14 de outubro de 2010

Versões improváveis ( 14 )

Sempre gostei de coisas imperfeitas.Um vídeo imperfeito para um momento que se torna perfeito com a banda sonora a pertencer à minha nova "mais do que tudo" na música, mrs. Holly Miranda cantando Lauryn Hill.


13 de outubro de 2010

11 de outubro de 2010

O virtual a imitar o real...


ou uma vida de sucessivas tentativas falhadas.

9 de outubro de 2010

Happy Birthday, mr. Lennon

 

Faria hoje 70 anos se não fosse aquela morte estúpida. Mas continua bem vivo nas nossas mentes e nos nossos corações.

8 de outubro de 2010

" Por vezes, recordar o passado é um erro originado pelo orgulho, mas eu acho que se vive no interior de um momento durante anos, movimentamo-nos com ele e sentimo-lo crescer, e ele lança raízes até que toca em tudo o que está à vista"."  in "Deixa o Grande Mundo Girar" de Colum McCann

7 de outubro de 2010

Mário Vargas Llosa

Li apenas um, maravilhoso, livro e várias crónicas certeiras e contos, uns mais políticos do que outros,  quase todos belos. Fico feliz por ter ganho o Prémio Nobel ,e claro que vou, assim como muita gente, aproveitar as promoções e dar uma oportunidade para voltar a ler a sua obra.

U2 em Coimbra em 3 canções ( III )

MOMENT OF SURRENDER


As emoções levaram as palavras todas. O momento da rendição acabou por ser o concerto de sábado. As canções electrizantes e intemporais, as melodias que nos encantam, a emoção de quem me acompanhou, o sonho realizado para quem lá esteve, a grandiosidade, as palavras certeiras, tudo isso ficou e nada será esquecido. Aqui fica uma das minhas canções favoritas, até porque tem uma frase, que curiosamente ele não a cantou em Coimbra, que deverá ser um dos lemas da minha vida:
 
"It's not if I believe in love
But if love believes in me "


Um dia ainda os irei ver, novamente, ao vivo .

5 de outubro de 2010

U2 em Coimbra em 3 canções ( II )


 MAGNIFICENT

Na vida há coisas que passam e há outras que ficam. As que passam são as rotinas que nos permite esquecê-las logo que as terminamos, ou aquelas coisas tristes que queremos enterrar no fundo da nossa memória, as que ficam são aquelas coisas das quais nos lembramos sempre que nos apetecer com um sorriso largo nos lábios.
Um concerto dos U2 enquadra-se na segunda categoria, por mais que o tempo passe nunca esqueceremos a enorme emoção extravasada numa noite que teve tudo para ser inesquecível.

Quem esteve presente num concerto dos U2, mesmo que não seja um verdadeiro fã , não mais poderá esquecer o que assistiu: a megalomania genial de 4 homens que fazem tudo para ultrapassar os limites, para serem os maiores, e os mais espectaculares naquilo que fazem proporcionando espectáculos inesquecíveis e inigualáveis.

Foi ao som de “ Space Odditty” de outro génio, David Bowie, que Bono Vox, The Edge, Larry MullenJr e Adam Clayton percorreram o caminho do balneário para o palco, no meio de um público que delirava com a sua entrada. 
Com a assistência já conquistada e em completo delírio, os irlandeses arrancaram com instrumental " Return of the Singray Guitar para depois arrancar para um inicio poderoso, com " Beautiful Day "/ I Will Follow"/ " Get on Your Boots"/"Magnificent" e uma das canções mais espectaculares, quer visual, quer musicalmente, a sempre maravilhosa e intensa " Misterious Ways".

Mas, um concerto dos  U2 não vive de caminhos misteriosos, os seus espectáculos estão registados aí, quer em DVD (provavelmente, o melhor local para termos uma noção exacta do que se passa dentro do estádio), quer em registos amadores que proliferam no Youtube e afins, para se sentir o que é estar dentro daquele que já chamaram, e justamente, o melhor espectáculo do Mundo.
Ali temos um palco gigantesco, um ecrã com imagens que nos entram pelos olhos adentro, uma atitude da banda ao mesmo tempo profissional e tão cool, nunca parando, e temos o essencial: as canções, intemporais, brilhantes e poderosas como sempre. 



Com Bono muito comunicativo e a demonstrar excelente forma física, assim como um conhecimento enorme da cidade que os acolheram, principalmente da "grande e respeitosa universidade" brincando com os outros elementos porque "nunca frequentaram a universidade", provou que é um excelente entertainner, um  velho sedutor (convidou uma rapariga a dançar com ele em " In a Little While" cantando olhos nos olhos) e um cantor com uma versatilidade imensa que não deixa cair o concerto em monotonia, mesmo quando as canções perdem o gás do inicio. E nunca perdende a sua vertente politica, principalmente em canções mais politizadas como " Sunday Bloody Sunday", "Walk On " ou a sempre brilhante "One".

Bono e seus comparsas têm a lição bem estudada, e não há espaços para erros, nem para fugas, tudo ali parece cronometradamente perfeito, contando com a "ajuda" de um público que por eles dão tudo o que têm, que extravasam a sua emoção, que não param de gritar, de cantar, de saltar, proporcionando uma comunhão tão, ou mais grandiosa, do que aquele palco, de enormes dimensões, que parece nos esmaga.  

Não há mais palavras para descrever um espectáculo destes, apenas dizer que, a partir de sábado, fiquei ainda mais fã dos U2, que não descansarei enquanto não tiver todos os CD´s e DVD´s.

Como nota menos do espectáculo, apenas e só a ausência de duas canções que fazem parte da minha preferência: " Angel of Harlem " e " New Year´s Day", mas é apenas um “senão” num espectáculo tão perfeito e tão inesquecível.




PS. Brilhante introdução nesta canção, com Bono a gritar “ Lisboa", e quando as pessoas pensavam que eles se enganaram, eis que ele grita “ Braga”, depois “ Porto” e depois “ Coimbra” para depois arrancar para uma interpretação grandiosa.  

U2 em Coimbra em 3 canções ( I )

 I WILL FOLLOW

O meu concerto dos U2 não começou no sábado, nem sequer na 5ª feira quando tive a certeza que os iria ver, foi à algum tempo atrás, num dia, em plenos anos 90, no tempo onde se diz ser de " descoberta da vida”, mas outras pessoas, mais dadas a sociologia, chamam de “adolescência”, descobri num recanto de casa, uma pasta com alguns discos de vinil da pertença do meu pai. 

Como se fossem um segredo bem guardado, comecei a remexer cuidadosamente para ver que discos lá estavam. Entre alguns, não muitos, estavam “Bad” de Michael Jackson (confesso que não fui seguidor deste artista), “ Unplugged in MTV” de Bruce Springsteen ( o meu próximo grande desejo para ver ao vivo), um de Diana Ross, o “The Final Countdown” dos Europe e outros dos quais não tenho maior recordação. 

Mas, no meio deles, 3 imagens chamaram-me à atenção: uma capa com um míudo com cara de zangado, olhos de revolta e de aspecto sujo de mãos atrás das costas como se estivesse a preparar-se para ser preso, um disco com uma foto de 4 homens em pose num deserto e uma capa vermelha com uma fotografia espectacular de um castelo em grande destaque. Em todos eles, uma coisa em comum, uma letra e um número: U2

Com a curiosidade própria da adolescência, abri a capa, tirei o vinil do saco,abri a tampa do gira-discos, limpei o vinil atabalhoadamente à camisola, pousei-o no prato, tirei a agulha e coloquei, com cuidado, naquele filamento do vinil onde a canção começava, quando de repente, qual magia, começo a ouvir o som de uma bateria a bater compassadamente forte, depois seguidamente ouço um "yeah" e o vocalista começa a cantar

I can't believe the news today
I can't close my eyes and make it go away
How long, how long must we sing this song?
How long, how long?
'Cos tonight
We can be as one, tonight ( Sunday Bloody Sunday )

mesmo que, na altura, ainda não percebesse bem a letra, a melodia dizia-me qualquer coisa,  ou era  o ritmo, a energia, não sei bem, algo chamava-me a atenção.

A partir daí, procurei saber mais daquela banda e comecei a ouvir mais os seus trabalhos. No tempo onde para ter acesso à música, ou era através da rádio, ou em alternativo comprar as k7´s/discos/CD´S, cresci sempre com  os U2 lado a lado, fascinado pela grandeza  dos seus concertos, principalmente na digressão " Zooropa", a digressão que rasgou quaisquer limites.

Na descoberta de outros caminhos musicais, os U2 ficaram quase como de lado, ouvia os singles, vibrava com algumas canções novas, mas faltava sempre  o click para ser um grande fã. Eram daquelas bandas que apreciámos ter um "best-of" porque nele consta os singles mais interessantes.

Nunca fui indefectível, embora admirasse o trabalho de Bono e seus comparsas, quer musicalmente, quer politicamente, quer as suas digressão grandiosas, por isso foi com naturalidade que, um ano antes, com a possibilidade de ter bilhetes comprados para o concerto em Coimbra dei a minha "vaga", mas o bilhete parecia que me estava mesmo destinado e entre desistências de última hora lá surgiu a oportunidade para os ver,o que, depois de muito hesitar, não recusei.


I was on the outside when you said
You said you needed me
I was looking at myself
I was blind, I could not see

A boy tries hard to be a man
His mother takes him by his hand
If he stops to think he starts to cry
Oh why

If you walkaway, walkaway
I walkaway, walkaway...I will follow


<>

PS: este vídeo não é meu, encontrei-o no Youtube...eu estava perto, pertinho do palco a saltar.

4 de outubro de 2010

5 anos etílicos

Obrigado a todos pela companhia.

1 de outubro de 2010

Por vezes, tenho a sensação que o tempo foge por entre os meus dedos. Que sou incapaz de o controlar, de me habituar à sua velocidade, que não consigo ter força, ou jeito, ou talvez que me faltará o tal empurrão para o segurar afincadamente com as duas mãos e gozar o que ele me traz ou aquilo que ele me "sugere".

Por vezes, sinto necessidade de mandar parar os segundos que passam a correr no relógio da vida, de recuar, de dar passos para a frente, em vez de dar passos atrás ou para o lado. Na verdade, por vezes penso que na minha vida tenho dado imensos passos para o lado e alguns, felizmente poucos, para trás. 

Quando olho para o passado, vejo que não encontro muitas marcas minhas, que deixei um caminho com poucas pegadas, que deixei algumas, sim, mas numa praia onde a água depois veio as apagar o seu rasto. Tenho a sensação de que se a vida fosse uma espécie de RTP Memória, eu nem tinha direito a uns anúncios comerciais quanto mais a ter um episódio de uma série menor que passa a altas horas de madrugada.

Dito isto, penso que a vida é uma súmula de oportunidades, cabe a nós colocá-las no trilho certo o melhor possível para que no final nos tenhamos sentido mais realizados e felizes. E tentar deixar-nos ir no carrossel do tempo sem medos, enfrentando o que ele nos oferece.

Setembro foi um mês longo. Um mês onde os dias se prolongaram por muitas horas, algumas noites de sono foram perdidas, foi um mês duro com duros golpes, algumas alegrias sim, alegrias que me foram dando esperança e força, mas foi um mês difícil onde encontrei realidades que desconhecia, daquelas que imaginávamos encontrar nos outros, mas que num momento nos cai sem avisar e sem nos prepararmos devidamente para as receber.O futuro trará o melhor julgamento para o que aconteceu e ele nos trará a melhor forma para lidar com tudo aquilo que Setembro me trouxe de novo.

De repente, esta canção ganhou mais sentido para mim. Outubro entra por aí e eu não quero mais perder as oportunidades que a vida me dá, não quero deixar mais pontas soltas, quero “ derrubar os muros que me seguram esta noite. / Eu quero alcançar e tocar na chama”. Quero deixar rasto de mim, quero marcar, quero ser marcado, quero VIVER.

Como disse, esta canção, ontem, ainda era Setembro, ganhou mais sentido. Uma oportunidade caída do céu que parecia estar destinada para mim desde o inicio, mas a qual eu não queria olhar. Uma noticia em forma de sms trouxe-me uma enorme hesitação. Um estado nervoso miudinho. Uma necessidade de fazer contas de cabeça. Um coçar de cabeça incontrolável. Uns olhos que, de certeza, estavam a brilhar. Trouxe-me uma necessidade de encontrar o destino, abrir a porta e não ter medo do que vamos encontrar no outro lado. 
A vida é tão curta e se não aproveitarmos as oportunidades, principalmente aquelas que nos traz felicidade, (sobre)vivemos infelizes. 

Por isso, e agora aqui entra o meu estado eufórico da coisa, amanhã, dia 02 de Outubro, estarei no Estádio Municipal de Coimbra a ver, a vibrar, a cantar, a VIVER o concerto dos U2. E esta canção fará mais sentido ser cantada comigo lá , pronto a passar a mensagem que ela nos quer transmitir a quem quiser...



e tudo terá mais sentido quando dámos oportunidades a nós próprios para sermos felizes.

27 de setembro de 2010

Do amor...como fora de moda



" Estou casado à 70 anos com a mesma mulher. Já está fora de moda."

Como é bonito ver uma pessoa com 102 anos ter esta lucidez, este humor, esta ironia que Manoel de Oliveira demonstra nesta reportagem que é uma pequena maravilha.

24 de setembro de 2010

A verdadeira loba

Definindo-se como uma loba, sempre pronta para defender o seu território, Pilar Del Rio, nesta entrevista, que vale a pena ver com atenção, conseguiu transmitir uma imagem de si, como uma mulher cheia de coragem, determinada, sem receios de dizer o que sente, bastante frontal e determinada.

Se todos nós temos uma missão nesta vida,  a sua verdadeira "missão" foi amar, e proteger, José Saramago tanto na vida como na sua morte, como uma verdadeira loba que defende com unhas e dentes o seu "território". 

Revela que o vazio que a ausência de Saramago a deixou, nunca será preenchido porque "  os vazios nunca se preenchem, jamais, com nada, nem com droga, nem com outras pessoas, nem com subterfúgios, não se preenchem", e com pose altiva sem medo de mostrar qualquer tipo de arrogância e sem esconder as palavras, comentou  que "Cavaco Silva fez bem em ficar fora. Saramago está morto e já nada o afecta. Mas Cavaco Silva nunca conheceu Saramago. Para ele, sim, pode ser uma pena. Que um homem tão íntegro, tão grande, como Saramago, passou por perto e ele não o conseguiu ver. Mas já que não o viu em vida, parece-me digno que não o faça na morte." 

É isso mesmo, mulher de coragem.

Versões improváveis ( 13 )

MGMT na voz de Neil Hannon. 



28 de Novembro no Teatro Aveirense. Maybe maybe i´ll be there...

23 de setembro de 2010

Do Paulo Bento na selecção

Assumidamente...concordo. Não era a favor de o ver a treinar o FCPorto, mas, dentro do contexto que vive esta selecção, penso ser um dos treinadores que pode reabilitar e lançar Portugal para o Euro. O outro era José Mourinho, pois claro. Sim, era a favor da sua presença em duas partidas, até porque depois teríamos 8 meses para, com tranquilidade, arrumar a casa, entrar nova direcção, novas pessoas e escolher um treinador sem pressas. E aí era adepto de um treinador estrangeiro, sem passado clubístico, que poderia voltar a congregar o apoio dos adeptos de todos os clubes em redor da selecção. 

Gostei do discurso na conferência de imprensa do Paulo Bento, frontal, corajoso, sem fugas, agora é esperar a primeira convocatória e ver o que o futuro nos traz.

Agora, é por estes casos todos em volta da selecção, por aquele processo ridículo, baixo, injusto e ignóbil que o Queiroz foi vitima, que continuo a preferir vibrar muito mais com o meu clube do que com a selecção. Que o futuro me faça mudar de opinião e que possa gritar "Portugal" com orgulho, é o que desejo, e peço, ao Paulo Bento.

21 de setembro de 2010


Já tenho saudades do Verão. Venha o Outono, que também é bonito.

18 de setembro de 2010

Em 18 de Setembro de 1970 desaparecia fisicamente o MAIOR deles todos. Espiritualmente nunca desapareceu, ainda continua aí..para sempre.


15 de setembro de 2010

E de repente, sem contar, eis que recebo um convite, totalmente inesperado, para ver isto



e só posso dizer que adorei.

Dos Supertramp apenas conhecia as canções com maior êxito, que foram, como é óbvio, recebidas com maior entusiasmo do que as restantes. Antes do espectáculo estava expectante, não sabia muito bem o que iria encontrar, se um concerto de uma banda em estado de maturação ou um grupo de amigos que se juntaram apenas para ganhar uns trocos, mas encontrei, daqueles que foram, e continuam a ser, dos grupos mais importantes, e históricos, do rock sinfónico, um colectivo de músicos de primeira linha, de enorme categoria, conseguindo realizar um espectáculo irrepreensível, e bastante agradável, com um alinhamento inteligente, para quem quase encheu o Pavilhão.

E a média de idades não estava assim tão alta como pensei, havia público de todas as idades sempre dispostos a se juntar à festa. E, valha a verdade, a acústica do Pavilhão, apesar de tudo, portou-se à maneira, o som esteve bom, mas, certamente, aquele recinto necessita, urgentemente, de uma enorme modernização a fim de o tornar muito mais funcional e moderno. A cidade do Porto já merece ter um Pavilhão Rosa Mota mais moderno e atraente preparado para grandes espectáculos.

Apesar do imenso e insuportável calor que se encontrava lá dentro, em contraponto à maravilhosa noite, com uma lua lindíssima a iluminar o mundo, que se encontrava lá fora, foi muito refrescante e saboroso assistir a um concerto diferente, que passou muito rápido, tornando-se numa autêntica festa de reencontros, onde a maior parte do povo reencontrou a sua juventude e recordou bons momentos ao som daquelas grandes, e fantásticas, canções. Apesar da imensa falta que o Roger Hodgson, a sua voz em falsete é inconfundível dando outra dimensão às canções, quem o substituiu esteve muito bem.

Que importa se alguns solos parecem intermináveis, se as canções nunca têm a duração de menos de 5/6 minutos, se aquilo que ouvimos já foi criado à quase 40 anos atrás, o que importa é sentir a música e partilhar a alegria de ver ao vivo grandes músicos a tocarem grandes canções, e isso, foi sentido nesta terça-feira.

"At night, when all the world's asleep,
the questions run so deep
for such a simple man.
Won't you please, please tell me what we've learned
I know it sounds absurd
but please tell me who I am " - The Logical Song" - Supertramp


14 de setembro de 2010

A flor da solidão



Vivemos convivemos resistimos
cruzámo-nos nas ruas sob as árvores
fizemos porventura algum ruído
traçámos pelo ar tímidos gestos
e no entanto por que palavras dizer
que nosso era um coração solitário silencioso
silencioso profundamente silencioso
e afinal o nosso olhar olhava
como os olhos que olham nas florestas
No centro da cidade tumultuosa
no ângulo visível das múltiplas arestas
a flor da solidão crescia dia a dia mais viçosa
Nós tínhamos um nome para isto
mas o tempo dos homens impiedoso
matou-nos quem morria até aqui
E neste coração ambicioso
sozinho como um homem morre cristo
Que nome dar agora ao vazio
que mana irresistível como um rio?
Ele nasce engrossa e vai desaguar
e entre tantos gestos é um mar
Vivemos convivemos resistimos
sem bem saber que em tudo um pouco nós morremos

Ruy Belo

obra poética de ruy belo, vol.2
presença
1990

12 de setembro de 2010

A 9 pontos...

Quem muito fala e pouco entende, na feira por asno se vende. ( provérbio popular)


10 de setembro de 2010

Ora aqui está uma bela sugestão para me socializar mais no ginásio...

9 de setembro de 2010

Diário de um dia de sonho

4:50 Horas: A imensa indecisão dos dias anteriores que me levou a pensar em desistir. Os problemas gástricos de sábado. E, por fim, o acordar 25 minutos depois da hora marcada. Parecia que os Deuses controladores do destino, estavam a fazer uma conjugação estranha para que eu não fosse. Abri os olhos, olhei para o relógio e lá me vesti e tomei o pequeno-almoço apressadamente. Estava pronto para a viagem.

Nota mental: Acrescentar no despertador do telemóvel o dia de Domingo. Pensando bem, é melhor não...

5:25- 8:00 Horas: Uma viagem tranquila. Como mais tarde se concluiu, num daqueles típicos, e inócuos, diálogos na fila para a entrada no recinto, custa mais fazer uma viagem a Lisboa do que à Galiza. Começando pelos preços das portagens, passando por estradas mais aceitáveis. No entanto, mais uma adversidade pelo caminho: um manto de nevoeiro que me acompanhou por quase toda a Espanha impedia de apreciar a paisagem galega.

Nota mental: um dia voltar aqui. O mais breve possível.


8:00 – 15:00 Horas- A parte mais difícil, depois do carro estacionado num local estrategicamente perfeito para sair, começa o controle da ansiedade, o interminável tempo de espera, o nevoeiro a desvanecer, o calor a apertar, a comida para aconchegar o estômago, o convite para jogar às cartas que se tornou numa conversa sobre música e concertos, tudo valia a pena para que as horas passassem depressa. E a ansiedade a crescer

Nota mental: para a próxima trazer um livro. E mais comida. E talvez se fosse mais tarde não haveria problema nenhum. É que os espanhóis gostam de ir em cima do acontecimento e não têm paciência para esperar longas horas pelos concertos.

15: 00: 17:30 – A entrada para o recinto. O anfiteatro do Monte do Gozo é, digamos assi
m, o cume do monte, o grande palco montado tapa-nos a visão, que se prevê bela, do resto do local, o público, muito longe de estar esgotado, ao contrário do que se previa, foi-se acomodando nos seus lugares à procura da melhor vista para o palco. Aqui, o tempo passou com mais animação, um DJ de serviço tentava aquecer o ambiente, o público passava o tempo da melhor maneira, e o sol brilhava intensamente.

Nota mental: Nunca mais criticar o preço das cervejas nos festivais em Portugal. Uma cerveja era
10 €. Está bem que deveria ser de 500 ml, mas era um preço escandaloso.


17: 30 ás 18 horas - Cornelius 1960: Uma imitação barata de Jamiroquai, um funk-rock-pop que não aquece, nem arrefece. E com imensos problemas no som, ainda foi pior.

Nota mental: Esquecê-los depressa.


18:20 ás 19:00 horas: The Temper Trap: o 2º melhor concerto da noite. Um concerto intenso, de uma banda que está a ganhar algum e
spaço no mundo indie. Apenas conhecia a canção mais famosa, mas surpreenderam-me imenso pela positiva, e o público aderiu bastante. Nota mental: tentar conhecê-los melhor, o mais urgente possível.

19:25 ás 20:25 horas- Echo & The Bunnymen: Foi um concerto, no mínimo, estranho. Se nada posso apontar à parte instrumental da banda, que me pareceu bem competente, o vocalista , qual pinta de junkie com problemas de identidade, queria ser a figura da festa, tornando-se no figurão. Desde o querer que os Arcade Fire o convidassem para cantar com ele, até falar um espanhol mais do que manhoso dizendo baboseiras sem interesse, apenas teve nota positiva na forma de interpretar algumas canções, quer sejam suas, quer sejam versões de outras bandas, como Lou Reed e os The Doors.

Nota mental: tentar ouvir alguma coisa deles, quando estiver virado para saudosismos dos 80´s.


21:00 ás 22: 30 horas – Para melhor vermos um quadro, temos sempre que dar um passo atrás e só aí poderemos o apreciar devidamente. Só passado um tempo, quando a minha memória estiver menos fresca, é que poderei sentir verdadeiramente o que
foi o concerto dos Arcade Fire no Monte do Gozo. Logo no inicio, a trilogia de “ Ready to Start-Month of May-Neighborhood ( Laika)” agarra-nos pelos colarinhos, despertando-nos para um concerto intenso, festivo, mágico, arrebatador, inesquecível. A banda, sempre profissional, e com os elementos quase sempre em movimento a trocarem de instrumentos, quase como se fosse um carrossel onde todos, divertidamente, trocam de lugares.
É ao vivo que os canadianos provam ser uma das, para mim são “a”, bandas mais influentes deste inicio de século, arrasando ao vivo, quaisquer criticas que possa existir em relação à sua música, o que, pelos vistos, virou moda entre o povo do indie, seja lá o que isso fôr.

O povo g
rita, emociona-se e canta bem alto juntamente com eles, os braços erguem-se para o céu como se agradecessem aos Deuses a dádiva daqueles momentos de partilha, de verdadeira comunhão de espíritos. A banda dá tudo nos concertos, e cada espectáculo são emoções únicas para quem presencia. " No Cars Go", "Wake Up", "The Suburbs", "Sprawl II ( nunca pensei que resultasse tão bem num concerto, com a Regine a encantar ), a força de " We Used to Wait", e tudo o resto foi tão emocionante, tão inesquecível para quem esteve lá, que, certamente, as recordações desta noite se irão prolongar no tempo. Foi o concerto mais emocionante que presenciei em toda a mniha vida.

Nota mental: Tentar guardar todas as imagens e sons do que se passou na minha memória.

22:45: 1:45 horas – As emoções repousam num corpo em que não se sentia cansado, apesar do dia longo. Pelo caminho, nada melhor do que comprar uma recordação que procurava intensamente. A adrenalina teimava em não baixar, aquilo que tinha acabado de viver parecia que me estava, novamente, a passar à frente, o sonho terminou, mas as recordações da grande noite serão eternas.

Nota mental: Compensar, nos dias seguintes, o sono perdido.

6 de setembro de 2010



"Sometimes I can't believe it
I'm moving past the feeling
Sometimes I can't believe it
I'm moving past the feeling again" - " The Suburbs" - Arcade Fire

Conto mais, depois de colocar o sono em dia.

4 de setembro de 2010

Xacobeo



A ver se consigo entrar...pelo menos irei tentar.

2 de setembro de 2010

O Natal está próximo, não está ?



Eu quero uma coisa destas. E já vi na Fnac. E parece-me que não irei resistir até ao Natal.
Pergunta que se impõe: será que posso ver isto num DVD normal ou terei de me contentar com a edição especial ?

1 de setembro de 2010

Uma espécie de Haiku ( II )


Com o pó do desejo
inscrevi na parede da rua-
bem-te-quero.