votaram para a categoria de melhor filme: qual é o melhor filme " Haverá Sangue" ou " Este país não é para velhos" ? A maior parte deles escolheram este último, e pensando bem...agiram bem.
Penso que o filme dos Irmãos Cohen é mais completo, com melhor argumento, por consequência, é melhor do que " Haverá Sangue", não esquecendo que Daniel Day Lewis tinha de ser premiado pela sua interpretação e também que o" Óscar para melhor Fotografia" só poderia ser também para o filme de P.T.Anderson, tem imagens mais do que arrepiantes, portanto, este ano, os Óscars foram bem distribuídos nas principais categorias.
Há uma parte do filme que Tommy Lee Jones, o sheriff filosófico que se mostra abismado, e impotente, com a escalada de violência na sua terra ( e ele não vive em Portugal, aí é que ficaria ainda mais, basta ver o que aconteceu neste fim de semana por todo o país) lê uma noticia no jornal ( atenção, o que vou dizer é spoiler, quem quer ver o filme passe para o parágrafo seguinte) que um casal donos de um lar de 3ª idade foram presos porque matavam os velhotes apenas para ficar com os seus cheques da segurança social e enriquecerem. Depois reflecte para o seu companheiro dizendo " o que chamou a atenção às pessoas foi ver a sair um velhote a correr com uma coleira. Curiosamente, não foi a verem os donos a cavar buracos nas traseiras". O seu companheiro meio bronco ri à gargalhada, e nós não resistimos, também rimos daquela reflexão, mas ao mesmo tempo estamos a rir de nós próprios, do mundo em que vivemos e ao que chegamos.
Se no filme " Haverá Sangue" conta a história do inicio do capitalismo e todo o mal que deriva desse capitalismo, principalmente nas relações entre as pessoas, neste filme leva-nos um pouco mais longe mostrando a animalidade de um " serial-killer" , Javier Bardem consegue construir uma personagem que se poderá tornar das mais temidas história do cinema, o seu olhar medonho, a sua voz poderosa, o seu estilo e a sua frieza são irrepreensíveis. Depois temos aquela tensão e suspense todo que nos é servido de uma forma lenta, que , por vezes, incomoda, nunca nos deixando indiferente ao que se passa no ecrã. Agora resta-me apenas comprar o livro de Cormac McCarthy que deu origem a este filme e esperar que alguém faça um filme tão bom, ou melhor, a um do livros mais fascinantes que li deste mesmo autor, " A Estrada".
Penso que o filme dos Irmãos Cohen é mais completo, com melhor argumento, por consequência, é melhor do que " Haverá Sangue", não esquecendo que Daniel Day Lewis tinha de ser premiado pela sua interpretação e também que o" Óscar para melhor Fotografia" só poderia ser também para o filme de P.T.Anderson, tem imagens mais do que arrepiantes, portanto, este ano, os Óscars foram bem distribuídos nas principais categorias.
Há uma parte do filme que Tommy Lee Jones, o sheriff filosófico que se mostra abismado, e impotente, com a escalada de violência na sua terra ( e ele não vive em Portugal, aí é que ficaria ainda mais, basta ver o que aconteceu neste fim de semana por todo o país) lê uma noticia no jornal ( atenção, o que vou dizer é spoiler, quem quer ver o filme passe para o parágrafo seguinte) que um casal donos de um lar de 3ª idade foram presos porque matavam os velhotes apenas para ficar com os seus cheques da segurança social e enriquecerem. Depois reflecte para o seu companheiro dizendo " o que chamou a atenção às pessoas foi ver a sair um velhote a correr com uma coleira. Curiosamente, não foi a verem os donos a cavar buracos nas traseiras". O seu companheiro meio bronco ri à gargalhada, e nós não resistimos, também rimos daquela reflexão, mas ao mesmo tempo estamos a rir de nós próprios, do mundo em que vivemos e ao que chegamos.
Se no filme " Haverá Sangue" conta a história do inicio do capitalismo e todo o mal que deriva desse capitalismo, principalmente nas relações entre as pessoas, neste filme leva-nos um pouco mais longe mostrando a animalidade de um " serial-killer" , Javier Bardem consegue construir uma personagem que se poderá tornar das mais temidas história do cinema, o seu olhar medonho, a sua voz poderosa, o seu estilo e a sua frieza são irrepreensíveis. Depois temos aquela tensão e suspense todo que nos é servido de uma forma lenta, que , por vezes, incomoda, nunca nos deixando indiferente ao que se passa no ecrã. Agora resta-me apenas comprar o livro de Cormac McCarthy que deu origem a este filme e esperar que alguém faça um filme tão bom, ou melhor, a um do livros mais fascinantes que li deste mesmo autor, " A Estrada".
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